sábado, 24 de junho de 2023

MADURO

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MADURO

Otaner Drassorf

otanerdrassorf@gmail.com



Eu estava muito inseguro naqueles dias e não me lembrava muito bem de quem eu era. Dadas as circunstâncias em que eu estava vivendo, tinha a sensação de que eu devia agradar a todos e a todas. Adotei um comportamento um pouco robótico e, mesmo com aquelas pessoas mais chegadas, sentia uma estranha desconfiança de que elas não eram totalmente sinceras. Eu ouvia conversas depreciativas a meu respeito, podia identificar seus participantes pelo tom de voz, mas  não os via diretamente. Como eu não pudesse acusar diretamente meus algozes, ou talvez porque eu me recusasse a acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, quando os via pessoalmente, tratava-os com a mesma urbanidade e cordialidade costumeiras, mas, no fundo, sentia-me idiota e traído.


Quando uma dessas pessoas pediu transferência de local de trabalho, pois recusava-se a trabalhar no mesmo ambiente em que trabalhasse "alguém como eu", houve a liberação da vaga na qual você entrou. Ainda meio que no automático, quis fazer a política da boa vizinhança e fui cumprimentá-lo com cordialidade, um pouco forçada, mas sincera. No entanto, ao fazer isso, fui respondido com um largo sorriso e uma sincera atitude de cooperação. Achei-o um homem muito bonito e também reparei nos belos olhos verdes, é claro. Ainda sem saber muita coisa sobre o belo homem cujo nome fazia referência ideográfica ao do antigo funcionário, senti que podia me aproximar de você e tentar estabelecer uma relação de amizade. Eu andava muito "espiritual" naqueles dias, e realmente quis acreditar que Deus havia enviado alguém para me auxiliar naqueles tempos difíceis e incertos.


Nossa amizade se desenvolveu muito rápido. Depois de descartar minhas tolas esperanças de que você fosse gay, pude saber mais a respeito do homem que você é. Soube que você era um tradicional pai de família e um marido zeloso de seu lar, família e filhos. Se por um lado foi um balde de água fria, por outro, senti-me honrado em poder ter contato com alguém assim, um homem cristão cujos filhos são o seu bem mais precioso e a força que o move a cada dia em que enfrenta uma dura jornada de trabalhos e tarefas. Além do mais, eu não acreditava realmente na outra possibilidade e, por isso, não havia dado asas à minha imaginação, o que evitou que eu cometesse alguma gafe. 


Com o passar dos dias e meses, nossa amizade foi se fortalecendo e eu me vi conversando com você por bons e agradáveis minutos. Em muitas dessas ocasiões, incluíamos outros amigos na conversa. Isso também me ajudou a me aproximar de mais pessoas, como se você agisse como mediador. Eu também me esforcei para que eu melhorasse meu relacionamento interpessoal com os outros colegas de trabalho e a sua presença no setor tornou tudo mais fácil, pois você é uma pessoa agregadora. Assim como as formigas que você me ajudou a conhecer melhor, você me ajudou a ter um melhor entendimento sobre a vida em sociedade.


Não demorou muito para que eu me sentisse confiante o suficiente para me abrir com você a respeito de problemas graves que eu enfrentava no ambiente institucional. Contei a você como o preconceito e o desrespeito de alguns colegas, superiores, professores e até mesmo de alunos vinham tornando a minha existência praticamente impossível. Me abri a respeito da depressão, da ansiedade e da perda de autoestima. Revelei detalhes íntimos e constrangedores de minha vida pessoal para que você entendesse como isso havia provocado nessas pessoas preconceituosas e cruéis uma forte reação de repúdio contra a minha pessoa e como isso me entristecia. No começo, usei e abusei da retórica, da paródia, das alegorias e ilustrações para não ir direto ao ponto que me causava tanta dor e constrangimento. Até que um dia encontrei coragem para falar abertamente sobre a real causa de toda aquela reação de repúdio e de pressão para que eu pedisse demissão de meu cargo ou abandonasse, simplesmente, o meu trabalho. Você foi super   compreensivo e amigo, o que só aumentou a minha certeza de que havia encontrado a pessoa certa com quem me abrir. 


