quarta-feira, 24 de outubro de 2007

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI


No caminho com Maiakóvski

Eduardo Alves da Costa

"[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]"

LETRAMENTO DIGITAL

LETRAMENTO DIGITAL

Renato


Até o presente momento do curso Alfabetização e Letramento, curso “online” ministrado pela Professora Carla Coscarelli da UFMG, muito foi lido, aprendido e discutido sobre os temas Alfabetização e Letramento. Aprendemos, por exemplo, a diferenciar os termos e a relacionar suas particularidades (Soares, 2002). Aprendemos que embora a Alfabetização e o Letramento sejam processos diferentes, eles são processos inseparáveis, e que preferencialmente devem ocorrer ao mesmo tempo (Soares, 2002). Agora, porém, um novo problema nos é apresentado. Trata-se do Letramento Digital que, em poucas palavras, significa o acesso ao computador e à internet. Neste artigo, procuraremos problematizar, discutir e apresentar sugestões para a possível solução (a longo prazo) do problema do “analfabetismo/ iletramento digital”.
Até bem pouco tempo atrás, o computador era considerado artigo de luxo. Na verdade este ainda é o caso para a grande massa do povo brasileiro. Porém, com a grande revolução tecnológica e com a melhora do poder aquisitivo das classes populares, o computador veio a tornar-se mais conhecido de uma pequena, mas significativa, parcela da população. Estes brasileiros que, por diversas questões, tiveram acesso a uma escola, um emprego assalariado, a uma casa (própria ou alugada), tiveram também condições financeiras e técnicas de possuir esta incrível máquina que é o computador. Estes brasileiros conhecem muito bem o computador, sabem lidar com diversos aplicativos, conhecem a Internet, usam freqüentemente a ferramenta e-mail e se comunicam com os amigos e familiares através dos chats ou de programas de bate papo, como o “MSN Messenger”.
Ora, sabemos que uma grande parcela da população brasileira encontra-se em estágio de analfabetismo ou iletramento (formal), não tendo domínio da leitura e da escrita. Não é difícil constatar que estas pessoas estarão, automaticamente, excluídas do mundo digital, sendo, portanto, “iletradas” nesta área. Além destas pessoas, temos uma outra parcela da população que, embora alfabetizada/ letrada, não tem acesso ao computador ou à Internet, ou seja, é composta de iletrados digitais. Através deste quadro, podemos imaginar quão grande é a exclusão digital que ainda existe em nosso país.
Dos artigos que lemos sobre o assunto, alguns falam de grupos hegemônicos que acabam formando uma espécie de parede protetora em redor de si mesmos, assumindo controle da tecnologia e forçando os excluídos cada vez mais para o limbo digital. Esta verdade é clara, bastando para isto sermos realistas e sinceros conosco mesmos. Por outro lado, alguns artigos também falam de uma força oposta, que seria a dos softwares livres, que seriam uma tentativa de contra atacar os grupos hegemônicos e, desta forma, permitir que mais pessoas das camadas populares venham a ter acesso ao mundo digital. (Araújo, 2007). Isto pode ser verdade, mas certamente ainda carece de eficácia, pois não tem sido, nem de longe, capaz de minimizar o abismo que separa excluídos de letrados digitais.
De acordo com Araújo, 55% da população brasileira “ainda não sabe o que significa usar um computador”, enquanto 68% jamais acessaram a Internet. Em outras palavras, mais da metade da população do país está excluída do uso do computador, ao passo que quase a totalidade dela está excluída do uso da Internet. Estes são valores assombrosos se considerarmos a imensa população do Brasil (População do Brasil aprox.: 183.888.841 hab, IBGE). É estranho pensarmos sobre isto a partir de nossa confortável situação de “elite intelectual do país”, “funcionários públicos”, “micro empresários”, enfim, “afortunados” por termos um emprego ou uma outra fonte de renda que nos permita o acesso a estas revoluções tecnológicas. Afinal, estas coisas são tão comuns pra nós. Alguns de nós até mesmo “nascemos conectados à Internet”, já que nossa família já tinha acesso a esta realidade desde que nascemos. Outros viemos a ter contato com esta nova realidade mais tarde em nossas vidas, após nos estabelecermos profissionalmente ou como estudantes universitários. Outros, por necessidade trabalhista, vimos nos obrigados a aprender a utilizar o computador e a Internet para podermos manter nossa posição no trabalho. Resumindo, fazemos parte de um pequeno e privilegiado grupo que tem acesso a uma das maiores invenções da humanidade – maior talvez do que a invenção de uma forma de viajar no espaço, já que os benefícios de tal empreendimento são questionáveis.
É difícil encarar esta realidade. Algo mais difícil porém é encarar a nossa atitude diante deste conhecimento. Meu questionamento é: “será que estamos combatendo a exclusão digital ou estamos tão confortáveis em nossa “cerca virtual” que acabamos reforçando a exclusão ou ignorando a mesma?” Este pode ser um questionamento doloroso, mas necessário. Precisamos reconhecer que fazemos parte deste privilegiado grupo e que ao ligarmos um computador conectado à Internet, temos a responsabilidade social de tentar fazer com que este recurso chegue a outras pessoas que então se encontram excluídas do seu uso.
Obviamente, para se combater a exclusão digital necessitamos mais do que vontade. Necessitamos recursos financeiros e políticas adequadas partindo dos nossos governos. Lutar pela consecução de tais objetivos é também uma necessidade, mas não podemos nos dar ao luxo de ficar esperando que os nossos governantes resolvam o problema por nós. O que fazer então? (...) Acredito que a maioria dos leitores deste artigo sejam educadores ou pretendam tornar-se educadores. Sabendo disso, posso dizer que talvez, a melhor solução para, pelo menos, diminuir a exclusão social deva partir de nós. Em outras palavras, conforme sugerido por Araújo, a escola pode ser vista como um ambiente de construção de uma resistência à exclusão digital. Segundo ele, embora a escola seja reconhecidamente um instrumento ideológico do estado (Althusser, 1985), ela tem o potencial para alcançar pelo menos parte da camada populacional que se encontra excluída digitalmente.
Agora, poderíamos pensar: se a escola não tem conseguido acabar com a exclusão do “letramento formal*”, como conseguirá fazê-lo em relação ao “letramento digital”? A resposta obviamente está longe de ser simples. No entanto, se vimos até o momento que o letramento deve acontecer em conjunto com a alfabetização, preferencialmente, então podemos concluir que o letramento digital também deva ocorrer em conjunto com todo este processo. O que estou querendo dizer é que os nossos esforços para erradicar o analfabetismo e o iletramento, devem, preferencialmente, estar em conjunto com os nossos esforços para erradicar ou diminuir o iletramento digital.
Em muitas escolas públicas brasileiras, estes esforços já são uma realidade e já produzem frutos palpáveis. Em uma escola pública do município de Contagem, por exemplo, existe um projeto de informática, onde semanalmente os alunos têm aulas de informática e, em breve, poderão acessar a Internet da própria escola. Sem dúvida um grande avanço, se considerarmos a atual situação da maioria dos brasileiros. Infelizmente, estes esforços muitas vezes partem de atitudes isoladas de um ou outro educador mais “afoito” que não se conforma com uma situação de exclusão onde os recursos encontram-se disponíveis para o combate da mesma. Tais iniciativas são bem vindas e louváveis. Um esforço coletivo, porém, talvez produziria melhores frutos. De fato, uma escola inteira ou uma comunidade inteira comprometida com um ideal, produziria melhores resultados do que uma pessoa isolada poderia alcançar. De qualquer forma, acredito que seja muito melhor termos atitudes isoladas, ainda que estas partam de nós mesmos que estamos lendo este artigo, do que simplesmente esperarmos que o governo tome providências que, quando vierem, já estarão bastante atrasadas. Assim, atitudes como a dos professores desta escola de Contagem devem ser imitadas e divulgadas para que mais e mais estabelecimentos escolares possam ajudar a diminuir a exclusão digital.
Por outro lado, sabemos que são poucos os estabelecimentos escolares da rede pública, cujos alunos representam boa parte dos excluídos digitalmente, que possuem recursos para estabelecer alguma iniciativa para diminuir esta exclusão. Isto é, a maioria das escolas públicas não têm computadores em número suficiente para estabelecerem um trabalho neste sentido. Outras, até têm computadores, mas estes se encontram em “estágio terminal” e, portanto, não estão em condições de uso. Mas também há relatos de escolas que possuem laboratórios de informática com computadores novos e que estão trancados, com medo de que os alunos estraguem os computadores ou de que haja roubo dos mesmos. Ora, o que se vê é um verdadeiro contra-senso. Algumas escolas não realizam o trabalho por falta de recursos. Outras têm os recursos e não os utilizam. Também é necessário de rever este fato.
A extensão deste artigo não nos permite aprofundar o assunto demasiadamente, mas acredito que o problema que se queria levantar foi colocado com sucesso. A existência de grupos privilegiados digitalmente (dos quais muitos de nós fazemos parte), a necessidade de se combater o iletramento digital, e o posicionamento da escola como um possível instrumento de combate da exclusão digital. Atitudes isoladas também são bem vindas e louváveis, embora um esforço coletivo talvez produziria melhores resultados. Os resultados esperados, porém, não são resultados imediatos, mas resultados que serão sentidos a longo prazo. As atitudes, no entanto, devem ser tomadas já.

