segunda-feira, 26 de junho de 2023

Carta a Um Flautista

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CARTA A UM FLAUTISTA

Otaner Drassorf

otanerdrassorf@gmail.com



LONG RIVER, 26 de JUNHO, 2023


Ao Brilhante Flautista Jamie 


Caro amigo Jamie,


Tenho pensado muito, nos últimos dias, na minha trajetória como músico, nos erros e acertos que cometi, nos mitos e inverdades nos quais acreditei, e em coisas desnecessárias que me causaram tanta dor e sofrimento. Por isso, pensando em evitar que essas coisas atrapalhem sua arte, e também como uma forma de compartilhar a minha experiência, resolvi escrever-lhe para aconselhar você a não cometer os mesmos erros que sempre acabam gerando os mesmos resultados. 


Quando resolvi me iniciar na flauta transversa, foi a união da oportunidade e do desejo de realizar um sonho.  Havia acabado de ingressar em uma igreja cristã que valorizava muito a música de louvor. Logo que vi a oportunidade, comecei a me envolver em tudo que se relacionava ao ministério da música: canto coral, grupo vocal, quarteto, solos. Um dia, vi um amigo com uma flauta transversal e fiquei encantado. Eu já tocava flauta doce, e fiquei super interessado em conhecer mais sobre o  instrumento. Adquiri uma flauta usada com este amigo e comecei imediatamente  meu aprendizado. Era uma flauta simples, de marca nacional, mas mesmo assim, fiquei super empolgado de poder, finalmente, realizar o meu sonho de ser um flautista. Eu tinha 23 anos.


Mas, uma coisa era tocar hinos cristãos e peças fáceis com o uso de partitura, reproduzindo as notas e ritmos de peças conhecidas. Durante um tempo, eu estive satisfeito com isso, e pensava que as peças de concerto e a música erudita para instrumentos estava muito além de meus humildes anseios  musicais. Eu nunca tinha ouvido falar em Taffanel and Gaubert ou em Moyse. Nunca havia ouvido falar em Hames Galway ou Pierre Rampal. Eu era apenas um flautista leigo, sem grandes pretensões. 


Porém, à medida que fui me aprofundando no estudo da música, tornou-se impossível ficar alheio a toda essa imensidão que compõe o mundo musical. Tornei-me consciente da grande variedade de instrumentos, da infinitude da obra musical, tanto dos grandes compositores, quanto da música popular e da música folclórica (e isto apenas me referindo àquilo de que temos registros). Fui desvendando o conhecimento científico musical, conhecendo regras, normas, convenções e tratados. Fui aos poucos entrando no mundo da erudição musical.


Talvez você não entenda o que uma pessoa pobre e humilde, a quem a vida negou todas as oportunidades, pensa quando vislumbra a possibilidade de cursar o ensino superior. A pessoa se enche de esperança, seus olhos brilham e se enchem de alegria. Ela pensa que finalmente chegou a sua vez de conquistar o seu espaço na sociedade e sair da pobreza. E era exatamente assim que eu me sentia quando decidi concluir o ensino médio, para tentar o vestibular da TURNER. 


O processo seletivo começava com o programa de isenção da taxa do vestibular. O candidato precisava levantar todos os documentos comprobatórios da carência, postar via correios e aguardar o resultado final ser publicado no site da universidade. Uma vez aprovado nesta etapa, poderia fazer a inscrição no exame vestibular. Caso contrário, teria que arcar com o valor da taxa de inscrição. Eu consegui a isenção, mas como era sabático, tive que arcar com uma outra taxa de igual valor para poder fazer o teste, ficando elas por elas. Após meses de provas e ansiedade, medo, dúvida, stress, soube da aprovação e pude, enfim, comemorar minha entrada para a universidade.


Minha primeira faculdade foi Letras, Licenciatura em Inglês. Nessa época eu já sonhava em estudar música, mas sabia do abismo que separava o meu conhecimento musical, do nível exigido para entrada no curso de música. Eu também adora a inglês, então, vi uma oportunidade de carreira no curso de letras. Depois que me formei e já estava trabalhando, me formei também como professor de português. Mas, como a vida dá mil voltas, acabei prestando um concurso público para técnico na TURNER, onde fui designado para a secretaria da faculdade de música dali. 


Passei a conviver com músicos de alto nível. Instrumentistas, professores, terapeutas, pesquisadores. Todos esses alunos convivendo no mesmo espaço físico. Esta convivência me levou a pensar que talvez fosse possível para mim, se eu me preparasse bem, concorrer a uma vaga no curso superior de música. Mas isto ficou muito tempo parado no mundo das ideias e sonhos esquecidos. Até que a TURNER passou a oferecer vagas para o curso de música popular. Decidi passar mais  uma vez pela sabatina e me inscrever, usando a voz como instrumento, ao invés da flauta. Com muita preparação, esforço, esperança e um pouco de ingenuidade, passei por todas as etapas do certame e fui aprovado no vestibular para "canto popular". Nunca fiquei tão maravilhado com uma conquista antes disso. Foi realmente maravilhoso poder iniciar o curso dos meus sonhos.

  

 Depois de efetivar a minha matrícula, fui informar-me a respeito de outras possibilidades de complementar meu currículo, pois já tinha a intenção de estudar flauta paralelamente ao canto. Soube de algumas disciplinas que podia cursar e também que poderia ter aulas junto com os alunos de flauta da música popular. Fui pegando tudo que era permitido. Também adotei uma rotina de estudo individual diária. Mas eu ainda não tinha a real noção de onde eu estava me metendo. 


Eu tentei fazer algo, talvez por ingenuidade ou desinformação, que foi tentar chegar ao nível de performance de grandes flautistas. Eu me esforçava demais, pensando que executar diariamente jogos e divertimentos, fosse o suficiente para levar um instrumentista leigo à profissionalização. O grau de stress a que isso me submeteu foi extremamente pesado e, após um tempo, me paralisou. Comecei a oscilar entre a teimosia e a frustração, mas não desisti de me tornar um flautista.


É muito difícil para um músico em amadurecimento entender o objetivo dos métodos de flauta e das escolas de virtuosismo. Quer se tornar um virtuoso? Corra destes métodos. Este seria, hoje, o meu conselho para o meu eu do passado. Os grandes mestres da flauta deixaram um vasto material de estudo, mas o seu uso deve ser feito de maneira gradativa e moderada. Não morda mais do que você possa mastigar. Este seria o princípio básico para o estudo de qualquer instrumento.


Por outro lado, apesar de meus erros, ainda nesta etapa do curso, lá pelo segundo ano, eu já era capaz de tocar muito melhor do que eu jamais imaginara conseguir na vida. Eu tocava Bach, Mozart, Debussy, Massenet, Elgar, Chopin, e Schubert. Para mim, isso era um verdadeiro milagre, e eu estava maravilhado. Mas eu havia me esquecido que estava em uma faculdade de música e de como este era um ambiente competitivo. Não tardaram a vir as críticas e zombarias contra mim. Eu ouvia as pessoas dizerem que eu "tocava tudo errado", que não sabia ler os ritmos, que o som de minha flauta não era bom o suficiente. Não posso esquecer de mencionar que havia investido uma grande soma em um instrumento para realizar meus estudos, pois as flautas que eu tivera antes não eram boas o suficiente para o nível de alta performance. Mesmo assim, para essas pessoas, eu não era bom o suficiente. Mas também não me faltava coragem, ousadia e indignação para enfrentar tudo isso. 


Mas que preço a pagar para tornar-se um instrumentista era esse? Será mesmo possível tornar-se um músico assim, em meio ao sofrimento, a ansiedade e a angústia? Hoje, vejo isso como loucura. Para aprender, a pessoa precisa de paz. Precisa de tranquilidade e de espaço para errar à vontade, sem ser repreendida por isso. O estudante precisa de tempo para entender o que quer, o que precisa fazer e aonde quer chegar. Precisará fazer muitas renúncias e escolhas, precisará comprometer-se com o seu aprendizado e entender que tipo de músico ele será.


Depois de muito sofrer e de entender muita coisa, entendi que a música é vasta o suficiente para abraçar a todos. Há os que a canção de Jobim chama de "privilegiados" e há músicos comuns. A música de concerto já era difícil de ser executada na época em que as composições foram feitas. Hoje em dia, sem a ajuda da tradição e o apoio da popularização, poucos são os que têm coragem de se aventurar numa carreira musical erudita. Mas, para aqueles que já são grandes prodígios, que ocupam o lugar de destaque à frente das orquestras sinfônicas, ou que um dia irão ocupá-lo, meu conselho é: cuidem de sua saúde. Cuidem do corpo e da mente. Façam exercícios físicos, descansem, se alimentem bem, tenham um acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Caso contrário, sua carreira, sua arte, tudo aquilo pelo qual lutaram, pode estar ameaçado.


Você, meu amigo, é um concertista, um solista excepcional. Você é capaz de executar, com perfeição, peças de grande complexidade e velocidade. Você deixa todos encantados com a beleza e a maestria de suas interpretações. Eu nunca pretendi nem pretendo alcançar o grau de performance artística que você tem. Eu adoraria ser capaz de fazer o que você faz, mas hoje eu entendo que não preciso. Contento-me em ser um artista da expressão e um pesquisador da música e da história da arte. 


Mas, sim, eu passei pelo laboratório para me colocar sob esse imenso stress e saber o que acontece. Para saber que não adianta nos esforçarmos muito além do que somos capazes. Não é o muito estudo que fará um músico, mas o método, o critério, a proporcionalidade, a sabedoria e a regularidade que farão a pessoa progredir na sua prática. Um flautista que almeja grandes saltos, deve começar com pequenos pulos. 


