sexta-feira, 17 de novembro de 2023

ANDRÉ

ANDRÉ

De Renato Frossard para André Frossard 

Acorda cedo
Separa o pão do irmão
Já saí pela casa armando confusão
Derruba uma mesa, estoura um balão

Um, dois, três cadê?
Já sumiu pra rua
Fazendo estrepolia
É o rei da brincadeira
Choque na geladeira

Com o outro irmão é protagonista
De traquinagens terríveis
A caixa de papelão
Tinha tijolo no chão
Segura a risada até que se vão
Ou você pode apanhar

Irmãos felizes a brincar
A sonhar com um mundo colorido e com oportunidades
Conversas com os amigos
Quase todos os mesmos
Enquanto um estuda, o outro está em casa
Depois um vai e o outro sai
O irmão é seu modelo
A sobrinha chora.
Oh tadinha, !tapa!

Mas o tempo muda a gente e muda as coisas
Por não termos uma bola de cristal
Nem máquina do tempo
Não percebemos que o tempo ia nos afastar
Nos levar para lugares distantes
E nos encher de ressentimentos
E de lágrimas retidas

Mas sempre há tempo de rever as mágoas
Passar manteiga
E comer com pão
André, vem tomar café.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Les Invisibiles

Les Invisibiles



Renato Frossard 

renatofrossard@gmail.com



Meus pais tiveram ao todo 8 filhos. Eu sou o do meio. Não sei ao certo o que isso significa mas senti, desde cedo, um peso maior de responsabilidade, de ser aquele que a todos desse orgulho e que ajudasse aos outros. Mas cresci sentindo uma estranha espécie de solidão e de tristeza.


A família mudou-se para uma cidadezinha no interior de Minas Gerais, lugar que ainda estava começando a se formar e a se firmar. Ali moramos primeiro de aluguel e, depois, meu pai comprou uma casinha com o dinheiro de um prêmio ganhado na loteria mineira. O sonho da casa própria se tornava realidade. 


Eu e meu irmão fomos matriculados na escola primária, pois, por causa dessas mudanças constantes, meu irmão ficou com a idade defasada em relação ao ano escolar. Já as minhas irmãs foram para o ensino fundamental. Os outros ainda não estavam em idade escolar. Íamos todos os dias a pé para a escola e não reclamávamos. Também não era comum os pais levarem seus filhos pra escola. A gente ia sozinho mesmo.


Meu pai trabalhava no centro da cidade, mas depois transferiu a oficina para a nossa casa no bairro onde morávamos. Sempre lutou muito para manter a família e sempre teve muita fé. Sinto orgulho de seu exemplo, mas, ao mesmo tempo, me ressinto de que o mundo o tenha tratado tão mal. Aliás, por que será que o mundo trata tão mal as pessoas boas?


Minha mãe… Ah, minha mãe. Complicado dizer sobre minha mãe. Um pequeno ato que gerou grandes consequências fez o casamento de meus pais chegar ao fim. Mas mesmo antes disso, nossa relação com nossa mãe era complicada. Ela não era muito de beijos e abraços e se preocupava mais com que cada um se ocupasse de alguma tarefa e que cumprisse suas obrigações. Também batia na gente, surras monumentais, quando quebrávamos alguma regra. Só depois de velho e quase na hora da morte de mamãe eu entendi melhor o seu sofrimento. Pena eu não ter entendido antes. Passei a vida toda julgando-a e deixei de apoia-la mais. Deixei de abraça-la mais.


Eu e minha família, desde que eu me entendo por gente, fomos os caudas da sociedade. Nunca conseguimos ascender muito socialmente e meu pai passou a vida inteira nessa casinha que comprou por sorte. Sopinhas de escola muitas vezes ajudaram a gente a encher a barriga e a escola era, pra mim, um meio de ter esperança de conseguir um emprego no futuro. Eu não entendia muito bem porque ou para quê eu estudava. Apenas enchia minha cabeça de informação, sem de fato desenvolver o pensamento crítico. Foi apenas anos mais tarde quando cursei o colégio que passei a entender que a pura memorização não trará necessariamente benefícios. É preciso desenvolver a capacidade intelectual para entender o complexo e injusto sistema social e, assim, tentar minimizar os impactos prejudiciais desse sistema em nossa vida. Basicamente, já sabemos, o sistema é assim: ricos pra cima, pobres pra baixo.


Tentei várias coisas, cursos, provas, exército, indústria e comércio. Mas só através da formação universitária encontrei realmente um caminho profissional. Mas, como nada é definitivo, de uma hora pra outra, o que parecia ser uma sólida carreira profissional no serviço público, foi colocada em dúvida. De repente, me encontrei como no início: só o pó e a caatinga.


Sociedade é uma palavra complexa pois envolve tudo aquilo que nos permite viver, mas também protagoniza tudo o que temos de ruim: a injustiça, o preconceito, a discriminação. Porque os pobres são temidos pelos ricos, que se opõem a sua ascenção social? Por causa de uma interpretação errônea, um medo infundado dessas pessoas de que a ascenção do pobre as prejudique quando, na verdade, só traria uma sociedade mais justa e igualitária. Mas, ao contrário, somos les Invisibiles, pessoas sem rosto e sem vez, sempre os últimos na cadeia de prioridades da sociedade e dos governantes.


Vou concluir esse texto mais por força da brevidade do artigo, mas esse assunto ainda poderia render muitos e muitos parágrafos. Porque a sociedade parece querer nos apagar do mapa? De onde vem tanto ódio? Só me resta refletir e ter fé de que as coisas ainda vão melhorar. Preciso levantar a cabeça e olhar para frente. Recomeçar. Por outro lado, preciso assistir silenciosa e respeitosamente ao esforço de artistas, lideranças, políticos, sacerdotes, donas de casa e de tantos outros atores que lutam contra a injustiça social. Fazer com que a minha voz silencie durante a transmissão de seus programas e reportagens, também é uma forma de dizer que eu também luto por eles.