REFERÊNCIAS

Araújo, J. C. (Org.) . Internet e Ensino: novos gêneros, outros desafios. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007.
Araújo, J. C., Dieb, M. (Orgs.). Linguagem e Educação: fios que se entrecruzam na escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
Araújo, Júlio César, Biasi-Rodrigues, Bernadete (Orgs.). Interação na Internet: Novas formas de usar a linguagem. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.
Araújo, Júlio César. Os gêneros digitais e o desafio de se alfabetizar letrando, Trabalhos em Lingüística Aplicada. Campinas: IEL-Unicamp. Vl. 46(1). jan/jun 2007, pp. 79-92.
* Chamamos letramento formal o domínio da leitura e da escrita em ambiente “não necessariamente digital”.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

ALFABETIZAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
Professora: Carla Coscarelli - Aluno: Renato Frossard

Alfabetização

Renato

Nas últimas décadas, as enormes mudanças ocorridas no campo da educação alteraram signficativamente a forma de se ver e de se entender a alfabetização, com o surgimento de um novo termo, o "letramento", que visa complementar e dar conta daquilo que o termo "alfabetização" não consegue, por sí só, abranger.

Segundo Magda Soares, importante pesquisadora e escritora da área da educação, a alfabetização consiste em ensinar o indivíduo a codificar e decodificar os sinais gráficos e a dominar uma série de aspectos técnicos envolvidos nesta prática (como segurar o lápis e usá-lo). Além disso, Soares afirma que aprender uma técnica (alfabetização) e saber usá-la (letramento) são dois conhecimentos diferentes, e que não precisam necessariamente vir um antes do outro, mas podem ocorrer de forma simultânea.

Assim, a alfabetização pode ser considerada o processo de apropriação da tecnologia da leitura e da escrita, o que envolve o aprendizado dos símbolos gráficos, a sua decodificação de grafemas em morfemas, e o uso dos equipamentos necessários para o seu fim. Diferentemente do letramento, que envolve o aprendizado efetivo da "utilização" destas tecnologias, a alfabetização consiste no aprendizado da tecnologia em si, ou, nas palavras de Magda Soares, a alfabetização é "a aprendizagem da técnica, domínio do código convencional da leitura e da escrita e das relações fonema/grafema e do uso dos instrumentos com os quais se escreve".

Referências

SOARES, Magda. A reinvenção da alfabetização. Disponível emA reinvenção da alfabetização. Disponível em: http://www.meb.org.br/biblioteca/artigomagdasoares. Acesso em: 21/09/2007.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

VIVENDO

Viver é voar alto
Mais alto do que se possa imaginar
Se pensamos estar presos a uma pequena porção do espaço
De repente nos vemos em algum outro lugar do universo

Mas o universo é tão grande que acabamos de novo
presos a um pequeno espaço
Mas mesmo ao voltarmos
Nunca mais seremos de novo aquilo que já fomos

Brazil, Japão, Estados Unidos (...)
Do que importa a tarja?
Do que importa o lugar de onde viemos ou onde nascemos???
Somos humanos, e não há como mudar isto
Quer nos amemos ou não
Quer pensemos que somos melhores que os outros
ou não... somos todos humanos... simplesmente humanos.

Quero alçar novamente um vôo
ver novamente as nuvens do alto
"it feels so good" estar nas alturas
Não para pisar no próximo
mas para ver que tudo é possível ao que crê!

E quando eu pousar
não ficarei triste
pois sei que poderei voar de novo
quantas vezes eu quizer, voarei
até o alto do azul, e a cera não vai derreter
pois os sonhos que formam estas asas
são sólidos demais pra se desgastar com o calor de um vulcão
e resistirão às chamas do cansaço e da falta de fé

Renato

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

INFORMÁTICA PARA LEIGOS

Se Você é professor/educador a mais de 10 anos, é provável que já tenha enfrentado ou enfrente alguma dificuldade em relação à utilização dos recursos da informática com fins educativos. O fato é que, nos últimos dez anos, pudemos assistir um desenvolvimento tecnológico arrasador no campo da informática, o que causou mudanças imensas na forma de se elaborar material, imprimir textos, preparar aulas, etc.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Reações às Leituras

Ao ler os textos que compõem este espaço, compartilhei das opiniões em alguns momentos, mas noutros não. Compartilho da preocupação com a educação como talvez o maior bem para a transformação pessoal e social. Compartilho com a importância da escola pública para qualquer sociedade, porém, principalmente a brasileira pela realidade ainda precária para a maioria da população ao acesso a bens culturais. Compartilho da preocupação com a transformação da escola em espaço de reflexão para crescimento pessoal e social, no qual a relevância tome o espaço de práticas ultrapassadas, tais como a trasmissão de um conhecimento de dimensão conteúdista que mantém a certeza como princípio (resposta certa ou errada) e não abre o espaço para os questionamentos ou a dúvida (presentes no momento de escolha que precede a decisão). Compartilho da importância deste espaço de reflexão.

Entretanto, discordo em duas questões.

Primeiramente, a distância entre teoria e prática como um problema, pois considero que a Universidade deve preparar para o ideal sim, pois é esse o espaço das possibilidades. Acredito que uma relação mais próxima entre teoria e prática depende da sabedoria como cada um transformará a teoria em prática. Isso decorre da experiência, para a qual ninguèm está preparado, pois ela é unica a cada momento e depende de quem a vivencia. A falha da Universidade talvez esteja na ausência de uma reflexão sobre experiências em sala de aula, área que já está sendo contemplada na grade curricular.

Em segundo lugar, discordo da proposição de que a mudança passa pela ação coletiva. Depois de ter participado por mais de dez anos de movimentos coletivos em uma associação de classe - fui presidente de uma associação docente após anos de 'militância', justifico minho posição com muita segurança, pois vivenciei que os espaçõs coletivos são espaço para que poucos emprestem sua voz a aqueles que se mantêm em seus espaços de inação dando ao outro o poder da ação. Isso faz com que aqueles que tomam esses lugares se considerem poderosos e passem agir desligados daqueles que lhe outorgaram poder. Tornam-se assim lideres de si mesmos sem qualquer relação com seus liderados, que se sentem frustrados e desacreditados de seus líderes. Tal como acontece na política, ao daremos o poder a outro, nos omitimos e nos encontramos impotentes frente aos abusos daqueles que agora se acham donos da verdade.