Então, hoje, após passar por tudo isso,  posso te aconselhar a ficar sempre atento para os momentos de maior pressão e dificuldade, para que você se dê o tempo necessário. Faça do seu terapeuta seu companheiro diário, e nunca se exceda além do seu limite. Caso contrário, chegará um ponto em que você poderá travar e atrapalhar essa trajetória tão linda. Observe a si mesmo, quando você estiver se sentindo ansioso sem saber por que, ou quando algo estiver te incomodando e tirando sua paz. Também não deixe que o excesso de perfeccionismo te impeça de avançar, nem ligue demasiadamente para críticas. Sempre que necessário, se dê um tempo sem pegar no seu instrumento. 


Enfim, sempre que você estiver no topo da montanha, depois que terminar sua demonstração, pare um pouco para observar a vista. Você é como a águia, a rainha dos céus. Mas até as águias  precisam descansar.  Lembre-se, você vai voar alto. Mas quando estiver lá em cima, aproveite o vento, relaxe, e descanse. Planar, às vezes, é bom.


You Nailed It!


Otaner Drassorf

sábado, 24 de junho de 2023

The Flute Examination

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The Flute Examination
Otaner Drassorf
otanerdrassorf@gmail.com

When I went to music college I was very excited. It was a dream come true, because I had been longing to study highclass music since I was a small kid, in my home town, "Long Stream". It is a small city circled by hills and crossed by a long river that provides water for the whole town. Economy is held mostly by commercial and industrial activities and most of its citizens work on them. Although the city has enough elementary and secondary schools for all its children and teens to study, there's a lack of colleges and universities in town and in the nearby cities. 
Therefore, when I completed 23, I was in a dilema about which way I should follow or which career to take, if any, at all, should be available. All of my attempts to find a job or occupation had been frustrated and I had not even finished highschool succesfuly. I was facing a wall and could see no way out. Then, I decided to leave my hometown and move to the capital, to try and find myself some kind of employment. College was not actually in my plans in that occasion, but to stay in the city with no perspective of a future, was not an option. 

So, I took all the pennies I had and took a train towards the capital. A friend was expecting for me there, and he was going to help me get aquainted and give-me a shelter, so I could have an easier start. I found a humble job in a fast-food company and began to work and to make some money. But, after 4 years working there, I got fired and had a hard time finding another job. Most of the job offers would shock with my religious costumes or require higher education than I had at the moment. I had no choice but to retake my studies to obtain an university degree. But, first, I had to join a steno pool to finish highschool. Then, I sat an exam to enter the public university in the capital. I graduated as a licensed teacher of English as a Second Language and began to work as a public school teacher just after that. 

Later, I went back to the same university where I had studied, to work as a technician and, then, I could get back to think about taking in my passion for music and try another major in college. I decided to try out the entrance examination for popular music, as a singer and flutist. I had been singing since I was a young child, therefore, this was the instrument I chose for my presentations during the exam. After I started the course, however, I began to study both voice and flute, altogether. 

I don't know what I was thinking when I took this decision to study both instruments at the same time. I think I took it for granted that it would be easy to play music of great complexity and at a fast tempo. But this was not what I found out later. Besides that, just after I began my new major, I was knocked off my feet by bad  news that blacked out my vision and dismayed my heart. My head was a confusion of thoughts and  my emotions were in a frenzy. I didn't know if I should stay or if I should go. My dream of studying music was in check. But, at that moment, I kept on doing my  activities in a robotic manner, not really being able to evaluate my situation. I just kept moving forward and, then, decided not to give it all up. It was not easy, nonetneless, because depression came aggressivily striking  me with no mercy. 

But as the days, months and years went by, I improved from depression and managed to handle my course activities in spite of all my doubts, fears and anxieties. But the ghost of that problem from the begining was still there and kept my thoughts coming and going from college tasks to personal issues.

I had been having a peak of anxiety during the days that preceaded the flute examination of the end of the therm. I was not required to sit the exam, but the examiners would accept to watch me play and give me feedback. Although I was really stage frightened those days, I thought that it was an opportunity to face my fears and gain some recognition. I was really anxious, though. In fact, I was nearly having a fit.

I had prepared a movement of Mozart's Flute and Harp Concerto in C Major, Andante. I played it as a solo piece, since it was not easy to get a pianist to accompany me. When time came I tried to hold my anxiety and took my place on the stage to play. I breathed deeply and started my performance. But, strangely, in that exact moment a drums band began to play or to rehearse below the conference room where the flute examination was being held, disturbing and disrupting my presentation. But, now, I had already started to play and could not stop anymore. I was already nervous and that only made my life worse. 

I continued playing all through the music trying to keep myself calm. The drums kept disturbing all along my performance. But I managed to play it smoothly and fine untill the end, not making any major error. At the end of the exam I heard the professors feedback about my playing and their critics was good. I felt relieved after the test was finished and left the room with a smile. But, that day, I had a strong sensation that there was a strong move of opposition towards me. Why would a drum  and play beneath and at the same time a flute contest was going on? I am not sure but, if I remember, the same did not happen with the other students. That was one of the moments I was more certain that people were acting prejudiciously and showing all their hatred and dispise against me. I was sad, I was angry, but, at the same time, I was felling victorious. 