Saber Esperar

SABER ESPERAR 

Às vezes, para não sucumbir, temos que saber esperar. Esperar a solução de um problema que requer tempo, esperar o fim do mês, esperar passar o feriado, esperar a conclusão de um processo.

Nós humanos costumamos querer tudo de imediato. Queremos a solução dos problemas pra ontem. Não conseguimos sequer esperar a passagem de uns poucos dias. Isto nos causa angústia, nos deixa deprimidos e desesperados. É como se a nossa própria vida dependesse daquela resposta.

Mas não devemos ser assim. Precisamos ter mais paciência diante do inevitável. Esperar um pouco e deixar Deus agir. Não podemos deixar que o medo e o desespero acabem com a nossa existência. Às vezes, uma lágrima de resignação vale mais do que dinheiro. E saber calar-se diante de uma injustiça para evitar um prejuízo maior, também é sabedoria.

Muitas vezes já estamos cansados de lutar. Já batemos tanto e apanhamos mais ainda. Isso nos deixa atônitos e sem saber como agir. Mas se olharmos em volta veremos que, lá fora, ainda há muita vida e oportunidades. A fé é o que nos alimenta e nos impulsiona a seguir em frente. Confiança de que, de alguma forma, Deus garantirá a continuidade da vida.

Cuide de suas feridas. Dê tempo ao tempo. Respire. As coisas não se resolvem da noite para o dia. Nem tudo que pensamos ser bom para nós é de fato. Às vezes perder é ganhar. Deixar cair algo de nossas mãos, soltar a corda, muitas vezes é melhor do que tentar reter a todo custo um aparente benefício. A vida não acabou. Não deixe que o sistema injusto e frio atormente sua alma. Leve a Deus a suas angústias e sofrimento.
Aprenda a aceitar que nem tudo está sob nosso controle. Deixe Deus ser Deus. Entregue a Ele tudo aquilo que não depende de uma ação direta sua. 

Para viver em paz, muitas vezes temos que tomar decisões contrárias aos nossos anseios e metas. Temos que pausar, alterar ou ajustar a rota. A viagem pode se tornar mais lenta, o caminho mais acidentado. Mas temos que aprender a esperar. Deixe-se embalar pelo barulhinho do relógio e durma. Descanse enquanto Deus trabalha para te dar aquilo que você precisa. E sonhe com dias melhores.

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Diário - Atualizaçaão diária

Diário 

16/11/2023

Ontem ao dormir estava meio febril, sentindo calafrios pelo corpo. É que o calor estava insuportável e depois de tomar um banho na temperatura ambiente tive esses tremores. Depois tomei uma dipirona e fui deitar. Acordei de madrugada ensopado de suor. Tirei a roupa molhada e me levantei um pouco, depois voltei a dormir.

Hoje pela manhã já estava curado. Não tinha mais nenhum sintoma de febre, graças a Deus. Mas ainda estava um pouco deprimido por causa dos problemas profissionais. Mas com o passar do dia fui me sentindo melhor. O ânimo foi retornando à medida que fui recobrando a esperança. A certeza de que posso começar de novo, se necessário, me fortaleceu.

Fui à casa de minha irmã pela tarde e deitei em uma das camas dos meninos e acabei pegando no sono. Acordei com ela me chamando quando chegou para almoçar. Depois conversamos um pouco e assistimos TV. Fui para casa e fiz um pouco de exercícios físicos, depois assisti TV e procurei resolver alguns problemas pessoais. Estou tendo que ter muita paciência neste momento porque se eu fujo das pessoas, elas parecem me procurar, no sentido de acabar gerando algum conflito. E a última coisa que estou caçando é conflito.

Agora estou no bairro Floresta, caminhando. Sentei-me próximo a um ponto de ônibus abandonado e estou aqui escrevendo. Fica perto de onde um amigo de juventude morava. 

Vou fechando a edição de hoje. Volto caso aconteça algo relevante. Abraço! FUI!

Renato 

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15 de Novembro de 2023


Estou começando hoje, por isso cobrirei também os eventos dos últimos dias. A IFE cortou quase todo o meu pagamento, o que me deixou muito triste e aflito. Num primeiro momento eu não entendi direito o que havia ocorrido. Depois, fui compreendendo que eles não cessaram de me atacar e que, qualquer oportunidade, tentarão me afligir e me fustigar com castigos.


Fiquei deprimido e zangado. Xinguei muito. Foi extremamente doloroso constatar que, apesar de todos os meus argumentos, a IFE não cumpre as leis em relação aos direitos humanos e civis. Me pergunto, às vezes, que tipo de pessoa pode viver para causar sofrimento em outras pessoas e respirar para fazer mal? As pessoas que estão por trás desse desconto injusto, não a que fez o lançamento, mas aquele que ordenou sua execução, não deve ser de carne e osso.


Mas, felizmente, o golpe que me deram me aproximou mais de Deus essa semana. Senti que devia finalmente me desapegar de algumas coisas e me aproximar de Jesus. Em meio a toda a depressão que este ocorrido me causou, tentei cultivar a esperança e a fé. Afirmei a mim mesmo que posso recomeçar do zero e que vencerei, com a ajuda de Deus.


