quarta-feira, 31 de maio de 2023

A Academia Como Espaço Sociológico: Descrição de observação empírica do ambiente de uma academia de ginástica e seus frequentadores.

O ESPAÇO SOCIOLÓGICO DA ACADEMIA DE MUSCULAÇÃO
Autor: Renato Frossard

O espaço físico que escolhi para essa observação foi a academia de musculação.
Escolhi este espaço por tratar-se de um local em que vou regularmente para a prática de exercícios e no qual acabo tendo contato com pessoas de diferentes origens, níveis sociais, identidades de gênero e orientação sexual, crenças ou filosofias.

Nesse espaço físico, “habitam” pessoas que, na maioria das vezes, pouco sabem umasdas outras, pouco conhecem umas das outras. As pessoas apenas compartilham esse espaço
pela força da necessidade de praticarem atividades físicas em um ambiente adequado que,caso fosse feito de maneira individual, requereria destas pessoas um alto poder aquisitivo, o
que, na maioria das vezes, as pessoas não possuem. Assim, pessoas que são praticamenteestranhas umas às outras acabam aceitando esse contato umas com as outras, ainda que não
seja um contato de amizade ou, sequer, de coleguismo.

Algumas vezes, as pessoas na academia conseguem estabelecer laços de amizade umas
com as outras, quando existe receptividade de ambas as partes. Na maioria das vezes, porém, o contato, quando ocorre, se restringe ao contato visual ou a uma mera saudação como um oi
ou um simples menear de cabeça ou um sorriso. As pessoas pouco conversam nesses ambientes, pois estão focadas em realizar seus exercícios e, depois disso, irem embora.

Há, claro, exceções. Há grupos de pessoas que se encontram nas academias comopropósito não só de exercitar-se, mas também de interagir e criar vínculos de amizade. Há também os casais que frequentam esses locais juntos e ainda amigos que combinam de treinar no mesmo horário e local, afim de fazerem companhia um ao outro.

Em minhas observações, passei a perceber que muitos têm objetivos específicos, por exemplo, querem fortalecer uma parte específica do corpo. Já outras dão ênfase a um treinamento geral visando fortalecimento e saúde, enquanto outras visam mais a parte estética.
Há ainda pessoas que parecem estar perdidas, não sabendo exatamente o que querem fazer ou qual o tipo de exercício que querem para si.

Há momentos de excelentes trocas de ideias entre os atletas. Eu mesmo, tive a oportunidade de conhecer alguns desses indivíduos e conversar sobre assuntos ligados à filosofia, à espiritualidade, á educação física e outros assuntos. Estas trocas são preciosas poispermitem nos abrir ao outro e dão abertura ao outro para que se mostre a nós. Conheci L., por exemplo, com quem conversei sobre saúde, sobre fé e sobre a própria atividade física.

Conheci uma professora do ensino infantil que me relatou suas dificuldades no trabalho e sobre seu amor pela educação, e também conheci pessoas bonitas e atraentes com as quais
tive pouco mais do que um contato visual ou com as quais troquei algumas palavras. Enfim, apesar de na maioria das vezes o contato entre as pessoas da academia ser superficial, é possível que haja estreitamento e estabelecimento de vínculo de amizade, se houver tempo e se as pessoas se permitirem essa abertura, essa quebra de defesa.

Enfim, observei que, na academia, as pessoas estão ligadas por  um objetivo comum, o exercício físico. Mas também observo que eu não tenho como saber o que leva cada indivíduo a procurar um espaço como esses. A pessoa pode estar na academia por diversos fatores: por recomendação médica, por desejo pessoal de mudança, para socializar, para conhecer pessoas,
pensando em encontrar um parceiro sexual ou afetivo. Não é possível que eu preveja qual é o objetivo de cada pessoa, pois, individualmente, cada um é uma incógnita. Mas o que eu observei, também, é que eu não devo ficar devaneando sobre essas coisas, pois isso afetaria a minha própria saúde mental. O que eu posso e devo fazer é ater-me àquilo que eu tenho de informações sobre as pessoas que frequentam esse espaço físico. Por exemplo, se a pessoa treina na academia, eu posso supor que ele ou ela é um aluno ou um instrutor ou funcionário.