I graduated from my music major a few years later. I still play flute nowadays, but I no longer have to do it under pressure. I am still learning, but I have made much progress. The world is full of intolerants. They're selfish and stupid people who think they have more rights than others. But this is not true. They are not better than anyone and should respect the rights of everyone, as they like to be respected by others. Music and hatred are two opposed things. Music should not be used as a weapon. Music should only be used to refresh the hearts of all people in the world. Let music be music, let peace reign through it.

MADURO

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MADURO

Otaner Drassorf

otanerdrassorf@gmail.com



Eu estava muito inseguro naqueles dias e não me lembrava muito bem de quem eu era. Dadas as circunstâncias em que eu estava vivendo, tinha a sensação de que eu devia agradar a todos e a todas. Adotei um comportamento um pouco robótico e, mesmo com aquelas pessoas mais chegadas, sentia uma estranha desconfiança de que elas não eram totalmente sinceras. Eu ouvia conversas depreciativas a meu respeito, podia identificar seus participantes pelo tom de voz, mas  não os via diretamente. Como eu não pudesse acusar diretamente meus algozes, ou talvez porque eu me recusasse a acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, quando os via pessoalmente, tratava-os com a mesma urbanidade e cordialidade costumeiras, mas, no fundo, sentia-me idiota e traído.


Quando uma dessas pessoas pediu transferência de local de trabalho, pois recusava-se a trabalhar no mesmo ambiente em que trabalhasse "alguém como eu", houve a liberação da vaga na qual você entrou. Ainda meio que no automático, quis fazer a política da boa vizinhança e fui cumprimentá-lo com cordialidade, um pouco forçada, mas sincera. No entanto, ao fazer isso, fui respondido com um largo sorriso e uma sincera atitude de cooperação. Achei-o um homem muito bonito e também reparei nos belos olhos verdes, é claro. Ainda sem saber muita coisa sobre o belo homem cujo nome fazia referência ideográfica ao do antigo funcionário, senti que podia me aproximar de você e tentar estabelecer uma relação de amizade. Eu andava muito "espiritual" naqueles dias, e realmente quis acreditar que Deus havia enviado alguém para me auxiliar naqueles tempos difíceis e incertos.


Nossa amizade se desenvolveu muito rápido. Depois de descartar minhas tolas esperanças de que você fosse gay, pude saber mais a respeito do homem que você é. Soube que você era um tradicional pai de família e um marido zeloso de seu lar, família e filhos. Se por um lado foi um balde de água fria, por outro, senti-me honrado em poder ter contato com alguém assim, um homem cristão cujos filhos são o seu bem mais precioso e a força que o move a cada dia em que enfrenta uma dura jornada de trabalhos e tarefas. Além do mais, eu não acreditava realmente na outra possibilidade e, por isso, não havia dado asas à minha imaginação, o que evitou que eu cometesse alguma gafe. 


Com o passar dos dias e meses, nossa amizade foi se fortalecendo e eu me vi conversando com você por bons e agradáveis minutos. Em muitas dessas ocasiões, incluíamos outros amigos na conversa. Isso também me ajudou a me aproximar de mais pessoas, como se você agisse como mediador. Eu também me esforcei para que eu melhorasse meu relacionamento interpessoal com os outros colegas de trabalho e a sua presença no setor tornou tudo mais fácil, pois você é uma pessoa agregadora. Assim como as formigas que você me ajudou a conhecer melhor, você me ajudou a ter um melhor entendimento sobre a vida em sociedade.


Não demorou muito para que eu me sentisse confiante o suficiente para me abrir com você a respeito de problemas graves que eu enfrentava no ambiente institucional. Contei a você como o preconceito e o desrespeito de alguns colegas, superiores, professores e até mesmo de alunos vinham tornando a minha existência praticamente impossível. Me abri a respeito da depressão, da ansiedade e da perda de autoestima. Revelei detalhes íntimos e constrangedores de minha vida pessoal para que você entendesse como isso havia provocado nessas pessoas preconceituosas e cruéis uma forte reação de repúdio contra a minha pessoa e como isso me entristecia. No começo, usei e abusei da retórica, da paródia, das alegorias e ilustrações para não ir direto ao ponto que me causava tanta dor e constrangimento. Até que um dia encontrei coragem para falar abertamente sobre a real causa de toda aquela reação de repúdio e de pressão para que eu pedisse demissão de meu cargo ou abandonasse, simplesmente, o meu trabalho. Você foi super   compreensivo e amigo, o que só aumentou a minha certeza de que havia encontrado a pessoa certa com quem me abrir. 


Depois disso foram muitas e muitas conversas a respeito daquele assunto. Falávamos sobre possibilidades de enfrentamento, sobre formas de lidar com o problema, sobre como eu me sentia em relação a isso tudo. Mas mesmo com toda a ajuda que recebi de você, que conhecia o problema através de mim, como dos outros que sabiam por outras fontes, os ataques de ódio contra mim não cessaram. E eu ainda tinha que viver fingindo que estava tudo bem. Porém, nos últimos meses que antecederam a pandemia, estava realmente difícil continuar aguentando aquela situação. 