Infelizmente, o grupo de pessoas que tem me atacado há cerca de 10 anos foi cruel essa semana. Atacaram como se algum evento mágico lhes tivesse aberto um portal. Usaram toda sua baboseira para causar ainda mais sofrimento. Gritos de criança, esfregar de pés, avançar com o carro para cima de mim, criar motivos para discutir, ficar indo e voltando em minha direção, cruzar forçadamente meu caminho, disparar alarmes sem necessidade, bater portas, e comentar, comentar, e mais comentar sobre algo que supostamente diria respeito a mim. Tudo isso, como sempre, fazendo parecer que é normal, que se você tentar repelir a pessoa ela dirá: Ainnn, você está loucoamm! Minha cabeça dói, meu corpo está cansado. Estou cheio de dúvidas em relação ao futuro e isolado de todos. Não me deixam trabalhar ou conseguir alguma renda extra, a não ser que um bom amigo resolva dar oportunidade. Estou lutando para reconstruir minha fé. Sinto me um tolo por ter permitido que me afastassem de minhas funções no órgão. Devia ter batido pé e dito que não me afastaria e que o diretor não tinha direito de me impedir de trabalhar como ele fez. E tudo isso ocorreu na pandemia, e não me deram nenhum apoio ou suporte naquele momento difícil. Fiquei literalmente na rua. 


Hoje me senti meio febril, pois o calor estava muito forte. Tomei um longo banho frio, mas a água estava até morna. Depois que saí do banho tive calafrios. Me aqueci e orei com um vídeo de healing scriptures with soaking music. Esse vídeo é poderoso contra as obras do inimigo. Estou me sentindo um pouco melhor. Estou tentando manter o silêncio e a minha resiliência. Sei que Deus não está preso no papel!

Renato 




terça-feira, 14 de novembro de 2023

Um Mundo Doente

Um Mundo Doente


O mundo está doente e ele quer nos adoecer.  As pressões que enfrentamos dia a dia, vindas de todos os lados, torturam nossa mente quase todo o tempo. E de tanto esses estímulos se repetirem, desenvolvemos padrões de comportamento que se assemelham aos demonstrados nas diferentes doenças mentais. 


Não sei se isso ocorre com  outras pessoas,  se ocorre sincronamente ou assincronamente com outras pessoas,  mas uma convivência forçada com a doença mental alheia tem sido o estopim para muitas dificuldades e sofrimento.  E, infelizmente,  a sociedade tem preferido ignorar o fenômeno.  As pessoas preferem atribuir tudo a uma alucinação ou delírio da vítima,  inclusive os psiquiatras. Como se o alarme de carro que está importunando a cada minuto fosse apenas minha imaginação,  ou se o motorista que joga seu carro sobre o pedestre na rua  não existisse. Agressões infundadas e sem sentido contra pessoas inocentes.  


Quantas vezes tive o ímpeto de xingar e censurar essas pessoas pelos seus atos.  Cheguei mesmo a sentir raiva, ira. Mas aos poucos fui entendendo a inutilidade disso. Mas as pessoas foram se tornando  mais ousadas e agressivas, a ponto de nos ofender dentro de nossa casa. Então, embora eu reconheça a importância dos médicos psiquiatras no enfrentamento dessas coisas, acho que é urgente o posicionamento das autoridades diante desse problema social. Colocar toda a culpa nos “devaneios” da vítima não ajuda muito, na minha opinião. 


Certo poeta disse uma vez: “cure o mundo!” Mas será possível curar o mundo sem antes curar a si próprio?  Não creio. Acho que primeiro precisamos de cura para a nossa alma para, somente então, podermos pensar em ajudar outras pessoas.  Curar o nosso coração para então curar o coração de outros. E a melhor forma de se conseguir fazer isto é nos entregando a Jesus. Jesus nos ajudará, não importam as circunstâncias, nunca nos deixará. E quando Ele tiver terminado sua obra em nós, não haverá loucura que tire a nossa paz.

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Linchamento Social

Linchamento Social 


Renato Frossard 

Renatofrossard@gmail.com 


Há casos em que a justiça se omite no papel de apurar culpas e responsabilizar culpados? Tenho testemunhado casos em que, infelizmente,  isso acontece. Como nos crimes de linchamento, em que uma pessoa é covardemente atacada por uma gangue ou até por uma população inteira, ou nas brigas de torcida de futebol, onde as autoridades sentem dificuldade em encontrar e nomear os responsáveis por uma ofensa que causou prejuízos,  danos, ferimentos ou até a morte de outra (s) pessoa (s).


No linchamento social ocorre algo semelhante.  Uma pessoa,  por alguma razão,  torna-se vítima do preconceito, velado ou explícito,  de um grande número de outras pessoas com ideologias e crenças diferenciadas. Embora a pessoa seja cruelmente atacada, torturada e machucada com palavras,  ofendida em sua intimidade, em seu senso de valor e autoestima,  ela fica sem saber como agir ou se defender. Porquanto, muitas vezes, os ataques não ocorrem de forma direta, a pessoa é forçada a conviver com agressões diárias, com ofensas terríveis e com truques mentais que a fazem desconfiar de todos que dela se aproximam, até mesmo dos amigos mais chegados. A pessoa nessa situação começa a perder a tranquilidade e a naturalidade em suas ações. Pode se tornar excessivamente gentil e comedida ou começar a ter episódios de descontrole e explosão.  Não raro, a pessoa começa a verbalizar e a falar “sozinha”, mas está, na verdade, se dirigindo aos seus agressores,  pois esta é a forma que ela encontra de responder àqueles que a atacam. 


A vítima de linchamento social pode se tornar deprimida e sem vontade de viver. Pode passar a ter ansiedade constante e a não conseguir encontrar alento ou esperança.  De fato, num processo como esses, em que nem mesmo os familiares parecem entender o que a vítima está passando, somente os mais resilientes sobrevivem. Não é comum que o linchado escolha a autoexterminação como forma de sair do problema.