Assim, sou pela ação individual, pois "quem salva a vida de um ser humano, salva a humanidade", disse alguém do qual não me recordo o nome. É a partir de cada um de nós que a mudança deixa de ser uma utopia para ser a relidade. Não creio que o professor deva se sentir com a responsabilidade de mudar a educação, mas ele deve sim trabalhar para tranformar a sua sala de aula, pois fazendo isso ele muda a sua vida, a sua sala de aula e, eventualmente, o mundo.
Há inúmeros exemplos disso na história - pessoas que deram sua vida por ideiais que se transformaram em realidade com o passar dos anos; tal como o ideal de liberdade de Tiradentes se concretizou.

Acredito que o professor deve fazer o que estiver dentro das suas possibilidades, pois devemos doar aquilo que nos sobra, não o que não temos. Mas, ao termos possibilidades, não podemos nos omitir, protegendo-nos com as desculpas das condições desfavoráveis. As condições nunca serão favoráveis, pois vivemos num mundo de imperfeições à busca da perfeição. Mas, se o que vivemos depende de como vemos a nossa realidade, para transformá-la basta dar aquele passo na direção da crença de que podemos criar a realidade que vivemos. Ao fazermos isso, vivenciamos conceitos da física quântica, aproximando teoria e prática em nossa experiência cotidiana e, assim, manifestamos nossa sabedoria.

Isso nos deixa mais satisfeitos, pois não temos o impossível como meta, mas sim o possível na busca desse ideal que deve orientar sempre a nossa ação. Se acreditarmos nisso e agirmos em consonância com essas crenças, outros também acreditarão e a mudança poderá vir a ser de uma coletividade de iniciativas pessoais.

domingo, 19 de agosto de 2007

COMO EDUCAR UMA CRIANÇA


OS DEZ MANDAMENTOS PARA SE EDUCAR UMA CRIANÇA


1 - Comece cedo. Lembre-se do que diz a bíblia: Ensina à criança o caminho em que deve andar, e ainda quando crescer não se desviará dele. Portanto, não espere até que seu filho esteja "grandinho" para começar a educá-lo, pois então já poderá ser muito tarde.


2- Eduque com amor. Não se esqueça que o objetivo da educação desta criança parte do amor que você sente por ela. Em outras palavras, o objetivo de educar é construir o caráter da criança e não destruí-la.


3- Jamais diga à criança coisas como: Você é um(a) burro(a)! Nunca será ninguém na vida! etc. Isto é uma violência imensa que só pode trazer prejuízos ao desenvolvimento da criança e até fazer com que ela te odeie no futuro.


4- Eduque com atos, mais do que com palavras. Mostre à criança através de suas atitudes diárias a maneira correta de agir diante das mais diversas situações. Ensine-a a orar a Deus sempre, a buscar a orientação do Senhor em todas as decisões que tiver que tomar e a ser uma pessoa justa e obediente a Deus.


5- Não afaste de seu filho a vara da disciplina. Apesar de amar seu filho ou filha, lembre-se de impor limites, para que mais tarde ele (a) não se torne arrogante e insubordinado.


6- Dê liberdade à sua criança para se aproximar de você. Se seu filho tiver medo de falar com você sobre os assuntos mais simples, com certeza nunca falará sobre coisas mais "delicadas", como a sexualidade, alcool ou drogas, por exemplo.


7- Ore com seu filho, cante louvores à Deus, ensine o a amar aquele que o criou, e você estará salvando a vida de seu filho, e também garantindo uma velhice tranquila pra você, pois este filho jamais irá te desamparar.


8- Matricule seu filho em uma escola que, além de conhecimentos ciéntíficos, ensine valores espirituais, éticos e morais.


9- Controle a quantidade e a qualidade do que o seu filho assiste na TV. Não deixe que a TV seja a única "educadora" de sua criança.


10- O princípio, meio e o fim de toda a boa educação está em ensinar a criança a amar e obedecer a Deus. Se este simples ensinamento estiver bem guardado no coração da criança, ela nunca se envolverá em problemas, pois saberá como caminhar pelas áridas estradas da vida, e estará sempre feliz e realizada.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Assédio Moral no Trabalho

Assédio Moral no Trabalho

A prática da agressão psicológica no trabalho constitui o assédio moral. Esta é realizada através de críticas constantes, humilhações e ameaças. Infelizmente esta prática vem se instalando em nossas escolas e os professores são os que mais sofrem com isto.
A vítima de assédio moral muitas vezes se vê indefesa e, por medo, deixa de levar o fato às autoridades. Na verdade, o que a vítima de assédio moral deve fazer é exatamente o contrário. Ela deve resistir e lutar contra esta prática, valendo-se de todas as armas que estejam ao seu alcance. O trabalho é um direito do ser humano e não deve tornar-se instrumento de tortura física ou psicológica para o indivíduo. De fato, o assédio moral pode vir a se manifestar de forma física, uma vez que o mesmo pode vir a causar doenças de ordem psicossomática no indivíduo.
Projetos de lei tramitam no congresso para regular o assédio moral como crime com pena prevista no código penal.
Até lá, o trabalhador deve lutar para não sucumbir diante dos ataques de chefes autoritários e sarcásticos que pensam que podem usar e abusar dos seus subordinados.


O que a vítima deve fazer:

Resistir. Anotar cada agressão e nomes de testemunhas presentes. Buscar orientação legal. Buscar apoio do grupo. Não conversar com o agressor sem a presença de testemunhas ou de uma autoridade competente.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

INTERNET PARA PRINCIPIANTES

A INTERNET
A Internet encontra-se tão desenvolvida e presente em nossas vidas, que às vezes nos esquecemos de que uma grande parcela da população, na qual se inclui boa parte de nosso alunado, encontra-se excluida do uso deste avanço tecnológico, ficando assim privados dos seus benefícios. Pensando nisto, pensei em postar aqui algumas dicas sobre a Internet para os que estão principiando no seu uso.
Antes de mais nada, tentarei definir o que é a Internet. Em poucas palavras a Internet é uma rede mundial de computadores que permite o acesso de informações armazenadas em computadores chave desta rede. Isto significa que, não importa em que parte do mundo estivermos, poderemos acessar estas informações de qualquer lugar, bastando para isto que tenhamos acesso a um computador conectado à Internet.

A internet nos oferece diversas possibilidades como o correio eletrônico ou email, a comunicação em tempo real através de chats ou através de programas específicos de comunicação como o MSN Messenger, a consulta de informações em páginas específicas da internet chamadas de sites, a impressão de documentos, inscrições em concursos públicos, e muitas outras possibilidades. De fato, se fôssemos listar aqui todas as utilidades da internet, levaríamos o dia inteiro e, ainda assim, seríamos incapazes de esgotar estas possibilidades.

COMO FUNCIONA O EMAIL?