Durante a pandemia, comecei a sofrer pressão para abandonar meu apartamento na capital. Comuniquei o fato aos empregadores, pensando que receberia algum auxílio. Para a minha decepção fui tratado com frieza e insensibilidade. Mesmo depois que fui efetivamente posto na rua, a instituição continuou apática e distante, atendo-se a seguir protocolos de rotina, como se meu problema não requeresse mediação e ajuda humanitária. O diretor da unidade foi ríspido, negando todos os meus pedidos para retornar ao trabalho e me ameaçou, dizendo que se eu não fosse ao HELLTH, iria demitir-me. Nunca senti tanto desprezo por alguém como passei a sentir por este homem deste dia em diante. Pensei que ele era a vergonha de sua profissão, cujo objetivo é ajudar pessoas. Senti ódio e decepção, mas também senti-me impotente por  não poder me defender dessas pessoas da alta cúpula da colleggy que pareciam ter se unido todas em prol de minha destituição da minha cidadania e direitos civis. 


Assim, me vi forçado a procurar os médicos para descrever minha situação e para pedir a estes laudos que pudessem me defender dos ataques do diretor da Klux Music, do Inhuman Resources, dos professores da Klux, da Jezzabell, que havia me demitido do Kids Grace depois de me expor à humilhação - fui questionado pela contratada não concursada quando eu "desocuparia" a estação de trabalho e pressionado por ela para fazer isso o mais rápido possível - e depois, de me colocar em um setor que me deixava muito mais exposto a ataques de ódio. Também tive que me defender do professor  Luciffer, do Coldheart, do False Bolton, do Kaos Exotick, dos alunos da Klux School e de outras escolas,  e de diversas outras pessoas, que proferiam palavras de ódio e preconceito como "tem que tirar esse cara daqui"; "Ninguém quer ele aqui"; "finge que não sabe"; etc. Expliquei aos oficiais do HELLTH o que estava acontecendo e a situação em que eu estava: sem casa, sem acesso a internete, sem poder realizar trabalho remoto e que havia tido meu pedido de retorno ao trabalho presencial veementemente negado pelo Tyrannus Selfish. Eles me afastaram compulsoriamente e não me permitiram mais retornar ao trabalho. 


Passei a viver na insegurança. A College começou a zuar com meu pagamento, realizando descontos indevidos. Uma certa funcionária passou a fazer ações de repúdio e de afronta contra minha pessoa, bagunçando minhas férias para que o WAGE fizesse grandes descontos no meu pagamento e só me devolvesse meses depois, dificultando minha vida. Depois, essa mulher do cão passou a me enviar emails com o título duvidoso como "publicação de afastamento", "processo", "exoneração", etc. Quando eu clicava na mensagem, o título não era o que parecia, nem o teor da mensagem era relacionado a mim. Mas, aí eu já tinha ficado ansioso.  Até hoje essa pessoa continua a me enviar mensagens de email, muito embora eu tenha pedido para me excluírem da lista.     


Com o passar do tempo vivendo essa situação de dúvida fui me tornando desgostoso com a College e passando a sentir vergonha de ter meu nome associado à colleggy. Comecei  a tentar, de todas as formas oficiais, sair dessa situação injusta e cruel. Pedi aposentadoria mas foi negada. Pedi que me deixassem me tratar fora de Berckley View, mas foi negado. Começaram a zuar com minhas perícias, marcando datas falsas e locais errôneos, de forma que eu, depois de fazer um grande esforço para chegar na data e horário marcados, era informado de que era em outro lugar  e que a data ou alguma outra informação estava errada, ou que o oficial do ministério não pudera comparecer. Fiquei indignado e mostrei a eles um saco de remédios de que eu estava fazendo uso, eu que nunca fui uma pessoa de ficar tomando remédios. Eles foram extremamente cínicos e sustentaram sua posição arbitrária, mandando-me embora sem um parecer definitivo sobre minha situação. 


Fui morar numa pocilga no bairro Little Falls, porque estava muito ruim ficar dormindo no carro,  na rua, em bancos de praça. Tentei manter um treinamento físico em academia,  mas passei a ser estalqueado por pessoas que frequentavam esses locais, dificultando meus treinos e meu rendimento. Passei a sofrer de um estranho tipo de ansiedade, quando passei a notar que todas as pessoas que apareciam no meu caminho estavam alí de caso pensado, para me injuriar e muitas de fato estavam. Porém, logo essa sensação se tornou mórbida e assustadora, o que me fez evitar sair de casa a não ser quando era extremamente necessário. Mas nem dentro de casa eu tinha sossego: desligavam a força, cortavam a internet, faziam fumaça, barulhos, algazarras, etc. Criavam situações constrangedoras, coincidências com nomes de pessoas que tinham contato comigo, numa frequência incomum. Conectavam aparelhos deles no meu bluetooth, e começaram a criar dúvidas e estórias fantasiosas a respeito de minhas finanças e cartões de crédito e contas em bancos. Alegações de que eu estivesse casado com alguém começaram a ser ouvidas, os falsos amigos começaram a se manifestar com frequência, enquanto eu ia me distanciando dos verdadeiros. Também fui ficando endividado. Eu que sempre fora cuidadoso com minhas contas. Comecei a viver como um indigente e temi que, caso eu morresse, minha família talvez não ficasse sabendo e que o meu corpo se extraviasse. 