Caso você esteja sendo vítima de linchamento social ou ideológico, procure o quanto antes a ajuda de um psiquiatra para que ele te ajude a iniciar o processo de enfrentamento. Os medicamentos te ajudarão,  num primeiro momento,  a ter mais clareza e a encontrar formas de agir. Procure se aproximar de pessoas que você considere extremamente justas e corretas, pois será mais difícil desconfiar delas, e você poderá contar com seu apoio. Medite e ore pois a espiritualidade torna-se vital quando se enfrenta um problema assim. Ache um lugar e momento que você possa extravasar,  gritar é até xingar, pois você precisa eliminar a raiva e o negativismo.  Não tente guardar toda a raiva dentro de você, pois isso te destruiria. Se dê o direito de expressar, de forma controlada e que não seja diretamente dirigida a ninguém,  a sua insatisfação e indignação com aquilo que estão te fazendo. Cante, dance, se exercite. Tente rir um pouco de si mesmo e fazer piada com sua própria situação. O humor é uma arma poderosa nesta luta.


É muito triste constatar o quanto os seres humanos podem ser maus uns com os outros.  Mas não é surpreendente,  pois sabemos de guerras,  chacinas e massacres. As pessoas estão perdendo a compaixão.  Estão se tornando insensíveis e, por outro lado, estão se tornando extremamente críticas do comportamento do outro. A justiça que se cobra do outro está se tornando muito mais rígida do que a justiça que alguém cobra de si mesmo. Mas não adianta se ressentir e tornar-se amargo, pois isso só piora as coisas. É melhor,  já que a justiça se omite em fazer o seu papel, esquecer o desejo de vingança e de desforra, e voltar nossos olhos e intenções para ajudar outros sofredores que estão à nossa volta.  Será uma ótima oportunidade de abraçar outras pessoas e, em troca, ser abraçado de volta.

domingo, 12 de novembro de 2023

Passando O Sabão

Nunca pensei que as pessoas pudessem ser tão cruéis e mesquinhas com as vítimas da AIDS. Eu sempre pensei que quando a pessoa passasse por isso, apesar de tudo, ela encontraria apoio dos amigos e da família. Mas quando eu estive do outro lado, pensando que ia morrer, sentindo que a vida tinha acabado, deprimido, triste e sozinho, ao invés de apoio encontrei mais julgamento, mais egoísmo, mais violência. Mas eu nunca recorri à AIDS para obter benefício algum. Então, quando já cansado você resolve requerer os direitos que te acusavam de ter, lançam em sua face que os direitos que você quer não existem, pois, para este fim, te consideram saudável. Nem levam em conta os anos de sofrimento enquanto você acreditava na idoneidade dos laboratórios e dos médicos que propagam a ideia de um vírus de imunodeficiência, apesar de tal coisa nunca ter sido observada na natureza. Graças a Deus eu entendi a tempos atrás que a AIDS só existe na mente do preconceituoso e que sou livre para recomeçar do zero se for necessário e que a minha saúde e integridade física e mental estão nas mãos de Deus. Nunca existiu nem nunca existirá um vírus da AIDS. Laudos laboratoriais não representam a verdade absoluta, mas apenas testam padrões predeterminados que podem não ter significado algum, e não podem ser usados para fomentar a perseguição, preconceito ou apagamento social de alguém. O laboratório não pode ter a última palavra se a pessoa continuou saudável, apesar de fazerem de tudo para que ela morresse. As leis precisam garantir o direito da pessoa renunciar a este laudo, como eu há tempos já renunciei. Nunca existiu nem nunca existirá um vírus da AIDS. Este nome apenas designa um sistema de coisas estabelecido pelo medo, preconceito e desconhecimento das leis naturais de saúde. A depressão e o desespero mataram as primeiras vítimas da AIDS. A medicina matou a segunda geração. Hoje, a fé e a rebeldia é que mantém vivos todos os que ousaram acreditar no contraditório. Não tenho AIDS, não tenho Vírus, Sou um homem livre e saudável. Porto apenas a esperança e a fé. Não Guardo Mágoa de Ninguém.

sábado, 11 de novembro de 2023

Como Recuperar a Fé Após Inúmeras Derrotas?

Como Recuperar a Fé Após Inúmeras Derrotas?


Renato Frossard


Nos últimos anos tenho passado pelos momentos mais difíceis de minha vida. Tornei-me, inadvertidamente, vítima de haters e perseguidores. Essas pessoas dificultaram minha vida profissional, emocional e espíritual de uma forma ferrenha. Conseguiram atrapalhar minha moradia, tiraram meu emprego, dificultaram minha aprovação em concursos e a conclusão de programas educacionais. Todas essas coisas não conseguiram abalar minha fé, no princípio, mas conquanto foram se prolongando e não cessaram, começaram a plantar uma semente de dúvida e desesperança.


Não é que eu não tenha fé, eu tenho muita fé para algumas coisas como a fé de que nunca me faltará o alimento, que não me faltarão amigos e que Jesus estará sempre ao meu lado. Mas, por tantas vezes me frustrar, me falta a fé de que conseguirei um trabalho ou de que conseguirei ainda fazer algo útil de minha existência. Fraqueja a minha fé de que os seres humanos se tornarão melhores ao longo do tempo, ou que as pessoas que me prejudicaram com mentiras voltarão atrás.


Mas tenho orado a Deus e procurado recuperar a minha fé a cada pequeno passo. Se hoje subo uma montanha, amanhã, um pequeno salto já será o suficiente. Se me atacam com verbalizações, estou aprendendo a silenciar. Se a mente se cansa, estou aprendendo a desligar. Se os inimigos avançam, aprendo a recuar. Mas o maior obstáculo para a fé, certamente, é a falta de humildade. Venho trabalhando nisto, para vencer a maldade das pessoas e seu ódio infundado.


Sei que vou recuperar a fé e que vencerei as minhas batalhas. Embora não seja fácil viver em um mundo barulhento como o nosso, é possível encontrar um lugar dentro de nós mesmos para estarmos a sós com Jesus. No templo de nosso coração, podemos nos refugiar com ele e conversar com o nosso Deus. A bondade de Jesus então flui em nós e salta para a vida eterna. Peço a Deus que me ajude a voltar a crer no Deus que desmancha exércitos inteiros e que faz até o mar se abrir e a tempestade se acalmar. Ele será vitória por mim.


quinta-feira, 2 de novembro de 2023

O Verdadeiro Mestre

O Verdadeiro Mestre

O Verdadeiro mestre não somente leva ao pódio um campeão em potencial. Mas ele ergue alguém que encontra, caído e sem valor e o transforma em um vencedor.

O Verdadeiro mestre não valoriza medalhas, troféus, prêmios. Nem se preocupa em receber condecorações. Mas se alegra muito quando o menor de seus alunos vence a si próprio e avança no aprendizado.

O Verdadeiro mestre, muitas vezes, nem imagina a grandeza de seus atos, porque tudo o que faz é natural. Afinal, estender a mão a alguém necessitado, repreender o erro de um discípulo, zelar pelo bem estar de seus estudantes, tudo isto, faz parte de sua natureza.

Um mestre de verdade é aluno de Deus. Aluno da vida.
Ele sempre será pai de muitos, mesmo que tenha apenas um filho.
Ele sempre será sábio, ainda que seja jovem.
Sua armadura é sua integridade. Sua força é sua bondade.
O mestre sabe que seus alunos sempre o ouvem, porque ele se sabe amado.
Ele está sempre acessível, mesmo quando tantos o buscam.
O Mestre é uma fortaleza de humildade em meio ás tempestades da presunção humana.

Do aluno Renato Frossard, para o querido mestre Neweton Antônio de Lima Adas, UM VERDADEIRO MESTRE: Sensei, esta é uma singela homenagem à você, por tudo que você representa pra mim, como professor, mestre, amigo e treinador. Um irmão de verdade e um pai no Karate-do.

Ao querido mestre Júlio Olguim, por todo seu carinho e dedicação ao Karate e por ter me ensinado a dar os primeiros passos nesta arte: Sensei Júlio, muito obrigado por todos os anos de luta e de vitórias em prol do karate. Obrigado por não ter desistido face às montanhas de dificuldades.

Ao mestre Akio Yokoyama por seu excelente e inestimável trabalho na popularização do karate-do em Minas Gerais: Obrigado Shihan Akio Yokoyama.

A todos os grandes mestres que, através de seu amor, trabalho, abnegação e sofrimento, fizeram do karate-do o grande sucesso que ele é em nossos dias.

Oi, tudo bem?



Se alguém só teve sua primeira experiência sexual após os 40, é provável que essa pessoa usou ou usa redes sociais para encontrar parceiros. Hoje em dia são comuns os sites e aplicativos que pretendem conectar as pessoas com base em suas preferências e interesses. Esse é um recurso interessante, sobretudo para o público gay e LGBT, que assim consegue evitar importunar ou ofender alguém que não concorde com ou não se interesse por seu estilo de vida. 


Porém, esses recursos nem sempre funcionam, e ainda podem ser perigosos. A experiência me ensinou a filtrar a maioria dos perfis e mensagens recebidas, pois trata-se de perfis falsos e de mensagens sem objetivo, apenas para importunar. É necessário, também, estar atento a mensagens de potenciais criminosos ou pessoas mal intencionadas. Há ainda aqueles que se fazem passar por outras pessoas. Eles colocam uma foto de alguém em seus perfis, mas, quando você as encontra, percebe que não é a mesma pessoa da foto.


Os sites e apps de relacionamento também nos fazem vivenciar situações repetitivas ou conversas que não vão a lugar algum. Começamos geralmente com um "oi", ao que nos respondem "oi". Depois, segue-se um "tudo bem?", "De onde fala?", etc. Às vezes não passa disso. Outras vezes, a conversa se estende um pouquinho mais, umas duas ou três frases e se encerra. Não é incomum que a pessoa fique meses, ou até mesmo um ano inteiro sem se relacionar com ninguém, por conta desses perfis fake, ou até mesmo de organizações de hackers e golpistas. Essas pessoas se infiltram nesses programas e se fingem de usuários para atrapalhar o funcionamento do site ou app para quem realmente deseja encontrar alguém. Isso ocorre principalmente nos apps voltados para o público gay.


De qualquer forma, os apps acabam facilitando a vida das pessoas do grupo LGBT, pois permite que elas só se candidatem a encontrar-se com parceiros de interesses semelhantes aos seus. Os apps para pessoas heterossexuais também são comuns e têm milhares de usuários. Porém, é preciso usar estas coisas com cuidado e muita discrição, para evitar cair em ciladas armadas por bandidos.


Talvez um dia as pessoas poderão abordar umas às outras livremente na rua e demonstrar seu interesse. Nesse tempo, os apps e sites de encontros não serão mais tão necessários. Mas até lá, é bom que exista essa alternativa à abordagem direta, que poderia gerar constrangimento ou até nos expor a uma possível agressão. Por enquanto, é melhor fazer o primeiro contato através dessa realidade virtual, para não acabar dançando logo no primeiro encontro.


domingo, 17 de setembro de 2023

O pecado original e o plano da redenção.

O Pecado Original e O Plano da Redenção.

Após criar o ser humano sobre a terra, Deus lhes deu direito a usufruir livremente do fruto de sua criação, vedando-lhe apenas uma pequena parte. Quando o homem quebrou o pacto que havia feito com o seu criador, recebeu como castigo o trabalho, a dor e a humilhação. Deus também explicou ao homem que, como consequência de seu pecado, haveria de morrer, retornando ao pó da terra, de onde fora formado. Mas Deus prometeu restaurar a perfeição e devolver ao homem a condição de filho, através de Jesus. Pelo seu sacrifício na cruz, Jesus proveu perdão, trazendo descanso, alívio e remissão ao homem pecador. Também tornou o homem, novamente, elegível à vida eterna, através de sua morte e ressurreição. Jesus é a nossa redenção.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU: As maravilhas da criação e a sua relação com a vontade do criador.

ASSIM NA TERRA, COMO NO CÉU: 

A constelação de Órion é uma das mais conhecidas, devido a sua relação de proximidade e visibilidade aqui de nosso planetinha azul. A escritos bíblicos que a citam e é também citada pelo fazer profético dos dia atuais. Órion é a figura de um caçador, e sua estatura é marcada por algumas estrelas de maior importância. Betelgelse marca o obro direito do caçador, enquanto Rigel marca o pé esquerdo. Em construção, o pé esquerdo refere-se a relação de distância entre o piso e a parte superior do teto. Assim na terra como no céu significa que devemos entregar as nossas vontades pessoais nas mãos do Senhor, mesmo que isto contrarie os nossos desejos. Somente uma devoção que vá dos pés à cabeça pode satisfazer o nível de exigência do nosso Criador. Entreguemo-nos a Ele. Ore a oração do Pai Nosso hoje, e nesta parte, reflita profundamente sobre o seu significado.

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Aplicativos Que Prometem Recompensas

Resolvi quebrar o silêncio em relação a essas plataformas de vídeos que prometem recompensas em troca do cumprimento de tarefas, mas que raramente, ou nunca, cumprem o que prometem. Um exemplo disso é o app KWAI no qual os usuários são convidados a cumprir tarefas e metas com a expectativa de ganhar prêmios consideráveis. Contudo, mesmo se dedicando rigorosamente e trabalhando o dia todo, os ganhos não superam 5 reais por mês, cerca de 16 centavos por dia de trabalho. Isso é praticamente nada.

Ora, essas plataformas são criadas a título de entretenimento e não são obrigadas a recompensar seus usuários. Por outro lado, são um negócio extremamente lucrativo para seus desenvolvedores, rendendo bilhões a cada ano. Por essa razão, as promessas falsas de ganhos de dinheiro fácil transformam essas plataformas numa verdadeira fraude. 

A maioria das promessas de ganhos se baseia em enviar convites para novos usuários. "Baixe o app e ganhe 500 reais", diz a chamada. Mas após cumprir a tarefa, o usuário se depara com alguma outra missão impossível e o "prêmio" fica bloqueado e "expira" em poucos dias. A enganação é surpreendente.

Penso que as autoridades e órgãos reguladores precisam entrar em cena para colocar ordem neste cenário de verdadeiro trabalho escravo em prol do enriquecimento de grandes corporações. O povo não é bobo, mas tem sido muitas vezes feito de palhaço.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Carta a Um Flautista

Ouça Carta a Um Flautista

CARTA A UM FLAUTISTA

Otaner Drassorf

otanerdrassorf@gmail.com



LONG RIVER, 26 de JUNHO, 2023


Ao Brilhante Flautista Jamie 


Caro amigo Jamie,


Tenho pensado muito, nos últimos dias, na minha trajetória como músico, nos erros e acertos que cometi, nos mitos e inverdades nos quais acreditei, e em coisas desnecessárias que me causaram tanta dor e sofrimento. Por isso, pensando em evitar que essas coisas atrapalhem sua arte, e também como uma forma de compartilhar a minha experiência, resolvi escrever-lhe para aconselhar você a não cometer os mesmos erros que sempre acabam gerando os mesmos resultados. 


Quando resolvi me iniciar na flauta transversa, foi a união da oportunidade e do desejo de realizar um sonho.  Havia acabado de ingressar em uma igreja cristã que valorizava muito a música de louvor. Logo que vi a oportunidade, comecei a me envolver em tudo que se relacionava ao ministério da música: canto coral, grupo vocal, quarteto, solos. Um dia, vi um amigo com uma flauta transversal e fiquei encantado. Eu já tocava flauta doce, e fiquei super interessado em conhecer mais sobre o  instrumento. Adquiri uma flauta usada com este amigo e comecei imediatamente  meu aprendizado. Era uma flauta simples, de marca nacional, mas mesmo assim, fiquei super empolgado de poder, finalmente, realizar o meu sonho de ser um flautista. Eu tinha 23 anos.


Mas, uma coisa era tocar hinos cristãos e peças fáceis com o uso de partitura, reproduzindo as notas e ritmos de peças conhecidas. Durante um tempo, eu estive satisfeito com isso, e pensava que as peças de concerto e a música erudita para instrumentos estava muito além de meus humildes anseios  musicais. Eu nunca tinha ouvido falar em Taffanel and Gaubert ou em Moyse. Nunca havia ouvido falar em Hames Galway ou Pierre Rampal. Eu era apenas um flautista leigo, sem grandes pretensões. 


Porém, à medida que fui me aprofundando no estudo da música, tornou-se impossível ficar alheio a toda essa imensidão que compõe o mundo musical. Tornei-me consciente da grande variedade de instrumentos, da infinitude da obra musical, tanto dos grandes compositores, quanto da música popular e da música folclórica (e isto apenas me referindo àquilo de que temos registros). Fui desvendando o conhecimento científico musical, conhecendo regras, normas, convenções e tratados. Fui aos poucos entrando no mundo da erudição musical.