Para se enviar um email, é necessário que se tenha acesso a um provedor de emails. É como se tivéssemos uma linha telefônica e tenhamos que pagar um valor mensal para ter acesso à mesma. A vantagem é que existem provedores de email gratuitos, que permitem o uso destes sem nenhum custo para o usuário, bastando para isto que ele se inscreva no site e concorde em seguir as normas de uso do serviço. O email gratuito possui algumas limitações, mas que não representam problemas para usuários comuns, uma vez que, em geral, usamos esta ferramenta somente para a comunicação com outros usuários e para enviar aquivos não muito "pesados".
Após se inscrever, você cria pra você um apelido, alguma coisa relacionada com seu nome ou apelido ou ainda com suas iniciais. O importante é que seja algo exclusivo, somente seu, porque é impossível duas pessoas terem o mesmo endereço de email, caso contrário ocorreria a troca de correspondências, ou seja, alguém receberia mensagens que haviam sido enviadas para você ou vice versa.
Após criar este apelido, você então passa a ter um endereço eletrônico. Por exemplo, se você criar o seu email no site do Yahoo, seu endereço de email será algumacoisa@yahoo.com.br. Se você criar este email no site do gmail, então seu email seria algumacoisa@gmail.com. Este é o endereço que você deve passar pros seus amigos para que eles possam te enviar mensagens. A partir do momento que você tem o seu endereço, você já pode enviar e receber mensagens.
ENVIANDO E RECEBENDO EMAILS
Agora que você já tem seu endereço de emails, o que você precisa fazer para enviar e receber mensagens? Bem, vamos por partes.
Envio de Mensagens:
1 - o primeiro passo é saber o endereço do destinatário, por exemplo fulano@ig.com.br
2- Digite o endereço no campo "Para" de seu editor de emails. Para chegar no editor de emails você deve acessar o site onde você criou seu email e clicar no link que te levará para o editor de emails. Geralmente o link diz "email" ou simplesmente "mail". Ali você encontrará um botão ou link dizendo "escrever mensagem", "compor mensagem", ou algo parecido. Ao clicar neste botão ou link, o editor de emails aparecerá e você verá o campo "Para" bem em cima do espaço reservado para a criação da mensagem.
3-No campo "Título" ou "Assunto" digite o assunto da mensagem.
4-Nos campos CC e BCC você pode adicionar outros endereços de email de pessoas que você quer que recebam cópias da mensagen enviada. Você não precisa preencher este campo se não precisar enviar cópias a ninguém.
5-Após preencer estes campos, é só compor a mensagem no espaço apropriado para este fim e enviar, clicando em um botão que fica no canto inferior e/ou superior da tela.
RECEBENDO MENSAGENS
Receber mensagens é ainda mais fácil do que enviá-las. Basta você acessar sua conta de email através da senha que você cadastrou e clicar em "caixa de entrada", e você saberá se você recebeu alguma mensagem. As mensagens novas estão sempre em negrito. Quando você lê uma mensagem, o negrito desaparece (do título).
Após ler as mensagens você pode deletá-las ou mantê-las em sua caixa de emails para consulta posterior.
Bom, isto é o básico do básico, mas espero que tenha ajudado um pouco aos que ainda não têm experiência nenhuma com o email.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

QUAL É O MEU PAPEL?

Uma grande dúvida que assola o professor hoje é quanto a qual seja o seu real papel como educador. Antigamente o professor costumava ter bem definido em mente que o seu papel era lidar diretamente com o educando e realizar, para com este, o melhor trabalho para auxiliá-lo em seu crescimento como indivíduo. A tarefa já era bastante árdua, pois o professor tinha que cuidar de várias dimensões da educação da pessoa e, por isso, precisava expandir muito sua área de atuação a fim de abarcar diversas áreas de conhecimento.

Hoje, além de ter o trabalho de expandir sua área de atuação, como falado acima, o professor ainda é solicitado a cumprir diversas tarefas que fogem ao objetivo de sua formação. Por exemplo, hoje até o problema da evasão escolar acaba caindo nas mãos dos professores, que se vêem ameaçados de perder seus empregos caso o número de alunos na instituição onde trabalham cair abaixo de um determinado patamar. Tal realidade demonstra que o professor já não consegue mais concentrar-se e preocupar-se apenas com a educação do estudante e em fazer um trabalho de qualidade junto ao aluno.
O que será que está acontecendo na educação pública, e na educação de uma forma geral? O que penso deste assunto é que os interesses políticos e financeiros estão tão acima dos interesses relacionados à educação, que este assunto tão importante para a sociedade tem sido visto como produto de consumo, e o aluno como cliente. Em outras palavras. Professores agora são meros empregados de um grande "supermercado" educativo onde vendem horas para os políticos poderem convencer a população de que a educação é levada a sério, e assim possam garantir a reeleição na próxima ida do povo às urnas.

Acredito que uma mudança de paradigma faz-se urgentemente necessária. Precisamos abrir os nossos próprios olhos e os olhos do povo para a realidade que se descortina diante de nós. Não podemos mais fingir que tudo está bem, pois se o fizermos, seremos nós mesmos, os educadores, que vamos nos lamentar mais tarde e nos perguntar: Porque eu não reclamei de nada quando tive a oportunidade?

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Onde Nós Estamos???

Meu Deus! Onde nós estamos?
Agora não sabemos mais o que é responsabilidade do professor e o que é responsabilidade das autoridades. Querem simplesmente jogar tudo nas costas do professor que já não aguenta mais tanta pressão por todos os lados. Agora querem que o professor escreva o projeto pedagógico da escola, que ele se preocupe com a evasão escolar, que ele seja responsável pela motivação dos alunos, que ele cumpra seus horários à risca, e que ainda tenha tempo para preparar aulas e buscar fomação continuada. Em outras palavras, um verdadeiro absurdo e contrasenso. Um verdadeiro retrato da demagogia que impera em nosso país, onde as aparências são mais importantes do que as realizações concretas.
Se continuamos assim onde iremos parar? Acredito que está mais do que na hora de professores se unirem e darem um basta nesta história toda. Não podemos ficar reféns de autoridades escolares e políticos que só querem garantir o sucesso na próxima eleição. Precisamos resitir ao sucateamento da educação e de nossa profissão.
Espero que você possa deixar sua opinião neste blog e participar com textos e sugestões.
abraços,
Renato