Depois, como se não bastasse o que já mencionei, veio a acusação de acumulação de cargos. Hora a única coisa que eu tenho acumulado são dívidas, problemas, dores e cicatrizes. Da última vez que estive com vocês eu já não tinha mais voltado ao outro emprego, e também não recebi salário. Não recebi meu contrato de trabalho oficial, e apenas me emitiam comprovante de pagamento fictício, com valor igual a zero, apenas para criar problemas para mim e para me destituir de meus direitos. Eu há havia questionado o órgão sobre a minha situação e o porque de eles não terem efetivado a posse e também não terem executado a demissão. Estaria o órgão também trabalhando contra mim, tentando fazer com que o outro órgão me deixasse destituído de quaisquer proventos?  Além disso, essa nomeação ocorreu num  momento em que minha fragilidade emocional e psicológica me impediam de julgar com clareza qual a melhor decisão a tomar. Nem sei ao certo se ela teve sequer validade legal. Além disso, se eles não formalizaram a demissão, que já ocorrera de fato, pois que a função não gera efeitos remuneratórios, não foi por força de lei?


Depois de muito tempo naquela situação, senti que meu tempo em Berckley View havia chegado ao fim e que não valia a pena dar a minha vida por uma instituição que havia me abandonado em nome  da intolerância e da irracionalidade. Tive que deixar para trás meus livros comprados ao longo de anos, cds preciosos e históricos, móveis, máquinas de lavar roupa, camas, colchões, fogões, refrigeradores. Tudo isso foi perdido. Fretei um veículo, juntei o que pude e me despedi da capital decidido, fosse o que houvesse, a preservar, ao menos, a minha vida. Assim, cá estou de volta à cidadezinha de onde saí trinta anos atrás cheio de sonhos e esperanças.  A College me matou no sentido social. Fez com que minha capacitação profissional se tornasse obsoleta e, estranhamente, agora está me caçando como a uma presa. Eu tenho evitado como posso os ataques  dela e tentado denunciar seus crimes. Mas já decidi não sofrer excessivamente por causa da destituição a que esse órgão me relegou, pois acredito na minha inocência.  Aos poucos, tenho conseguido mostrar à sociedade que eu fui vítima de um preconceito cruel e infundado. Por hora, tenho tentado manter as funções vitais em andamento e a mente equilibrada. Mas não tenho mais vida social, não tenho lazer, não tenho agenda. Não me dão emprego em lugar algum. Nem mesmo os amigos me dão oportunidade de trabalho e os "amigos de amigos" ignoram ou fazem piada de minhas tentativas de recomeçar. De forma que, se cumpridas, as ameaças de demissão da College apenas confirmarão a crudeza daqueles que detém o poder nessa instituição, e de sua total falta de humanidade. Tenho vivido para lutar contra as injustiças e para que essa colleggy não continue passando por inocente, ganhando prêmios, mas que, ao invés disso, tenha seus crimes expostos, apurados e que os responsáveis por estes atos  sejam punidos. Luto ainda!


         


quarta-feira, 21 de junho de 2023

Relato de Abandono Ao Servidor Público Federal, Renato Frossard Cardoso, SIAPE 11×××76, à Condição de Indigência, Desamparo e Desabrigo, pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Relato de Abandono do Servidor Público Federal, Renato Frossard Cardoso, SIAPE 11×××76, à Condição de Indigência, Desamparo e Desabrigo, pela Universidade Federal de Minas Gerais.


Otaner Drassorf

Otanerdrassorf@gmail.com


No ano de 2013, o servidor Renato Frossard realizou alguns exames médicos de rotina, às suas próprias custas, e em caráter privado, para checagem de sua saúde. Na ocasião, um exame atestou, erroneamente, que o servidor tinha AIDS. Porém, por insistência dos médicos de que não haveria como haver equívoco no exame, o servidor entrou num ciclo autodestrutivo de medo, depressão, autocondenação, ansiedade e desejo de morte. Procurou porém os serviços de saúde que o colocaram na fila para tratamento da doença. O servidor, que fora celibatário por 40 anos de sua vida, submeteu-se a extremo constrangimento e vexação, tendo que entrar em filas para a realização de consultas de AIDS, servir de cobaia para alunos de medicina, ser humilhado em laboratórios privados cujos funcionários gritavam em voz alta a sua suposta doença, enfrentar a impassibilidade dos médicos que não lhe apontavam outras possibilidades senão a aceitação do diagnóstico e diziam que o remédio era a única forma de evitar a morte, ter que entrar em filas de dispensação de remédios e em listas de aidéticos do ministério da saúde e de outras instituições. 