Depois disso foram muitas e muitas conversas a respeito daquele assunto. Falávamos sobre possibilidades de enfrentamento, sobre formas de lidar com o problema, sobre como eu me sentia em relação a isso tudo. Mas mesmo com toda a ajuda que recebi de você, que conhecia o problema através de mim, como dos outros que sabiam por outras fontes, os ataques de ódio contra mim não cessaram. E eu ainda tinha que viver fingindo que estava tudo bem. Porém, nos últimos meses que antecederam a pandemia, estava realmente difícil continuar aguentando aquela situação. 


Durante a pandemia, comecei a sofrer pressão para abandonar meu apartamento na capital. Comuniquei o fato aos empregadores, pensando que receberia algum auxílio. Para a minha decepção fui tratado com frieza e insensibilidade. Mesmo depois que fui efetivamente posto na rua, a instituição continuou apática e distante, atendo-se a seguir protocolos de rotina, como se meu problema não requeresse mediação e ajuda humanitária. O diretor da unidade foi ríspido, negando todos os meus pedidos para retornar ao trabalho e me ameaçou, dizendo que se eu não fosse ao HELLTH, iria demitir-me. Nunca senti tanto desprezo por alguém como passei a sentir por este homem deste dia em diante. Pensei que ele era a vergonha de sua profissão, cujo objetivo é ajudar pessoas. Senti ódio e decepção, mas também senti-me impotente por  não poder me defender dessas pessoas da alta cúpula da colleggy que pareciam ter se unido todas em prol de minha destituição da minha cidadania e direitos civis. 


Assim, me vi forçado a procurar os médicos para descrever minha situação e para pedir a estes laudos que pudessem me defender dos ataques do diretor da Klux Music, do Inhuman Resources, dos professores da Klux, da Jezzabell, que havia me demitido do Kids Grace depois de me expor à humilhação - fui questionado pela contratada não concursada quando eu "desocuparia" a estação de trabalho e pressionado por ela para fazer isso o mais rápido possível - e depois, de me colocar em um setor que me deixava muito mais exposto a ataques de ódio. Também tive que me defender do professor  Luciffer, do Coldheart, do False Bolton, do Kaos Exotick, dos alunos da Klux School e de outras escolas,  e de diversas outras pessoas, que proferiam palavras de ódio e preconceito como "tem que tirar esse cara daqui"; "Ninguém quer ele aqui"; "finge que não sabe"; etc. Expliquei aos oficiais do HELLTH o que estava acontecendo e a situação em que eu estava: sem casa, sem acesso a internete, sem poder realizar trabalho remoto e que havia tido meu pedido de retorno ao trabalho presencial veementemente negado pelo Tyrannus Selfish. Eles me afastaram compulsoriamente e não me permitiram mais retornar ao trabalho. 


Passei a viver na insegurança. A College começou a zuar com meu pagamento, realizando descontos indevidos. Uma certa funcionária passou a fazer ações de repúdio e de afronta contra minha pessoa, bagunçando minhas férias para que o WAGE fizesse grandes descontos no meu pagamento e só me devolvesse meses depois, dificultando minha vida. Depois, essa mulher do cão passou a me enviar emails com o título duvidoso como "publicação de afastamento", "processo", "exoneração", etc. Quando eu clicava na mensagem, o título não era o que parecia, nem o teor da mensagem era relacionado a mim. Mas, aí eu já tinha ficado ansioso.  Até hoje essa pessoa continua a me enviar mensagens de email, muito embora eu tenha pedido para me excluírem da lista.     


Com o passar do tempo vivendo essa situação de dúvida fui me tornando desgostoso com a College e passando a sentir vergonha de ter meu nome associado à colleggy. Comecei  a tentar, de todas as formas oficiais, sair dessa situação injusta e cruel. Pedi aposentadoria mas foi negada. Pedi que me deixassem me tratar fora de Berckley View, mas foi negado. Começaram a zuar com minhas perícias, marcando datas falsas e locais errôneos, de forma que eu, depois de fazer um grande esforço para chegar na data e horário marcados, era informado de que era em outro lugar  e que a data ou alguma outra informação estava errada, ou que o oficial do ministério não pudera comparecer. Fiquei indignado e mostrei a eles um saco de remédios de que eu estava fazendo uso, eu que nunca fui uma pessoa de ficar tomando remédios. Eles foram extremamente cínicos e sustentaram sua posição arbitrária, mandando-me embora sem um parecer definitivo sobre minha situação. 


