Renato Frossard
renatofrossard@gmail.com
Costumamos pensar que nossos parentes têm alguma obrigação para conosco, de prover algo para nossa subsistência ou de nos socorrer num momento de necessidade. Pensamos que, por serem nossos entes cosanguineos, eles têm a missão de nós ajudar em qualquer tempo e lugar. Mas será que é bem assim?
Quantas vezes você já foi egoísta para com um irmão ou alguém de sua família, negou um favor, afastou-se de sua convivência, foi rude, agrediu com palavras e até com atos? Será que a pessoa agredida ou preterida é obrigada a te tratar com carinho? Ora, amor incondicional somente Jesus demonstrou ao morrer na cruz por todos nós. Mas, se queremos ser amados, precisamos, antes, demonstrar amor.
Há pais que abandonam seus filhos e os entregam a país adotivos. Daí, depois que a pessoa já é adulta e bem sucedida, às vezes até rica, reaparecem do nada, exigindo os direitos da paternidade. Eu acho isso de uma grande hipocrisia. Por outro lado, há filhos que são injustamente separados dos pais ao nascerem, sendo privados da convivência com sua família biológica. Passam a vida tentando encontrar os genitores e, quando os encontram, desfrutam de grande alegria.
Qual foi a última vez que você abraçou algum parente seu e disse a ele ou ela o quanto é importante para você? Quando foi a última vez que você fez algum deles se sentir especial? Se você nunca fez isso, então não se surpreenda se alguém lhe demonstra indiferença no seio familiar
Mas há pessoas que não nos devem nada. Não são parentes (há alguns que são), não são cônjuges, e não têm compromisso algum com a gente. Mas elas são, muitas vezes, mais amáveis, mais amigas e humanas que nossos próprios familiares. Essas pessoas nos amam e nos ajudam gratuitamente, repartem seu pão, repartem seu amor que dedicam aos seus, nos abraçam e nos confortam em momentos de medo e dor. Os amigos, como os chamamos, são seres extraordinários. São anjos na terra. Quantas vezes é mais precioso o amor de um amigo, do que o amor de um amante?
Mas, os amigos também são humanos e frágeis, como nós. Eles também enfrentam problemas e dificuldades. Por isso, em algumas ocasiões em que enfrentamos tempestades, temos a impressão de que fomos abandonados. Mas você já se perguntou se seus amigos não estavam, eles mesmos, tentando encontrar um bote salva-vidas? Não é fácil ficar sozinho em momentos tristes da nossa vida, mas não podemos deixar que a dor nos deixe cegos para os problemas dos outros.
Olhe em sua volta. Veja quanta gente já te ajudou apenas no dia de hoje. O padeiro que fez seu pão, o cozinheiro que preparou sua refeição, o carteiro que trouxe sua correspondência, o sol que te acordou e o vento que te refrescou. Você nunca fica sozinho. Os amigos, aqueles mais chegados, nunca nos esquecem, mesmo que estejam distantes. Na estrada agora, ou no ar, alguém está se lembrando de você, com amor. Talvez até pense que você não se lembra mais dele. O verdadeiro amigo, nunca esquece.
É por isso que, hoje, quero dizer aos meus amigos queridos o quanto os amo e o quanto sou grato a eles. Se a vida nos levou para cantos diferentes, talvez tenha sido a vontade de Deus. Mas saibam que jamais esquecerei de vocês. Quero guardar de vocês apenas a gratidão e as boas lembranças. Trocar as cobranças por votos de felicidades, e as mágoas por saudades. E não se esqueçam que podem contar comigo sempre que precisarem, e que ainda vamos nos reencontrar muitas vezes, aqui mesmo neste mundo, e um dia na eternidade. Para os que se sentem em dívida, estendo o perdão, para os que me culpam, peço desculpas. Que o amor, o bálsamo mais poderoso, possa curar as nossas feridas e nos reunir no amor de Jesus.
Caminhemos Ainda.
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