Tentando manter seu problema dentro da discrição e da privacidade, tanto no seu trabalho no âmbito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), como em seu curso universitário na Escola de Música da  mesma universidade, no qual ingressou através de vestibular regular, sem direito a cotas, o servidor foi confrontado pelo preconceito, a incompreensão e a falta de urbanidade e o desrespeito aos direitos humanos. Teve seu "problema" exposto e foi atacado e humilhado verbalmente, através de olhares, de preterimentos quanto a sua eleição a cargos de confiança, de demissões e de trocas de setor frequentes. O servidor teve sua vida pessoal e íntima exposta e perdeu a sua privacidade, tendo sua vida invadida por pessoas estranhas, os dados documentais, funcionais e bancários expostos, sofreu ameaças e foi expulso de sua casa, ficando em condição de desabrigo, pois a UFMG lhe negou qualquer auxílio, alegando não ter nenhuma responsabilidade em relação aos seus problemas de saúde, sua situação funcional e habitacional. Sofreu ameaças de demissão, foi coagido a solicitar a demissão, o que quase fez, por estar passando por sofrimento mental, e até hoje recebe ameaças da UFMG de demissão e destituição de proventos, apesar de o servidor estar em situação regular, pois foi afastado "oficialmente" pelo setor de atenção à saúde do servidor (DAST). Acusam o servidor de estar acumulando cargos públicos, o que NÃO é verdade, pois o servidor possui vínculo empregatício e recebe proventos apenas da UFMG.


Nos 2 últimos anos que antecedem este relato, o servidor Renato Frossard foi submetido a diversas situações vexatórias. Por exemplo, passou a ser seguido e ameaçado por grupos extremistas ligados a diversas linhas filosóficas, teve que se resignar a  viver em pocilgas, pois era onde estes grupos extremistas permitiam que ele alugasse, e ainda assim se viu forçado a se mudar diversas vezes. Foi perseguido por certas correntes religiosas e forçado a sair de sua própria religião. Foi ameaçado pelo então diretor da Escola de Música da UFMG, Sr. Tocantins Sampaio, de que seria demitido por abandono de emprego e de que seria processado administrativamente, embora o servidor RENATO FROSSARD tivesse enviado petição solicitando a invalidação de tal processo por vício e por não ter o servidor condições de saúde mental, nem acesso a advogado, para se defender em tal sabatina. Como fora forçosamente afastado do trabalho, primeiro por um ato autocrático do diretor da escola de  música, Sr. TOCANTINS SAMPAIO, e depois por real necessidade de cuidados em sua saúde mental e cardiológica, já que antes gozava de perfeita saúde, apesar da situação difícil a que estava submetido no trabalho, o servidor passou a viver em situação de exposição a pessoas interesseiras e exploradoras, agressivas, importunas e bisbilhoteiras  pois era forçado a permanecer longos períodos em casa, e eram kitinetes estilo pocilga e o número de moradores era muito grande. Foi obrigado a viver próximo a usuários de drogas e até de pessoas suspeitas de envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Teve sua correspondência violada, suas encomendas roubadas  e cartões bancários apropriados por ladrões. 


O servidor, exposto a esta situação, e endividado por constantes mudanças e perdas de móveis, eletrodomésticos, roupas e utensílios de cozinha, que precisavam ser readquiridos pois, quase sempre, essas mudanças eram em caráter de urgência, para a preservação da vida do servidor. Em todo esse tempo, apesar de todos os pedidos de ajuda e de todos os protestos apresentados por ele ao órgão, este se ateve a cumprir rotinas administrativas de emissão de licenças e "passar-bens". Também preocupou-se o órgão em enviar ameaças de demissão, ignorando toda e qualquer lei de proteção do servidor público, do aidético ou dos direitos humanos. 


A questão do endividamento foi outro aspecto que causou grande transtorno para o servidor, pois ele sempre teve suas contas e finanças  muito bem  organizadas, e nunca havia tido nenhum problema com os órgãos de proteção ao crédito. Depois de seu abandono pela UFMG, endividou-se e perdeu o controle, ficando com o crédito comprometido, pois foi cadastrado na SERASA e SPC. Essa situação é praticamente irreversível.


Nos últimos 6 meses o servidor apenas sobreviveu.  Não teve acesso a médicos, a remédios, a soro para hidratação, a água limpa, a saneamento básico, não tinha geladeira e não tinha acesso a área de lavanderia. O sr. FROSSARD tinha que pagar lavanderia, comprar comida, comprar remédios, pagar consultas de urgência do próprio bolso. Qualquer probleminha que surgia em sua saúde gerava preocupação excessiva e medo de morrer. Por fim, a permanência naquele local de moradia improvisada foi  ficando inviável e perigoso, pois o servidor FROSSARD já estava em situação de indigência e não tinha amigos nem familiares com quem pudesse contar, e não tinha mais pra onde ir. Um outro servidor da UFMG veio humilhar FROSSARD ao demonstrar que possuia um enorme edifício ao lado da pocilga em que o servidor se abrigava, e dizer que não estava disponível para locação. No entanto, o tal proprietário fazia sempre questão de aparecer na frente de Frossard, exibindo seu prédio de luxo. Por fim, não vendo mais perspectivas de religação ao seu posto de trabalho, como havia requerido, nem de sua liberação para a busca de tratamentos médicos em outro estado, Frossard decidiu deixar de lado a preocupação com uma possível perda de remuneração e optou por preservar sua vida, voltando para a sua cidade natal, da qual esteve distante por 30 anos, e praticamente não reconhecia. 