Se eu tiver oportunidade de conversar com a pessoa, posso perguntar seu nome. Se eu tiver um pouco mais de liberdade, posso perguntar onde a pessoa trabalha, estuda, se é casada ou solteira, se estuda e o que estuda, etc. Não penso que devamos ficar criando suposições sobre, por exemplo, se a pessoa tem interesse nisso ou naquilo, se está na academia com outro interesse que não seja treinar ou sobre qual é sua orientação sexual. Tentar ficar o mais livre de julgamentos possível, é a melhor forma de “estar” num ambiente dessa natureza.

Por fim, acredito que a academia é um ambiente exemplar de uma “microssociedade”, onde existem regras definidas, onde existem padrões e onde há uma certa ordem e limite de
ações que uma pessoa pode exercitar. Assim como na macro sociedade, é necessário que os limites de liberdade de cada indivíduo e do grupo como um todo seja respeitado, para que
todos possam conviver em harmonia e alcançar seus objetivos.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

O Verdadeiro Amor

O Verdadeiro Amor



Há amor? Se há amor, o que é que há com o amor?


Há quem garanta apenas ter amado uma única vez. Pessoas que se unem na juventude e passam a vida toda juntas. Não conheceram outros braços, senão os braços um do outro. Não se reconhecem fora deste relacionamento. Mas será que isto é mesmo amor? Pergunto isto porque muita gente permance junta por conveniência, mesmo quando não existe sentimento. 


Mas é claro, existem aqueles casais de causar inveja. Pessoas que parecem terem sido criadas uma para a outra e que vivem o amor de forma intensa e verdadeira durante toda a sua vida juntas. 


Mas há também quem ande pela vida e se apaixone diversas vezes por diferentes pessoas. Mesmo assim, não se realizam no amor. Há sempre algo atrapalhando. Um rival, a sociedade, a religião ou o preconceito. Sempre alguma coisa que atrapalha essa pessoa a lançar sua âncora ⚓. 


Mas, a julgar por minha experiência pessoal, penso que o amor verdadeiro, aquele que realmente marca, não morre nunca. Pode-se passar por diferentes e distantes lugares, pode-se namorar e relacionar com diferentes pessoas, mas aquele sentimento pelo ser amado nunca se apaga. Permanece vivo em algum lugar de nossa alma. E, se tivermos oportunidade de reencontrar esta pessoa, o amor se reaviva. 


Mas o amor verdadeiro também faz sacrifícios. Muitas vezes temos que escolher entre permanecer perto ou nos afastarmos, quando compreendemos que isto será melhor para a outra pessoa, que será melhor para a sua felicidade. Ou permanecer por perto, mas sacrificando o amor sensual, por uma forma mais nobre de amor, abnegado e assexuado. O amor assim prefere cuidar do outro, mesmo que isso signifique esquecer de si mesmo. 


Também acho que o amor verdadeiro parte de uma escolha, e também pode não ser exclusivo. Quero dizer, não andamos por aí com um odômetro para medir a quantidade de amor que temos por essa ou aquela pessoa. O amor é apenas sentido. Você reconhece o amor quando, após anos sem se verem, reencontra alguém que importa. Reconhece ainda mais, quando percebe que este alguém "se importa" com o que você sente e corresponde aos seus sentimentos, mesmo que de um modo diferente. E quando você teve que calar-se a vida toda a respeito do seu sentimento, mas percebe que, no fundo, a outra pessoa sempre soube e compreende você? Acho que isso também é amor.  O amor da continência.