sexta-feira, 22 de junho de 2007

A Aprendizagem Na Era das Inovações

A APRENDIZAGEM NA ERA DAS INOVAÇÕES
TECNOLÓGICAS: UMA DISCUSSÃO NECESSÁRIA


Uma Reflexaõ Sobre O Texto De Délia Santos
Renato


Em seu artigo “A Aprendizagem na Era das Inovações Tecnológicas: uma discussão necessária” Delia Santos discute a necessidade de mudança de paradigmas na educação atual em face ao desenvolvimento tecnológico e aos avanços da ciência como um todo. A autora também fala da grande dificuldade em se alcançar tal mudança e propõe ações para que este objetivo seja atingido. De acordo com Santos “o mundo hoje é o resultado de uma série de mudanças ocorridas no desenrolar da história da humanidade” o que veio a alterar o modo de vida das pessoas e da sociedade. A autora cita em seu texto importantes estudiosos como Piaget, Vigotsky, Schank, Paulo Freire, Chaves e Heide e Stilborne que, de certa forma, lhe reforçam a credibilidade.
De fato, vivemos hoje em um novo mundo e um novo tempo. Já não podemos olhar as coisas como fazíamos há dez anos atrás, por exemplo. O advento de tecnologias como o computador, o celular, a Internet, novos tipos de mídia como o DVD e o CD, entre outras, fizeram com que o conhecimento pudesse evoluir de forma nunca dantes imaginada. Pode-se dizer que a humanidade deu um salto maior do que o de Neil Armstrong ao pisar na lua pela primeira vez.
No entanto, infelizmente, nem todos os setores da sociedade acompanharam este desenvolvimento tecnológico. Os setores mais pobres da população têm, de certa forma, permanecido alienados a todo este “bum” científico. Muitas escolas públicas, por exemplo, não têm sequer computadores em número suficiente para realizar-se um trabalho com os alunos. Além disso, muitos professores ainda resistem ao uso de tecnologias em sala de aula e, quando muito, utilizam o computador apenas para fins mecânicos como a digitação e impressão de documentos. Diante de tal quadro, faz se urgente uma mudança de direção, conforme sugere Délia Santos.
O que fazer porém? Como encontrar soluções realistas e plausíveis para a realidade da educação brasileira? A autora aponta diversos problemas em seu texto e sugere atitudes que poderiam levar-nos a uma mudança na situação atual. Um dos pontos que a autora levanta é que o ensino, na maioria das instituições, continua a ser conduzido de forma tradicional e conservadora, apesar de todos os avanços no campo científico. De fato, em muitas escolas, ainda é adotada a forma tradicional de ensinar, onde o aluno é o receptor e o professor é o transmissor do saber. A autora acredita que este molde de educação não é mais viável nos tempos em que vivemos. Segundo a mesma, o momento atual exige que o ensino seja feito de forma a levar o aluno a construir o próprio saber, de forma interativa, participando do processo de aprendizagem. A autora diz ainda que neste novo molde de ensino o professor deve apresentar-se como mediador e não como o detentor exclusivo da sabedoria. De fato, não é difícil perceber que os moldes tradicionais de ensino já não atendem às necessidades de um mundo em constante evolução, onde muitas crianças já “nascem conectadas” à Internet.
A realidade é que precisamos de novos paradigmas, novas formas de ver o processo educativo e de transmitir conhecimentos. É aí que a tecnologia viria a calhar. O uso de tecnologias na escola permitiria a adoção de uma nova e instigante forma de ensinar e aprender. A Internet, por exemplo, é uma fonte quase inesgotável de conhecimento, onde podemos encontrar informações sobre praticamente todas as áreas do conhecimento, de A a Z. Segundo Castells a Internet pode ser considerada para nós hoje o que a eletricidade foi na era industrial. Em outras palavras, “poderia ser comparada com uma rede elétrica ou com um motor elétrico, em razão de sua capacidade de distribuir a força da informação por todo o domínio da atividade humana” (Castells, 2001).
No entanto, os recursos tecnológicos ainda são usados de forma muito modesta ou até mesmo nula nos estabelecimentos de ensino brasileiros. Santos atribui este mau uso de tecnologias, em parte, ao despreparo dos professores, que não estariam prontos para usar estes novos recursos ou, seja por falta de informação ou por preconceito, preferem deixar de lado tais instrumentos, por acreditarem que estes apenas favoreceriam a desigualdade social. De fato, existe ainda por parte de alguns uma certa resistência quanto ao uso de tecnologias, mas acredito que esta já seja a minoria. Isto é, quem nos dias de hoje não gostaria de poder usar o computador em sala de aula? Com certeza bem poucos não gostaria de ter esta oportunidade. Por outro lado, também é certo que muitos professores ainda não possuem muita intimidade com os avanços tecnológicos pois, para muitos deles, trata-se de novidades às quais ainda “não foram apresentados” ou tiveram contato muito superficial. Daí a autora atribuir a culpa principal do mau uso das tecnologias ao despreparo dos professores para o uso das mesmas.
Em minha opinião, a autora devaneia um pouco ao atribuir de forma tão enfática ao professor tal responsabilidade uma vez que, em muitas escolas do contexto público, a tecnologia muitas vezes não é usada no ensino, não por falta de vontade dos professores, mas pela sua simples insuficiência ou inexistência no estabelecimento de ensino. Na escola em que leciono, por exemplo, existem pouquíssimos recursos desta natureza e os que existem estão em estado bastante precário. A base do ensino nesta escola, infelizmente, ainda são o quadro negro e o giz. Nesta situação, fica difícil querer cobrar do professor que ele leve tecnologia pra dentro da escola. De fato, mesmo que o professor pretendesse trazer o próprio computador para a sala de aula, por exemplo, tal procedimento seria inviável devido ao fato de estes receberem baixos ordenados, além de serem mal vistos e mal entendidos pela sociedade. Assim, os professores, ainda que quisessem, não poderiam arcar com o preço de recursos tecnológicos para o uso em suas aulas. Se porém, como em outros países desenvolvidos, a Educação no Brasil fosse vista com mais interesse por parte dos governantes, e se a própria população cobrasse soluções concretas das autoridades, se os professores fossem valorizados em suas profissões e recebessem um salário digno, é provável que a situação do país fosse bem diferente da atual.
Acredito que os professores brasileiros, historicamente, já demonstraram ser pessoas batalhadoras e comprometidas com a educação, muitas vezes fazendo além do que deveria ser de sua responsabilidade. De fato, o combate ao crime e à violência tem sido uma preocupação constante das escolas, quando na verdade deveria partir da família e das autoridades policiais promover o controle de tais manifestações indesejáveis da sociedade.
A autora ainda sugere que os professores sejam mal educados para a profissão. É óbvio que se a situação do país vai de mal a pior e se a educação se transforma em bem de consumo, não se pode esperar que as instituições de ensino superior, com exceções, venham a formar excelentes profissionais. Acredito que a autora deveria ter mencionado isto em seu texto. Ela deveria ter levantado a discussão sobre o fato de a Educação no país ter se tornado um produto desejável e comprável, não porque se almeje conhecimento, mas porque se tem em vista a consecução de um emprego rentável. Considero extremamente justo que a pessoa queira estudar para conseguir colocação no mercado de trabalho e para se realizar profissional e pessoalmente. Mas daí a converter-se a educação em mero produto mercadológico, acredito ser um exagero inaceitável, que deve a todas as forças ser combatido.
A mercantilização do ensino vem criando verdadeiros monstros no campo da educação e fazendo uso indiscriminado da tecnologia para atingir seus objetivos. De fato, hoje em dia, o mundo funciona on-line. Se precisamos de um determinado documento, basta uma rápida pesquisa na Internet e, záz, faço o download, imprimo o documento e pronto. Agora esta “versatilidade” também está chegando no campo da educação. Nunca na história a educação à distância foi tão popular como em nossos dias. É muito fácil encontrarmos ofertas e mais ofertas de cursos de graduação e pós graduação, a baixo custo, pela Internet. Você pode obter um diploma sem precisar sair de casa. Sem dúvida um incrível avanço, mas que preocupa pelo fato de não sabermos se todas as instituições que oferecem estes cursos são idôneas e responsáveis o suficiente para fazê-lo.
Assim, vemos que não só os professores são os responsáveis pela situação do ensino nos dias de hoje, com o seu pouco ou nenhum uso de tecnologia, mas muitos outros fatores podem ser apontados como os causadores do caos em que nos encontramos. Dentre estes podemos citar:
A falta de políticas públicas que realmente visem resolver e não disfarçar os problemas da educação no país.
A ausência de comprometimento da sociedade como um todo em relação à educação.
Falta de recursos materiais nas escolas públicas.
Indisciplina e desinteresse por parte dos alunos, que já vêm de casa com graves problemas de comportamento.
De fato, a ausência de um plano sério dos governos em relação à educação no país deve ser apontada como um dos fatores que levaram o ensino a chegar ao ponto em que estamos. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, a escola deve educar a criança/ pessoa para o exercício da cidadania, fato também citado por Délia Santos em seu texto. No entanto, a ênfase do processo educacional ainda é muito focada na preparação do indivíduo para o trabalho. Além disso, as escolas públicas, como já se sabe, não possuem a infra-estrutura necessária para a consecução de um objetivo tão ousado como a educação do indivíduo de forma global. Em outras palavras, o máximo que se tem conseguido nas condições atuais é a transmissão limitada do conteúdo científico, visando a aprovação em concursos vestibulares. Ainda assim, a maioria dos alunos nem sequer conseguem chegar a este objetivo, pois a educação que recebem é tão precária e superficial, que é incapaz de lhes garantir uma passagem pelos vestibulares das universidades públicas, onde estes teriam condições de prosseguir seus estudos, e onde os efeitos nocivos da mercantilização ainda não são tão visíveis. Alguns alunos até mesmo chegam ao cúmulo de concluir o ensino fundamental sem serem capazes de ler e escrever adequadamente.
A sociedade de forma geral também é culpada pela situação do ensino no país atualmente. De fato, a educação vem sendo encarada de forma muito desinteressada por todos os setores da sociedade. Enquanto os políticos não dão a mínima para a educação, os estudantes parecem não se importar tampouco, pois se portam como se nada do que se faz ou se tenta fazer pela educação tivesse algo a ver com eles. Os pais e familiares dos alunos parecem não compreender a importância do assunto, e as classes dominantes parecem estar satisfeitas com o “emburrecimento” geral da população mais desprivilegiada do país, uma vez que, se esta camada da sociedade permanece assim, pode ser mais facilmente manipulada e controlada. Enquanto isto o governo oferece “migalhas” para calar a boca destas famílias pobres, como “a bolsa escola”, “bolsa família”, etc. É necessário que haja um despertar da própria sociedade para o fato de que o país só se desenvolverá realmente, a partir do momento em que a educação for levada a sério por todos.
Não podemos também isentar os próprios alunos de sua responsabilidade na baixa qualidade do ensino que recebem. Hoje em dia, o aluno não recebe punições físicas, uma vez que a lei lhes garante este direito. O aluno também não deve ser submetido à humilhação pública, como era a prática no passado. Concordo plenamente com esta nova concepção e acredito que as determinações legais devem ser seguidas, e que a punição física ou através de humilhação são inaceitáveis. Mas por outro lado, com um grande direito deve sempre vir uma grande responsabilidade. Em outras palavras, os alunos agora têm sobre si próprios a responsabilidade de se comportarem adequadamente no ambiente de estudo. Eles devem ter a consciência de que precisam contribuir com o professor para que este possa transmitir-lhes, ou numa visão mais construtivista, compartilhar com eles o saber. No entanto, estudantes em geral não vêm demonstrando possuir este grau de maturidade. De fato, estudantes de todas as faixas etárias têm se mostrado muito inquietos, falantes à toda hora, desrespeitosos e, por vezes, até violentos. Neste contexto, fica realmente difícil para professor alcançar seu objetivo de levar ao aluno um ensino de qualidade, de forma instigante e motivadora.
Como vimos, atribuir-se aos professores a culpa pela situação precária do ensino não é apenas uma atitude injusta, mas também utópica. Escolas sem recursos materiais, sem material didático, sem recursos tecnológicos que possam servir de incentivo para os alunos, presas a um sistema tradicional do tipo quadro e giz, não podem exigir que os professores façam milagres e se transformem em construtivistas da noite para o dia. Mesmo porque, pra se construir alguma coisa, é necessário termos as peças. Apesar disto, sabemos que cruzar os braços não é a melhor solução, e nem pretendo isentar os professores de sua parcela de culpa pela situação da educação no país, mas sei por experiência própria que, nas escolas públicas principalmente, vem se buscando novas formas de oferecer aos estudantes um ensino de qualidade, apesar da escassez de recursos que é a realidade deste contexto.
De uma forma geral, podemos concluir que a autora do texto ora analisado aponta para importantes necessidades da educação de hoje, que precisa mudar paradigmas e abandonar a forma tradicional de ensino, o que ela sugere, pode ser alcançado através da formação continuada de professores. Por outro lado, a autora parece fechar os olhos para outros fatores limitadores das ações dos professores e das instituições de ensino, que por vezes dificultam a implantação desta nova forma de ensinar e aprender, bem como a adoção de novas formas de tecnologias no contexto educacional.

