terça-feira, 21 de agosto de 2007

Reações às Leituras

Ao ler os textos que compõem este espaço, compartilhei das opiniões em alguns momentos, mas noutros não. Compartilho da preocupação com a educação como talvez o maior bem para a transformação pessoal e social. Compartilho com a importância da escola pública para qualquer sociedade, porém, principalmente a brasileira pela realidade ainda precária para a maioria da população ao acesso a bens culturais. Compartilho da preocupação com a transformação da escola em espaço de reflexão para crescimento pessoal e social, no qual a relevância tome o espaço de práticas ultrapassadas, tais como a trasmissão de um conhecimento de dimensão conteúdista que mantém a certeza como princípio (resposta certa ou errada) e não abre o espaço para os questionamentos ou a dúvida (presentes no momento de escolha que precede a decisão). Compartilho da importância deste espaço de reflexão.

Entretanto, discordo em duas questões.

Primeiramente, a distância entre teoria e prática como um problema, pois considero que a Universidade deve preparar para o ideal sim, pois é esse o espaço das possibilidades. Acredito que uma relação mais próxima entre teoria e prática depende da sabedoria como cada um transformará a teoria em prática. Isso decorre da experiência, para a qual ninguèm está preparado, pois ela é unica a cada momento e depende de quem a vivencia. A falha da Universidade talvez esteja na ausência de uma reflexão sobre experiências em sala de aula, área que já está sendo contemplada na grade curricular.

Em segundo lugar, discordo da proposição de que a mudança passa pela ação coletiva. Depois de ter participado por mais de dez anos de movimentos coletivos em uma associação de classe - fui presidente de uma associação docente após anos de 'militância', justifico minho posição com muita segurança, pois vivenciei que os espaçõs coletivos são espaço para que poucos emprestem sua voz a aqueles que se mantêm em seus espaços de inação dando ao outro o poder da ação. Isso faz com que aqueles que tomam esses lugares se considerem poderosos e passem agir desligados daqueles que lhe outorgaram poder. Tornam-se assim lideres de si mesmos sem qualquer relação com seus liderados, que se sentem frustrados e desacreditados de seus líderes. Tal como acontece na política, ao daremos o poder a outro, nos omitimos e nos encontramos impotentes frente aos abusos daqueles que agora se acham donos da verdade.

Assim, sou pela ação individual, pois "quem salva a vida de um ser humano, salva a humanidade", disse alguém do qual não me recordo o nome. É a partir de cada um de nós que a mudança deixa de ser uma utopia para ser a relidade. Não creio que o professor deva se sentir com a responsabilidade de mudar a educação, mas ele deve sim trabalhar para tranformar a sua sala de aula, pois fazendo isso ele muda a sua vida, a sua sala de aula e, eventualmente, o mundo.
Há inúmeros exemplos disso na história - pessoas que deram sua vida por ideiais que se transformaram em realidade com o passar dos anos; tal como o ideal de liberdade de Tiradentes se concretizou.

Acredito que o professor deve fazer o que estiver dentro das suas possibilidades, pois devemos doar aquilo que nos sobra, não o que não temos. Mas, ao termos possibilidades, não podemos nos omitir, protegendo-nos com as desculpas das condições desfavoráveis. As condições nunca serão favoráveis, pois vivemos num mundo de imperfeições à busca da perfeição. Mas, se o que vivemos depende de como vemos a nossa realidade, para transformá-la basta dar aquele passo na direção da crença de que podemos criar a realidade que vivemos. Ao fazermos isso, vivenciamos conceitos da física quântica, aproximando teoria e prática em nossa experiência cotidiana e, assim, manifestamos nossa sabedoria.

Isso nos deixa mais satisfeitos, pois não temos o impossível como meta, mas sim o possível na busca desse ideal que deve orientar sempre a nossa ação. Se acreditarmos nisso e agirmos em consonância com essas crenças, outros também acreditarão e a mudança poderá vir a ser de uma coletividade de iniciativas pessoais.

Um comentário:

Textos Motivacionais disse...

A autora deste texto é uma das maiores profissionais em educação que eu conheço, e certamente uma das melhores do país, não só em sua área específica, como também no âmbito geral.
Laura Miccoli é sem dúvida uma grande educadora e pesquisadora, bem como autora de livros e artigos importantes.
Renato Frossard