Talvez você não entenda o que uma pessoa pobre e humilde, a quem a vida negou todas as oportunidades, pensa quando vislumbra a possibilidade de cursar o ensino superior. A pessoa se enche de esperança, seus olhos brilham e se enchem de alegria. Ela pensa que finalmente chegou a sua vez de conquistar o seu espaço na sociedade e sair da pobreza. E era exatamente assim que eu me sentia quando decidi concluir o ensino médio, para tentar o vestibular da TURNER. 


O processo seletivo começava com o programa de isenção da taxa do vestibular. O candidato precisava levantar todos os documentos comprobatórios da carência, postar via correios e aguardar o resultado final ser publicado no site da universidade. Uma vez aprovado nesta etapa, poderia fazer a inscrição no exame vestibular. Caso contrário, teria que arcar com o valor da taxa de inscrição. Eu consegui a isenção, mas como era sabático, tive que arcar com uma outra taxa de igual valor para poder fazer o teste, ficando elas por elas. Após meses de provas e ansiedade, medo, dúvida, stress, soube da aprovação e pude, enfim, comemorar minha entrada para a universidade.


Minha primeira faculdade foi Letras, Licenciatura em Inglês. Nessa época eu já sonhava em estudar música, mas sabia do abismo que separava o meu conhecimento musical, do nível exigido para entrada no curso de música. Eu também adora a inglês, então, vi uma oportunidade de carreira no curso de letras. Depois que me formei e já estava trabalhando, me formei também como professor de português. Mas, como a vida dá mil voltas, acabei prestando um concurso público para técnico na TURNER, onde fui designado para a secretaria da faculdade de música dali. 


Passei a conviver com músicos de alto nível. Instrumentistas, professores, terapeutas, pesquisadores. Todos esses alunos convivendo no mesmo espaço físico. Esta convivência me levou a pensar que talvez fosse possível para mim, se eu me preparasse bem, concorrer a uma vaga no curso superior de música. Mas isto ficou muito tempo parado no mundo das ideias e sonhos esquecidos. Até que a TURNER passou a oferecer vagas para o curso de música popular. Decidi passar mais  uma vez pela sabatina e me inscrever, usando a voz como instrumento, ao invés da flauta. Com muita preparação, esforço, esperança e um pouco de ingenuidade, passei por todas as etapas do certame e fui aprovado no vestibular para "canto popular". Nunca fiquei tão maravilhado com uma conquista antes disso. Foi realmente maravilhoso poder iniciar o curso dos meus sonhos.

  

 Depois de efetivar a minha matrícula, fui informar-me a respeito de outras possibilidades de complementar meu currículo, pois já tinha a intenção de estudar flauta paralelamente ao canto. Soube de algumas disciplinas que podia cursar e também que poderia ter aulas junto com os alunos de flauta da música popular. Fui pegando tudo que era permitido. Também adotei uma rotina de estudo individual diária. Mas eu ainda não tinha a real noção de onde eu estava me metendo. 


Eu tentei fazer algo, talvez por ingenuidade ou desinformação, que foi tentar chegar ao nível de performance de grandes flautistas. Eu me esforçava demais, pensando que executar diariamente jogos e divertimentos, fosse o suficiente para levar um instrumentista leigo à profissionalização. O grau de stress a que isso me submeteu foi extremamente pesado e, após um tempo, me paralisou. Comecei a oscilar entre a teimosia e a frustração, mas não desisti de me tornar um flautista.


É muito difícil para um músico em amadurecimento entender o objetivo dos métodos de flauta e das escolas de virtuosismo. Quer se tornar um virtuoso? Corra destes métodos. Este seria, hoje, o meu conselho para o meu eu do passado. Os grandes mestres da flauta deixaram um vasto material de estudo, mas o seu uso deve ser feito de maneira gradativa e moderada. Não morda mais do que você possa mastigar. Este seria o princípio básico para o estudo de qualquer instrumento.


Por outro lado, apesar de meus erros, ainda nesta etapa do curso, lá pelo segundo ano, eu já era capaz de tocar muito melhor do que eu jamais imaginara conseguir na vida. Eu tocava Bach, Mozart, Debussy, Massenet, Elgar, Chopin, e Schubert. Para mim, isso era um verdadeiro milagre, e eu estava maravilhado. Mas eu havia me esquecido que estava em uma faculdade de música e de como este era um ambiente competitivo. Não tardaram a vir as críticas e zombarias contra mim. Eu ouvia as pessoas dizerem que eu "tocava tudo errado", que não sabia ler os ritmos, que o som de minha flauta não era bom o suficiente. Não posso esquecer de mencionar que havia investido uma grande soma em um instrumento para realizar meus estudos, pois as flautas que eu tivera antes não eram boas o suficiente para o nível de alta performance. Mesmo assim, para essas pessoas, eu não era bom o suficiente. Mas também não me faltava coragem, ousadia e indignação para enfrentar tudo isso. 


Mas que preço a pagar para tornar-se um instrumentista era esse? Será mesmo possível tornar-se um músico assim, em meio ao sofrimento, a ansiedade e a angústia? Hoje, vejo isso como loucura. Para aprender, a pessoa precisa de paz. Precisa de tranquilidade e de espaço para errar à vontade, sem ser repreendida por isso. O estudante precisa de tempo para entender o que quer, o que precisa fazer e aonde quer chegar. Precisará fazer muitas renúncias e escolhas, precisará comprometer-se com o seu aprendizado e entender que tipo de músico ele será.