Passei a vida toda amando pessoas. Amei quem merece e amei quem não merecia. Mas acho que cada um destes amores tem a sua importância. Com o tempo, aprendi a valorizar as pessoas que sempre estiveram ao meu lado e me apoiaram quando precisei. No final das contas, acho que o amor é uma questão de decisão. Você precisa decidir manter vivo o sentimento, mesmo contra o tempo e a distância. Assim, com um pouco da ajuda de Deus, da sorte e do universo, mesmo que passemos um tempo distantes, quem sabe a gente reencontra aquele ser especial em alguma volta da vida?

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Para Rita Lee

Para Rita Lee

Uma artista que esteve comigo desde a minha infância. Fez o maior auê na minha vida, foi a ovelha negra e me ensinou a ser uma, me escandalizou com a banheira de espuma e me fez rir com os jardins da Babilônia. Ela bailou comigo pelas estradas da vida e me prometeu que faria tudo por amor. Quando a coisa ficou difícil, pediu licença e saiu do sério, cansada que estava de tanto lero-lero. E bailou novamente. A Rita que eu amo, era única e inimitável. Quando ela se aposentou, ficou uma lacuna que ninguém preencheu. Mas eu não sabia de sua luta, pois até mesmo no sofrimento você foi brava, foi forte colosso, escolheu o silêncio da resiliência. Mas, enquanto você sofria, na minha luta pessoal, suas músicas eram um poderoso tônico que fortalecia. A irreverência de suas letras, muitas vezes, falou por mim e foi a minha voz nos momentos de maior dificuldade e sofrimento. Mas também cantei muitas vezes: Volta Rita! Volta Disgramada! Pois eu não imaginava que você esteve ali o tempo todo, lutando para permanecer com todos os que te amam. A notícia chegou assim, trazendo prazer nenhum, como um cantador que verseja ao longe. Não tomei banho de rio, não me penteie, calei apenas. E a vida ficou estranhamente sem graça. Mas o meu respeito e a sua honra foram tão maiores, que não ousei te criticar por nada, nem mesmo por morrer. Pois atribuo a você o mérito de uma vencedora, que em diversos momentos da história do Brasil e da música popular brasileira nos ensinou a usar as palavras com arte e com bom humor, com irreverência e sensualidade. Essa doença que te levou não te venceu, nem te vencerá jamais. Pode ter certeza que eu ainda vou dizer algo como: "que saco, não param de falar na Rita Lee", pois não pense que o mundo te esquecerá tão cedo. E como a gente dúvida até da fé, também podemos perguntar "What If?" não é mesmo? Então, quem sabe a gente não vai se encontrar de novo em algum lugar do universo? E, olha, desculpa o auê, meu bem. ❤️❤️❤️

terça-feira, 9 de maio de 2023

E Lá Vamos Nós: devolva meus cinquenta centavos.



E LÁ VAMOS NÓS: devolva meus cinquenta centavos.

(Autor: Renato Frossard - renatofrossard@gmail.com)


Há algum tempo atrás, abri uma conta no banco Itaú Unibanco SA para fins de recebimento de meu salário como servidor do estado de Minas Gerais. Porém, devido a eventos que me impediram o exercício de minhas funções, não tenho recebido nada do estado como remuneração, e tenho mantido a conta apenas para movimentações emergenciais.


Há aproximadamente três meses, sofri um golpe na internet pelo qual recebi uma promessa de trabalho e vim a perder uma quantia significativa de dinheiro, que era tudo o que eu tinha para a minha subsistência. Depois que percebi a fraude, contatei o banco, fazendo todos os esforços possíveis para que os valores fossem estornados. Para mimha frustração, o banco veio com a alegação de que o PIX é uma operação irreverssível e não me devolveram nada.


Pouco depois disto acontecer, o banco começou a me fazer cobranças referente a valores que eu nem sequer reconheço ou me recordo. Então, hoje, após fazer um lançamento visando cobrir saldo negativo exibido no app da conta, o mesmo atualizou para mais saldo negativo, o que me deixou atônito. Decidi cancelar a conta. Fiz então outro lançamento visando zerar o saldo, mas, outra vez, o saldo não zerou e retornou negativo. Tentei então devolver os valores para a minha conta anterior e, pasmem, o banco alegou insuficiência de saldo, sendo que eu havia acabado de fazer o pagamento via PIX. 