Agora, já na sua terra natal, tem recebido ameaças do órgão empregador, ameaças de demissão e destituição de cargo público, embora o servidor peça  ao órgão que o aposente, conforme ordenam as leis em vigor no Brasil, para pessoas na sua situação. Entretanto, Frossard tem considerado mais urgente preservar a vida e a saúde, tratando de alterações clínicas de pressão, glicose e transtornos mentais, e transtorno generalizado de ansiedade (burn out), todos provocados por anos de trabalho sob excessivo stress, medo, depressão e ansiedade. Frossard submete-se a um programa permanente de treinamento físico com o objetivo de manter saudáveis o corpo e a mente.  

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Perdoandos e Perdoados

Perdoandos e Perdoados
Renato Frossard
renatofrossard@gmail.com

Costumamos pensar que nossos parentes têm alguma obrigação para conosco, de prover algo para nossa subsistência ou de nos socorrer num momento de necessidade. Pensamos que, por serem nossos entes cosanguineos, eles têm a missão de nós ajudar em qualquer tempo e lugar. Mas será que é bem assim?

Quantas vezes você já foi egoísta para com um irmão ou alguém de sua família, negou um favor, afastou-se de sua convivência, foi rude, agrediu com palavras e até com atos? Será que a pessoa agredida ou preterida é obrigada a te tratar com carinho? Ora, amor incondicional somente Jesus demonstrou ao morrer na cruz por todos nós. Mas, se queremos ser amados, precisamos, antes, demonstrar amor. 

Há pais que abandonam seus filhos e os entregam a país adotivos. Daí, depois que a pessoa já é adulta e bem sucedida, às vezes até rica, reaparecem do nada, exigindo os direitos da paternidade. Eu acho isso de uma grande hipocrisia. Por outro lado, há filhos que são injustamente separados dos pais ao nascerem, sendo privados da convivência com sua família biológica. Passam a vida tentando encontrar os genitores e, quando os encontram, desfrutam de grande alegria.

Qual foi a última vez que você abraçou algum parente seu e disse a ele ou ela o quanto é importante para você? Quando foi a última vez que você fez algum deles se sentir especial? Se você nunca fez isso, então não se surpreenda se alguém lhe demonstra indiferença no seio familiar 

Mas há pessoas que não nos devem nada. Não são parentes (há alguns que são), não são cônjuges, e não têm compromisso algum com a gente. Mas elas são, muitas vezes, mais amáveis, mais amigas e humanas que nossos próprios familiares. Essas pessoas nos amam e nos ajudam gratuitamente, repartem seu pão, repartem seu amor que dedicam aos seus, nos abraçam e nos confortam em momentos de medo e dor. Os amigos, como os chamamos, são seres extraordinários. São anjos na terra. Quantas vezes é mais precioso o amor de um amigo, do que o amor de um amante?

Mas, os amigos também são humanos e frágeis, como nós. Eles também enfrentam problemas e dificuldades. Por isso, em algumas ocasiões em que enfrentamos tempestades, temos a impressão de que fomos abandonados. Mas você já se perguntou se seus amigos não estavam, eles mesmos, tentando encontrar um bote salva-vidas? Não é fácil ficar sozinho em momentos tristes da nossa vida, mas não podemos deixar que a dor nos deixe cegos para os problemas dos outros.

Olhe em sua volta. Veja quanta gente já te ajudou apenas no dia de hoje. O padeiro que fez seu pão, o cozinheiro que preparou sua refeição, o carteiro que trouxe sua correspondência, o sol que te acordou e o vento que te refrescou. Você nunca fica sozinho. Os amigos, aqueles mais chegados, nunca nos esquecem, mesmo que estejam distantes. Na estrada agora, ou no ar, alguém está se lembrando de você, com amor. Talvez até pense que você não se lembra mais dele. O verdadeiro amigo, nunca esquece. 

É por isso que, hoje, quero dizer aos meus amigos queridos o quanto os amo e o quanto sou grato a eles. Se a vida nos levou para cantos diferentes, talvez tenha sido a vontade de Deus. Mas saibam que jamais esquecerei de vocês. Quero guardar de vocês apenas a gratidão e as boas lembranças. Trocar as cobranças por votos de felicidades, e as mágoas por saudades. E não se esqueçam que podem contar comigo sempre que precisarem, e que ainda vamos nos reencontrar muitas vezes, aqui mesmo neste mundo, e um dia na eternidade. Para os que se sentem em dívida, estendo o perdão, para os que me culpam, peço desculpas. Que o amor, o bálsamo mais poderoso, possa curar as nossas feridas e nos reunir no amor de Jesus.

Caminhemos Ainda.