Fui morar numa pocilga no bairro Little Falls, porque estava muito ruim ficar dormindo no carro,  na rua, em bancos de praça. Tentei manter um treinamento físico em academia,  mas passei a ser estalqueado por pessoas que frequentavam esses locais, dificultando meus treinos e meu rendimento. Passei a sofrer de um estranho tipo de ansiedade, quando passei a notar que todas as pessoas que apareciam no meu caminho estavam alí de caso pensado, para me injuriar e muitas de fato estavam. Porém, logo essa sensação se tornou mórbida e assustadora, o que me fez evitar sair de casa a não ser quando era extremamente necessário. Mas nem dentro de casa eu tinha sossego: desligavam a força, cortavam a internet, faziam fumaça, barulhos, algazarras, etc. Criavam situações constrangedoras, coincidências com nomes de pessoas que tinham contato comigo, numa frequência incomum. Conectavam aparelhos deles no meu bluetooth, e começaram a criar dúvidas e estórias fantasiosas a respeito de minhas finanças e cartões de crédito e contas em bancos. Alegações de que eu estivesse casado com alguém começaram a ser ouvidas, os falsos amigos começaram a se manifestar com frequência, enquanto eu ia me distanciando dos verdadeiros. Também fui ficando endividado. Eu que sempre fora cuidadoso com minhas contas. Comecei a viver como um indigente e temi que, caso eu morresse, minha família talvez não ficasse sabendo e que o meu corpo se extraviasse. 


Depois, como se não bastasse o que já mencionei, veio a acusação de acumulação de cargos. Hora a única coisa que eu tenho acumulado são dívidas, problemas, dores e cicatrizes. Da última vez que estive com vocês eu já não tinha mais voltado ao outro emprego, e também não recebi salário. Não recebi meu contrato de trabalho oficial, e apenas me emitiam comprovante de pagamento fictício, com valor igual a zero, apenas para criar problemas para mim e para me destituir de meus direitos. Eu há havia questionado o órgão sobre a minha situação e o porque de eles não terem efetivado a posse e também não terem executado a demissão. Estaria o órgão também trabalhando contra mim, tentando fazer com que o outro órgão me deixasse destituído de quaisquer proventos?  Além disso, essa nomeação ocorreu num  momento em que minha fragilidade emocional e psicológica me impediam de julgar com clareza qual a melhor decisão a tomar. Nem sei ao certo se ela teve sequer validade legal. Além disso, se eles não formalizaram a demissão, que já ocorrera de fato, pois que a função não gera efeitos remuneratórios, não foi por força de lei?


Depois de muito tempo naquela situação, senti que meu tempo em Berckley View havia chegado ao fim e que não valia a pena dar a minha vida por uma instituição que havia me abandonado em nome  da intolerância e da irracionalidade. Tive que deixar para trás meus livros comprados ao longo de anos, cds preciosos e históricos, móveis, máquinas de lavar roupa, camas, colchões, fogões, refrigeradores. Tudo isso foi perdido. Fretei um veículo, juntei o que pude e me despedi da capital decidido, fosse o que houvesse, a preservar, ao menos, a minha vida. Assim, cá estou de volta à cidadezinha de onde saí trinta anos atrás cheio de sonhos e esperanças.  A College me matou no sentido social. Fez com que minha capacitação profissional se tornasse obsoleta e, estranhamente, agora está me caçando como a uma presa. Eu tenho evitado como posso os ataques  dela e tentado denunciar seus crimes. Mas já decidi não sofrer excessivamente por causa da destituição a que esse órgão me relegou, pois acredito na minha inocência.  Aos poucos, tenho conseguido mostrar à sociedade que eu fui vítima de um preconceito cruel e infundado. Por hora, tenho tentado manter as funções vitais em andamento e a mente equilibrada. Mas não tenho mais vida social, não tenho lazer, não tenho agenda. Não me dão emprego em lugar algum. Nem mesmo os amigos me dão oportunidade de trabalho e os "amigos de amigos" ignoram ou fazem piada de minhas tentativas de recomeçar. De forma que, se cumpridas, as ameaças de demissão da College apenas confirmarão a crudeza daqueles que detém o poder nessa instituição, e de sua total falta de humanidade. Tenho vivido para lutar contra as injustiças e para que essa colleggy não continue passando por inocente, ganhando prêmios, mas que, ao invés disso, tenha seus crimes expostos, apurados e que os responsáveis por estes atos  sejam punidos. Luto ainda!


         


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