Referências:
SANTOS, Delia. A Aprendizagem Na Era Das Inovações Tecnológicas: Uma Discussão Necessária.

CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet. Jorge Zahar (2001).
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. Paz e Terra. (1999).
Parâmetros Curriculares Nacionais.


RELATO PESSOAL

Atuo com educador na escola pública e tenho sido constantemente desafiado em meu ofício. Embora tenha procurado me preparar intensivamente durante meu processo de formação, por vezes sinto me impotente frente à realidade de uma escola pública, onde os alunos são indisciplinados, embora muito inteligentes e capazes, e tornam difícil o trabalho do professor.
Compreendo que uma mudança em meu próprio modo de entender o ensino se faça necessária. Acredito ainda estar, de certa forma, preso a certos padrões tradicionais e conservadores que já deveriam estar ultrapassados. Em outras palavras, sinto uma grande diferença entre a teoria e a prática. Vejo que as “fórmulas” aprendidas na universidade nem sempre funcionam em um contexto real e que, quase sempre, precisamos reinventar a roda, redescobrir as formas de ensinar e aprender. A meu ver a universidade nos educa para uma contexto “ideal” de ensino, onde os alunos, teoricamente, são participativos e cooperadores e as escolas são modernas e bem estruturadas, além de não terem nenhum problema de falta de material didático.
É necessário estar em constante atualização, e por isto busco constantemente o aprimoramento pessoal, através da universidade e através de outros meios, como a Internet e a leitura de livros. Sempre fui adepto ao uso das tecnologias e procuro sempre utiliza-las na medida do possível em minhas aulas. Porém, em meu contexto de trabalho atual, tais recursos são inexistentes.
O intercâmbio internacional me deu a oportunidade de conhecer outras culturas e saber de perto o que outros povos pensavam de mim, enquanto brasileiro. Pude também conversar com outras pessoas e saber que o sofrimento e as dificuldades financeiras não são privilégio deste ou daquele povo, mas que estão presentes em todos os cantos do mundo. Também tive a oportunidade de abrir os olhos para o fato de que todos podem ser vencedores se realmente se dispõem a vencer. Hoje valorizo muito mais o meu país e tenho muito mais orgulho de ser brasileiro do que poderia ter se nunca tivesse participado desta experiência.
Quanto ao curso de pós-grduação, uma das principais razões que me levaram a buscá-lo foi o fato de perceber que necessitava de algo mais para poder oferecer aos meus alunos. Vi que o fato de alguém possuir conhecimento e/ou talento não significa que esta pessoa seja um bom professor. É preciso algo mais. Assim, vi na pós-graduação uma oportunidade para começar minha busca deste algo mais, além de ter a oportunidade de trocar idéias com outros colegas e com outros profissionais de áreas diferentes, mas cuja experiência muito pode me ajudar em meu próprio crescimento. Alem disso, creio que seja necessário que a educação seja um processo constante, e que não deve parar em um curso de graduação, ou mesmo em um doutorado. Certamente tenho muito para aprender e crescer e acredito que através da pesquisa e do estudo constantes, além da prática do ensinar, chegarei a algum lugar neste laborioso processo do ensinar a aprender e do aprender a ensinar. Crescer para poder oferecer algo aos outros, esta é a minha concepção de professor. Uma pessoa vazia, nada tem a oferecer senão o vazio.
Concluindo, acredito que o sucesso de um sistema educacional não depende de ações isoladas de um ou outro profissional, mas depende de ações conjuntas de todos nós para a realização de nossos objetivos comuns. Uma educação melhor, com tecnologia ao alcance de todos é possível, mas depende do trabalho e do empenho de todos.

sexta-feira, 1 de junho de 2007





A APRENDIZAGEM NA ERA DAS INOVAÇÕES
TECNOLÓGICAS: UMA DISCUSSÃO NECESSÁRIA


Uma Reflexaõ Sobre O Texto De Délia Santos
Renato


Em seu artigo “A Aprendizagem na Era das Inovações Tecnológicas: uma discussão necessária” Delia Santos discute a necessidade de mudança de paradigmas na educação atual em face ao desenvolvimento tecnológico e aos avanços da ciência como um todo. A autora também fala da grande dificuldade em se alcançar tal mudança e propõe ações para que este objetivo seja atingido. De acordo com Santos “o mundo hoje é o resultado de uma série de mudanças ocorridas no desenrolar da história da humanidade” o que veio a alterar o modo de vida das pessoas e da sociedade. A autora cita em seu texto importantes estudiosos como Piaget, Vigotsky, Schank, Paulo Freire, Chaves e Heide e Stilborne que, de certa forma, lhe reforçam a credibilidade.
De fato, vivemos hoje em um novo mundo e um novo tempo. Já não podemos olhar as coisas como fazíamos há dez anos atrás, por exemplo. O advento de tecnologias como o computador, o celular, a Internet, novos tipos de mídia como o DVD e o CD, entre outras, fizeram com que o conhecimento pudesse evoluir de forma nunca dantes imaginada. Pode-se dizer que a humanidade deu um salto maior do que o de Neil Armstrong ao pisar na lua pela primeira vez.
No entanto, infelizmente, nem todos os setores da sociedade acompanharam este desenvolvimento tecnológico. Os setores mais pobres da população têm, de certa forma, permanecido alienados a todo este “bum” científico. Muitas escolas públicas, por exemplo, não têm sequer computadores em número suficiente para realizar-se um trabalho com os alunos. Além disso, muitos professores ainda resistem ao uso de tecnologias em sala de aula e, quando muito, utilizam o computador apenas para fins mecânicos como a digitação e impressão de documentos. Diante de tal quadro, faz se urgente uma mudança de direção, conforme sugere Délia Santos.
O que fazer porém? Como encontrar soluções realistas e plausíveis para a realidade da educação brasileira? A autora aponta diversos problemas em seu texto e sugere atitudes que poderiam levar-nos a uma mudança na situação atual. Um dos pontos que a autora levanta é que o ensino, na maioria das instituições, continua a ser conduzido de forma tradicional e conservadora, apesar de todos os avanços no campo científico. De fato, em muitas escolas, ainda é adotada a forma tradicional de ensinar, onde o aluno é o receptor e o professor é o transmissor do saber. A autora acredita que este molde de educação não é mais viável nos tempos em que vivemos. Segundo a mesma, o momento atual exige que o ensino seja feito de forma a levar o aluno a construir o próprio saber, de forma interativa, participando do processo de aprendizagem. A autora diz ainda que neste novo molde de ensino o professor deve apresentar-se como mediador e não como o detentor exclusivo da sabedoria. De fato, não é difícil perceber que os moldes tradicionais de ensino já não atendem às necessidades de um mundo em constante evolução, onde muitas crianças já “nascem conectadas” à Internet.
A realidade é que precisamos de novos paradigmas, novas formas de ver o processo educativo e de transmitir conhecimentos. É aí que a tecnologia viria a calhar. O uso de tecnologias na escola permitiria a adoção de uma nova e instigante forma de ensinar e aprender. A Internet, por exemplo, é uma fonte quase inesgotável de conhecimento, onde podemos encontrar informações sobre praticamente todas as áreas do conhecimento, de A a Z. Segundo Castells a Internet pode ser considerada para nós hoje o que a eletricidade foi na era industrial. Em outras palavras, “poderia ser comparada com uma rede elétrica ou com um motor elétrico, em razão de sua capacidade de distribuir a força da informação por todo o domínio da atividade humana” (Castells, 2001).
No entanto, os recursos tecnológicos ainda são usados de forma muito modesta ou até mesmo nula nos estabelecimentos de ensino brasileiros. Santos atribui este mau uso de tecnologias, em parte, ao despreparo dos professores, que não estariam prontos para usar estes novos recursos ou, seja por falta de informação ou por preconceito, preferem deixar de lado tais instrumentos, por acreditarem que estes apenas favoreceriam a desigualdade social. De fato, existe ainda por parte de alguns uma certa resistência quanto ao uso de tecnologias, mas acredito que esta já seja a minoria. Isto é, quem nos dias de hoje não gostaria de poder usar o computador em sala de aula? Com certeza bem poucos não gostaria de ter esta oportunidade. Por outro lado, também é certo que muitos professores ainda não possuem muita intimidade com os avanços tecnológicos pois, para muitos deles, trata-se de novidades às quais ainda “não foram apresentados” ou tiveram contato muito superficial. Daí a autora atribuir a culpa principal do mau uso das tecnologias ao despreparo dos professores para o uso das mesmas.
Em minha opinião, a autora devaneia um pouco ao atribuir de forma tão enfática ao professor tal responsabilidade uma vez que, em muitas escolas do contexto público, a tecnologia muitas vezes não é usada no ensino, não por falta de vontade dos professores, mas pela sua simples insuficiência ou inexistência no estabelecimento de ensino. Na escola em que leciono, por exemplo, existem pouquíssimos recursos desta natureza e os que existem estão em estado bastante precário. A base do ensino nesta escola, infelizmente, ainda são o quadro negro e o giz. Nesta situação, fica difícil querer cobrar do professor que ele leve tecnologia pra dentro da escola. De fato, mesmo que o professor pretendesse trazer o próprio computador para a sala de aula, por exemplo, tal procedimento seria inviável devido ao fato de estes receberem baixos ordenados, além de serem mal vistos e mal entendidos pela sociedade. Assim, os professores, ainda que quisessem, não poderiam arcar com o preço de recursos tecnológicos para o uso em suas aulas. Se porém, como em outros países desenvolvidos, a Educação no Brasil fosse vista com mais interesse por parte dos governantes, e se a própria população cobrasse soluções concretas das autoridades, se os professores fossem valorizados em suas profissões e recebessem um salário digno, é provável que a situação do país fosse bem diferente da atual.
Acredito que os professores brasileiros, historicamente, já demonstraram ser pessoas batalhadoras e comprometidas com a educação, muitas vezes fazendo além do que deveria ser de sua responsabilidade. De fato, o combate ao crime e à violência tem sido uma preocupação constante das escolas, quando na verdade deveria partir da família e das autoridades policiais promover o controle de tais manifestações indesejáveis da sociedade.
A autora ainda sugere que os professores sejam mal educados para a profissão. É óbvio que se a situação do país vai de mal a pior e se a educação se transforma em bem de consumo, não se pode esperar que as instituições de ensino superior, com exceções, venham a formar excelentes profissionais. Acredito que a autora deveria ter mencionado isto em seu texto. Ela deveria ter levantado a discussão sobre o fato de a Educação no país ter se tornado um produto desejável e comprável, não porque se almeje conhecimento, mas porque se tem em vista a consecução de um emprego rentável. Considero extremamente justo que a pessoa queira estudar para conseguir colocação no mercado de trabalho e para se realizar profissional e pessoalmente. Mas daí a converter-se a educação em mero produto mercadológico, acredito ser um exagero inaceitável, que deve a todas as forças ser combatido.
A mercantilização do ensino vem criando verdadeiros monstros no campo da educação e fazendo uso indiscriminado da tecnologia para atingir seus objetivos. De fato, hoje em dia, o mundo funciona on-line. Se precisamos de um determinado documento, basta uma rápida pesquisa na Internet e, záz, faço o download, imprimo o documento e pronto. Agora esta “versatilidade” também está chegando no campo da educação. Nunca na história a educação à distância foi tão popular como em nossos dias. É muito fácil encontrarmos ofertas e mais ofertas de cursos de graduação e pós graduação, a baixo custo, pela Internet. Você pode obter um diploma sem precisar sair de casa. Sem dúvida um incrível avanço, mas que preocupa pelo fato de não sabermos se todas as instituições que oferecem estes cursos são idôneas e responsáveis o suficiente para fazê-lo.
Assim, vemos que não só os professores são os responsáveis pela situação do ensino nos dias de hoje, com o seu pouco ou nenhum uso de tecnologia, mas muitos outros fatores podem ser apontados como os causadores do caos em que nos encontramos. Dentre estes podemos citar:
A falta de políticas públicas que realmente visem resolver e não disfarçar os problemas da educação no país.
A ausência de comprometimento da sociedade como um todo em relação à educação.
Falta de recursos materiais nas escolas públicas.
Indisciplina e desinteresse por parte dos alunos, que já vêm de casa com graves problemas de comportamento.
De fato, a ausência de um plano sério dos governos em relação à educação no país deve ser apontada como um dos fatores que levaram o ensino a chegar ao ponto em que estamos. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, a escola deve educar a criança/ pessoa para o exercício da cidadania, fato também citado por Délia Santos em seu texto. No entanto, a ênfase do processo educacional ainda é muito focada na preparação do indivíduo para o trabalho. Além disso, as escolas públicas, como já se sabe, não possuem a infra-estrutura necessária para a consecução de um objetivo tão ousado como a educação do indivíduo de forma global. Em outras palavras, o máximo que se tem conseguido nas condições atuais é a transmissão limitada do conteúdo científico, visando a aprovação em concursos vestibulares. Ainda assim, a maioria dos alunos nem sequer conseguem chegar a este objetivo, pois a educação que recebem é tão precária e superficial, que é incapaz de lhes garantir uma passagem pelos vestibulares das universidades públicas, onde estes teriam condições de prosseguir seus estudos, e onde os efeitos nocivos da mercantilização ainda não são tão visíveis. Alguns alunos até mesmo chegam ao cúmulo de concluir o ensino fundamental sem serem capazes de ler e escrever adequadamente.
A sociedade de forma geral também é culpada pela situação do ensino no país atualmente. De fato, a educação vem sendo encarada de forma muito desinteressada por todos os setores da sociedade. Enquanto os políticos não dão a mínima para a educação, os estudantes parecem não se importar tampouco, pois se portam como se nada do que se faz ou se tenta fazer pela educação tivesse algo a ver com eles. Os pais e familiares dos alunos parecem não compreender a importância do assunto, e as classes dominantes parecem estar satisfeitas com o “emburrecimento” geral da população mais desprivilegiada do país, uma vez que, se esta camada da sociedade permanece assim, pode ser mais facilmente manipulada e controlada. Enquanto isto o governo oferece “migalhas” para calar a boca destas famílias pobres, como “a bolsa escola”, “bolsa família”, etc. É necessário que haja um despertar da própria sociedade para o fato de que o país só se desenvolverá realmente, a partir do momento em que a educação for levada a sério por todos.
Não podemos também isentar os próprios alunos de sua responsabilidade na baixa qualidade do ensino que recebem. Hoje em dia, o aluno não recebe punições físicas, uma vez que a lei lhes garante este direito. O aluno também não deve ser submetido à humilhação pública, como era a prática no passado. Concordo plenamente com esta nova concepção e acredito que as determinações legais devem ser seguidas, e que a punição física ou através de humilhação são inaceitáveis. Mas por outro lado, com um grande direito deve sempre vir uma grande responsabilidade. Em outras palavras, os alunos agora têm sobre si próprios a responsabilidade de se comportarem adequadamente no ambiente de estudo. Eles devem ter a consciência de que precisam contribuir com o professor para que este possa transmitir-lhes, ou numa visão mais construtivista, compartilhar com eles o saber. No entanto, estudantes em geral não vêm demonstrando possuir este grau de maturidade. De fato, estudantes de todas as faixas etárias têm se mostrado muito inquietos, falantes à toda hora, desrespeitosos e, por vezes, até violentos. Neste contexto, fica realmente difícil para professor alcançar seu objetivo de levar ao aluno um ensino de qualidade, de forma instigante e motivadora.
Como vimos, atribuir-se aos professores a culpa pela situação precária do ensino não é apenas uma atitude injusta, mas também utópica. Escolas sem recursos materiais, sem material didático, sem recursos tecnológicos que possam servir de incentivo para os alunos, presas a um sistema tradicional do tipo quadro e giz, não podem exigir que os professores façam milagres e se transformem em construtivistas da noite para o dia. Mesmo porque, pra se construir alguma coisa, é necessário termos as peças. Apesar disto, sabemos que cruzar os braços não é a melhor solução, e nem pretendo isentar os professores de sua parcela de culpa pela situação da educação no país, mas sei por experiência própria que, nas escolas públicas principalmente, vem se buscando novas formas de oferecer aos estudantes um ensino de qualidade, apesar da escassez de recursos que é a realidade deste contexto.
De uma forma geral, podemos concluir que a autora do texto ora analisado aponta para importantes necessidades da educação de hoje, que precisa mudar paradigmas e abandonar a forma tradicional de ensino, o que ela sugere, pode ser alcançado através da formação continuada de professores. Por outro lado, a autora parece fechar os olhos para outros fatores limitadores das ações dos professores e das instituições de ensino, que por vezes dificultam a implantação desta nova forma de ensinar e aprender, bem como a adoção de novas formas de tecnologias no contexto educacional.