Depois que não consegui resolver o problema junto ao Itau Unibanco SA, tentei solicitar ajuda no outro app que também pertence ao Itaú. Mas o atendente veio com a mesma alegação de irreversibilidade. Fiquei indignado com a desonestidade dessa instituição financeira e com o desrespeito demostrado por eles ao cliente, ao institucionalizar e legalizar o roubo sob o disfarce de transação bancária lícita e idônea. 


Ora, se quando o cliente é lesado o banco alega impossibilidade de devolução, temo que o próprio futuro das instituições bancárias esteja ameaçado, pois não oferecem mais segurança ao usuário que pode, de uma hora para outra, ter o seu saldo zerado, ou mesmo negativado, de forma irreversível. O que será então do futuro da guarda patrimonial? Teremos que recorrer a cofres particulares? Ou vamos permitir que os ladrões roubem tudo o que temos pois, agora, contam com a parceria e o apoio incondicional das instituições financeiras?


Diante destes fatos que narro a vocês, comunidade geral, amigos, fãs e seguidores, estou repensando o uso desta ferramenta bancária. Pois, vejam bem, leva menos de um segundo para que um valor de qualquer monte seja transferido para outra conta e, constatado o erro, o banco alegue trstar-se de uma "operação legítima". Você corre o risco de ficar sem as suas economias de uma vida inteira, apenas porque confiou na idoneidade de outra instituição, empresa ou pessoa. Você fica totalmente vulnerável a ataques e isto pode arruinar a sua vida e sua saúde, caso você caia num golpe ou faça uma movimentação errônea. Só me resta recomendar a vocês muito cuidado com estas transações e que só usem em último caso, e que analizem muito bem as informações antes de dar o ok. É muito fácil para o banco dizer que a operação é irreversível, mas para nós, simples trabalhadores, cada centavo é precioso demais para ser perdido dessa maneira. Mas quando nos roubam grandes somas, então, isso acaba com nossa paz, nossa alegria e nossos planos para o futuro. 


Desde já, rompi meu relacionamento com o banco Itaú e apenas estou confiando nos bancos federais. Estou evitando fazer movimentações de grandes valores e deixando de acessar aplicativos de celular com muita frequência. Não recomendo o banco Itaú Unibanco para nenhum dos amigos que amo, e também não recomendo seus serviços aos meus fãs e seguidores, pois não quero que vocês sofram como eu tenho sofrido uma instituição fraudulenta e propagandista de mentiras. Fujam deste a aborrecimento. Seu dinheiro não é brinquedo e, mesmo se você for palhaço, por profissão, deve guardar bem o seu salário, ou você acabará sendo a piada final.


sábado, 4 de março de 2023

Vida: O Nosso Momento Fugaz

Vida: O Nosso Momento Fugaz 



Estaremos no mundo por um tempo tão breve que não dá nem um instante no tempo eterno do universo. Enquanto cientistas e astrônomos falam em períodos de bilhões de anos, o que é difícil até de imaginar, nossa vida não chega a um décimo deste valor. Somos, na verdade, criaturas tão efêmeras quanto as borboletas.


De fato, pensando de forma comparativa, pode-se dizer que somos as borboletas do universo. Nascemos num dia e, quando nos damos conta somos estudantes mirins. Depois adolescentes, jovens, adultos, idosos e, então, partimos. Tudo isso num abrir e fechar de olhos, comparativamente falando.


Com isso em mente, você já parou para pensar qual é a marca que você deixará no mundo? Pelo que as futuras gerações se lembrarão de você? Ou será que você tem vivido sua existência apenas cuidando de seus assuntos particulares, sem se importar em ajudar mais ninguém? Ou, o que seria ainda pior, será que você tem dedicado cada minuto da sua existência a aumentar ou provocar o sofrimento e a dor de outras pessoas?


Viver é uma arte. E, como toda arte, exige talento, técnica, maestria. Mas sobretudo, toda arte requer amor. Não dá pra ser artista se você não ama o que você faz. Talvez o que te falte seja aprender a amar. Aprender a reconhecer no outro um irmão, um igual. Sem isso,nos tornamos egoístas e frios e passamos a agir como se apenas nosso bem estar importasse. E isto nos torna seres cruéis e insensíveis.


Não estou dizendo que você deve se tornar um santo, nem sair jogando dinheiro na rua. O que estou pensando é em como devemos nos comportar diante do sofrimento do outro. Se você não pode ajudar naquele momento que alguém te pede, você pelo menos sente tristeza por sua dor? Você tenta imaginar alguma forma de ajudar as pessoas mais carentes? Ou você se zanga contra o pobre porque eles são muitos e porque te pedem um pedacinho de pão? Pois, pasmem, há quem agridiria uma pessoa por pedir um prato de comida. 


Embora o coração do homem seja um mistério - num dia estamos muito bondosos e emotivos, e no outro somos completos cretinos - podemos educar o nosso caráter e nos tornarmos mais humanos, menos t. Que possamos refletir sobre isso e, se não pudermos fazer grandes obras de caridade, como alguns de maior coração fazem, que possamos fazer dos pequenos gestos de bondade a nossa rotina. 




sábado, 28 de março de 2020

FILOSOFIA E ÉTICA - ÉTICA E POLÍTICA - ÉTICA E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


QUESTÕES SOBRE ÉTICA E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Olá amigos, estou estudando sobre Ética e Administração Pública e achei o assunto bem interessante. Convido vocês a lerem minhas respostas e comentarem se concordam ou discordam e a também apresentarem as suas próprias respostas. Vamos refletir sobre este importante tema e espalhar a consciência para o maior número de pessoas possível!

Questão 1 - 1. No texto apresentado consta a seguinte afirmação: “Um mundo perfeitamente bem administrado pode ser um mundo moralmente mau[...]. O inferno pode ser tanto mais inferno quanto mais bem administrado for! A boa administração não pode ser, por si só, critério para avaliarmos o que quer que seja”. Comente estas afirmações no contexto da administração pública.

RESPOSTA: A afirmação acima quer dizer que se a administração pública não tiver como objetivos e, até  mesmo, como razão de sua existência, o estabelecimento de leis justas, que respeitem os direitos humanos, que se baseiem na equidade e na preservação da vida e da dignidade humanas, mas ao contrário, se os administradores públicos buscarem seus próprios interesses, ou se as leis estabelecidas forem injustas, cruéis, autoritárias, e se não se considerar a vida humana e sua proteção como o centro de todo o governo, então, não importa quão eficiente for esta administração pública, ela será eficiente para o mal, e não para o bem. Promoverá a injustiça, e não o contrário. Ainda que se pinte de justiça a sua ação, e se chame de leis suas crueldades, isso não mudará o fato de tratar-se de um governo tirano e cruel.

2- 2. De que modo você percebe, na sua experiência pessoal e profissional como administrador público, as características apresentadas por Roberto Da Matta a respeito da cultura brasileira? Tendo em conta a solução sugerida pelo autor, o que você pensa a respeito dela e da possibilidade de vir a ser praticada pelo administrador público?

RESPOSTA: A cultura brasileira á qual Roberto da Matta se refere seria aquela em que as pessoas buscam as leis somente quando se trata de resguardar os seus direitos, mas procuram evita-las, quando se trata de cumprir responsabilidades e obedecer normas, pagar impostos, respeitar os direitos do outro, ser ético, ser justo, etc. Em outras palavras, segundo ele, no Brasil predominaria a cultura do “jeitinho”, em que quando se trata de uma pessoa assumir responsabilidades, ela sempre procura subterfúgios para não ter que fazê-lo. Outro ponto que o autor chama a atenção seria a da máxima: “Aos inimigos a lei, aos amigos tudo”..., que significaria exatamente essa predisposição para recorrermos aos órgãos legislativos e governamentais apenas quando se trata de resguardarmos nossos direitos e vantagens ou de perceber alguma indenização ou de ser beneficiado de alguma forma, mas de nunca querermos assumir a responsabilidade por nossos erros.
No contexto da administração pública, como esta é praticada por pessoas, é evidente que existe a possibilidade muito real de que o administrador traga essa cultura para dentro da administração, adotando posturas semelhantes, do uso de jeitinhos e subterfúgios, quando o correto seria manter a ética e a moralidade.
Felizmente, não são todos os administradores públicos que agem desta forma, consistindo em um engano da sociedade e até uma injustiça para como os administradores que agem eticamente, o pensar que todo o servidor público ou que toda a administração pública seja corrompida. No meu local de trabalho, por exemplo, tenho contato com pessoas extremamente éticas no exercício de suas funções, que prezam em fazer aquilo que é correto e em cumprir suas obrigações mesmo quando não há ninguém as vigiando ou cobrando delas a todo momento. Elas o fazem simplesmente pela consciência de suas obrigações e deveres e por terem consciência de ocupar uma função pública que pressupõe um ato de doação em benefício da coletividade em fazer parte do sistema que governa toda a sociedade. Posso também afirmar que procuro ser como essas pessoas, agindo de forma ética e correta, independente de cobranças ou mesmo de normas, mas simplesmente pelo exercício livre da consciência. Erros, todos nós podemos cometê-los, mas é um dever nosso buscar agir sempre do ponto de vista da ética.

3. E qual pode ser (e deve ser) a responsabilidade moral do administrador público frente às complicadas relações entre ética e política, e tendo em conta os limites de toda “ética profissional”?
Acredito que a responsabilidade moral do administrador público frente às relações entre ética e política deve ser a de manter-se ético, independente de qual seja o partido político ou a filosofia ideológica a ocupar o poder no momento. Em outras palavras, mesmo que a sociedade esteja corrompida ou tenha maus exemplos na política, o administrador público não deve se deixar levar por estas coisas. Antes, deve manter uma posição ética, justa e correta diante do cargo que ocupa, e procurar levar este mesmo comportamento para a sua vida pessoal, agindo sempre de acordo com os princípios de respeito à vida e à dignidade humanas. De fato, deve-se partir do ponto de vista que o objetivo final de toda a administração pública é preservar e garantir o direito à vida com dignidade para todos, e não somente para uma classe ou grupo que se considere superior. Numa sociedade onde há conflitos de interesses, disputas por poder, batalhas ideológicas, o administrador público deve manter o foco naquilo que é ético e correto, procurando agir de forma imparcial e sem fazer acepção de pessoas. Em outras palavras, não vale a máxima “aos inimigos a lei, aos amigos tudo”, pois tal comportamento representaria a corrupção de todo o sistema de governo.


quinta-feira, 4 de junho de 2009

QUERO DIZER
(Renato Frossard)

Quero dizer

Que desprezo assassinos de farda
Mas é desacato
Que odeio bandidos de capa
Mas é desrespeito
Que abomino o comércio de vidas
Mas é arriscado

Que detesto pais opressores
Mas é invasão
Que me enojam globais atores
Mas é pretensão
Que os ricos me causam asco
Mas é infundado

Que o S e o G são malvados
Mas é incoerência
Que é burrice votar no que abraça
Mas é fanatismo
Quem promete em geral não cumpre
Mas é pessimismo

Que sou contra o aborto
Mas é preconceito
Que sou contra o estupro
Mas é heresia
Que odeio a crueldade
Mas é romantismo

Que o povo NÃO manda
Mas é vergonhoso
Que a T.V é uma farsa
Mas é exagero
Dizer muitas coisas
Mas é proibido!