quarta-feira, 10 de maio de 2023

Para Rita Lee

Para Rita Lee

Uma artista que esteve comigo desde a minha infância. Fez o maior auê na minha vida, foi a ovelha negra e me ensinou a ser uma, me escandalizou com a banheira de espuma e me fez rir com os jardins da Babilônia. Ela bailou comigo pelas estradas da vida e me prometeu que faria tudo por amor. Quando a coisa ficou difícil, pediu licença e saiu do sério, cansada que estava de tanto lero-lero. E bailou novamente. A Rita que eu amo, era única e inimitável. Quando ela se aposentou, ficou uma lacuna que ninguém preencheu. Mas eu não sabia de sua luta, pois até mesmo no sofrimento você foi brava, foi forte colosso, escolheu o silêncio da resiliência. Mas, enquanto você sofria, na minha luta pessoal, suas músicas eram um poderoso tônico que fortalecia. A irreverência de suas letras, muitas vezes, falou por mim e foi a minha voz nos momentos de maior dificuldade e sofrimento. Mas também cantei muitas vezes: Volta Rita! Volta Disgramada! Pois eu não imaginava que você esteve ali o tempo todo, lutando para permanecer com todos os que te amam. A notícia chegou assim, trazendo prazer nenhum, como um cantador que verseja ao longe. Não tomei banho de rio, não me penteie, calei apenas. E a vida ficou estranhamente sem graça. Mas o meu respeito e a sua honra foram tão maiores, que não ousei te criticar por nada, nem mesmo por morrer. Pois atribuo a você o mérito de uma vencedora, que em diversos momentos da história do Brasil e da música popular brasileira nos ensinou a usar as palavras com arte e com bom humor, com irreverência e sensualidade. Essa doença que te levou não te venceu, nem te vencerá jamais. Pode ter certeza que eu ainda vou dizer algo como: "que saco, não param de falar na Rita Lee", pois não pense que o mundo te esquecerá tão cedo. E como a gente dúvida até da fé, também podemos perguntar "What If?" não é mesmo? Então, quem sabe a gente não vai se encontrar de novo em algum lugar do universo? E, olha, desculpa o auê, meu bem. ❤️❤️❤️

Nenhum comentário: