Por Renato Frossard
O amor verdadeiramente genuíno, a paixão, faz com que fiquemos totalmente dependentes daquele ser amado para que possamos seguir vivendo, seguir respirando. Se perdemos aquela pessoa, ou o vínculo com ela, é como se a morte fosse um melhor consolo.
O amor da paixão é um amor idealizado. Ele não enxerga defeitos ou imperfeições. O ser amado se torna a expressão da própria beleza, da doçura e da arte. Vemos nele o reflexo de tudo que um dia sonhamos. Mas este amor nos deixa reféns e, se fica abalado por algum motivo, nossa firmeza desmorona.
A história está repleta de amantes que, com efeito, tiraram a própria vida na tentativa de aplacar a sua dor. Quem já se apaixonou ao menos uma vez na vida, sabe a intensidade deste sentimento, que nos toma de forma avassaladora, e que nos leva a tomar as decisões mais loucas que se possa imaginar. Quando estamos apaixonados, não poupamos esforços, tempo ou dinheiro. Vivemos em função de agradar nosso amor.
Mas, então, vem a não correspondência, as brigas, a perda do afeto, os ciúmes, etc., e matam a relação. O furor passional se retrai, a chama diminui, e o que antes era fogo, primeiro se torna brasa, para depois se tornar cinzas.
No entanto, às vezes, a paixão se encaminha para algo mais brando, suave e duradouro: o amor. E o amor, neste caso, pode sim durar para sempre, e trazer o tão sonhado final feliz.