Referências:
SANTOS, Delia. A Aprendizagem Na Era Das Inovações Tecnológicas: Uma Discussão Necessária.

CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet. Jorge Zahar (2001).
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. Paz e Terra. (1999).
Parâmetros Curriculares Nacionais.











RELATO PESSOAL

Atuo com educador na escola pública e tenho sido constantemente desafiado em meu ofício. Embora tenha procurado me preparar intensivamente durante meu processo de formação, com a aquisição de fluência na língua inglesa – objeto de meu trabalho – e da participação em experiência de ensino no exterior (USA), além de possuir habilidades em música, artes e outros campos do conhecimento, por vezes sinto me impotente frente à realidade de uma escola pública, onde os alunos são indisciplinados, embora muito inteligente e capazes, e não permitem que o professor realize as atividades a que se propõe.
Compreendo que uma mudança em meu próprio modo de entender o ensino se faça necessária. Acredito ainda estar, de certa forma, preso a certos padrões tradicionais e conservadores que já deveriam estar ultrapassados. Em outras palavras, sinto uma grande diferença entre a teoria e a prática. Vejo que as “fórmulas” aprendidas na universidade nem sempre funcionam em um contexto real e que, quase sempre, precisamos reinventar a roda, redescobrir as formas de ensinar e aprender. A meu ver a universidade nos educa para uma contexto “ideal” de ensino, onde os alunos, teoricamente, são participativos e cooperadores e as escolas são modernas e bem estruturadas, além de não terem nenhum problema de falta de material didático.
É necessário estar em constante atualização, e por isto busco constantemente o aprimoramento pessoal, através da universidade e através de outros meios, como a Internet e a leitura de livros. Sempre fui adepto ao uso das tecnologias e procuro sempre utiliza-las na medida do possível em minhas aulas. Porém, em meu contexto de trabalho atual, tais recursos são inexistentes.
O intercâmbio internacional me deu a oportunidade de conhecer outras culturas e saber de perto o que outros povos pensavam de mim, enquanto brasileiro. Pude também conversar com outras pessoas e saber que o sofrimento e as dificuldades financeiras não são privilégio deste ou daquele povo, mas que estão presentes em todos os cantos do mundo. Também tive a oportunidade de abrir os olhos para o fato de que todos podem ser vencedores se realmente se dispõem a vencer. Hoje valorizo muito mais o meu país e tenho muito mais orgulho de ser brasileiro do que poderia ter se nunca tivesse participado desta experiência.
Quanto ao curso de pós-grduação, uma das principais razões que me levaram a buscá-lo foi o fato de perceber que necessitava de algo mais para poder oferecer aos meus alunos. Vi que o fato de alguém possuir conhecimento e/ou talento não significa que esta pessoa seja um bom professor. É preciso algo mais. Assim, vi na pós-graduação uma oportunidade para começar minha busca deste algo mais, além de ter a oportunidade de trocar idéias com outros colegas e com outros profissionais de áreas diferentes, mas cuja experiência muito pode me ajudar em meu próprio crescimento. Alem disso, creio que seja necessário que a educação seja um processo constante, e que não deve parar em um curso de graduação, ou mesmo em um doutorado. Certamente tenho muito para aprender e crescer e acredito que através da pesquisa e do estudo constantes, além da prática do ensinar, chegarei a algum lugar neste laborioso processo do ensinar a aprender e do aprender a ensinar. Crescer para poder oferecer algo aos outros, esta é a minha concepção de professor. Uma pessoa vazia, nada tem a oferecer senão o vazio.
Concluindo, acredito que o sucesso de um sistema educacional não depende de ações isoladas de um ou outro profissional, mas depende de ações conjuntas de todos nós para a realização de nossos objetivos comuns. Uma educação melhor, com tecnologia ao alcance de todos é possível, mas depende do trabalho e do empenho de todos.

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