Depois de muito sofrer e de entender muita coisa, entendi que a música é vasta o suficiente para abraçar a todos. Há os que a canção de Jobim chama de "privilegiados" e há músicos comuns. A música de concerto já era difícil de ser executada na época em que as composições foram feitas. Hoje em dia, sem a ajuda da tradição e o apoio da popularização, poucos são os que têm coragem de se aventurar numa carreira musical erudita. Mas, para aqueles que já são grandes prodígios, que ocupam o lugar de destaque à frente das orquestras sinfônicas, ou que um dia irão ocupá-lo, meu conselho é: cuidem de sua saúde. Cuidem do corpo e da mente. Façam exercícios físicos, descansem, se alimentem bem, tenham um acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Caso contrário, sua carreira, sua arte, tudo aquilo pelo qual lutaram, pode estar ameaçado.


Você, meu amigo, é um concertista, um solista excepcional. Você é capaz de executar, com perfeição, peças de grande complexidade e velocidade. Você deixa todos encantados com a beleza e a maestria de suas interpretações. Eu nunca pretendi nem pretendo alcançar o grau de performance artística que você tem. Eu adoraria ser capaz de fazer o que você faz, mas hoje eu entendo que não preciso. Contento-me em ser um artista da expressão e um pesquisador da música e da história da arte. 


Mas, sim, eu passei pelo laboratório para me colocar sob esse imenso stress e saber o que acontece. Para saber que não adianta nos esforçarmos muito além do que somos capazes. Não é o muito estudo que fará um músico, mas o método, o critério, a proporcionalidade, a sabedoria e a regularidade que farão a pessoa progredir na sua prática. Um flautista que almeja grandes saltos, deve começar com pequenos pulos. 


Então, hoje, após passar por tudo isso,  posso te aconselhar a ficar sempre atento para os momentos de maior pressão e dificuldade, para que você se dê o tempo necessário. Faça do seu terapeuta seu companheiro diário, e nunca se exceda além do seu limite. Caso contrário, chegará um ponto em que você poderá travar e atrapalhar essa trajetória tão linda. Observe a si mesmo, quando você estiver se sentindo ansioso sem saber por que, ou quando algo estiver te incomodando e tirando sua paz. Também não deixe que o excesso de perfeccionismo te impeça de avançar, nem ligue demasiadamente para críticas. Sempre que necessário, se dê um tempo sem pegar no seu instrumento. 


Enfim, sempre que você estiver no topo da montanha, depois que terminar sua demonstração, pare um pouco para observar a vista. Você é como a águia, a rainha dos céus. Mas até as águias  precisam descansar.  Lembre-se, você vai voar alto. Mas quando estiver lá em cima, aproveite o vento, relaxe, e descanse. Planar, às vezes, é bom.


You Nailed It!


Otaner Drassorf

sábado, 24 de junho de 2023

The Flute Examination

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The Flute Examination
Otaner Drassorf
otanerdrassorf@gmail.com

When I went to music college I was very excited. It was a dream come true, because I had been longing to study highclass music since I was a small kid, in my home town, "Long Stream". It is a small city circled by hills and crossed by a long river that provides water for the whole town. Economy is held mostly by commercial and industrial activities and most of its citizens work on them. Although the city has enough elementary and secondary schools for all its children and teens to study, there's a lack of colleges and universities in town and in the nearby cities. 
Therefore, when I completed 23, I was in a dilema about which way I should follow or which career to take, if any, at all, should be available. All of my attempts to find a job or occupation had been frustrated and I had not even finished highschool succesfuly. I was facing a wall and could see no way out. Then, I decided to leave my hometown and move to the capital, to try and find myself some kind of employment. College was not actually in my plans in that occasion, but to stay in the city with no perspective of a future, was not an option. 

So, I took all the pennies I had and took a train towards the capital. A friend was expecting for me there, and he was going to help me get aquainted and give-me a shelter, so I could have an easier start. I found a humble job in a fast-food company and began to work and to make some money. But, after 4 years working there, I got fired and had a hard time finding another job. Most of the job offers would shock with my religious costumes or require higher education than I had at the moment. I had no choice but to retake my studies to obtain an university degree. But, first, I had to join a steno pool to finish highschool. Then, I sat an exam to enter the public university in the capital. I graduated as a licensed teacher of English as a Second Language and began to work as a public school teacher just after that. 

Later, I went back to the same university where I had studied, to work as a technician and, then, I could get back to think about taking in my passion for music and try another major in college. I decided to try out the entrance examination for popular music, as a singer and flutist. I had been singing since I was a young child, therefore, this was the instrument I chose for my presentations during the exam. After I started the course, however, I began to study both voice and flute, altogether. 

I don't know what I was thinking when I took this decision to study both instruments at the same time. I think I took it for granted that it would be easy to play music of great complexity and at a fast tempo. But this was not what I found out later. Besides that, just after I began my new major, I was knocked off my feet by bad  news that blacked out my vision and dismayed my heart. My head was a confusion of thoughts and  my emotions were in a frenzy. I didn't know if I should stay or if I should go. My dream of studying music was in check. But, at that moment, I kept on doing my  activities in a robotic manner, not really being able to evaluate my situation. I just kept moving forward and, then, decided not to give it all up. It was not easy, nonetneless, because depression came aggressivily striking  me with no mercy. 

But as the days, months and years went by, I improved from depression and managed to handle my course activities in spite of all my doubts, fears and anxieties. But the ghost of that problem from the begining was still there and kept my thoughts coming and going from college tasks to personal issues.

I had been having a peak of anxiety during the days that preceaded the flute examination of the end of the therm. I was not required to sit the exam, but the examiners would accept to watch me play and give me feedback. Although I was really stage frightened those days, I thought that it was an opportunity to face my fears and gain some recognition. I was really anxious, though. In fact, I was nearly having a fit.

I had prepared a movement of Mozart's Flute and Harp Concerto in C Major, Andante. I played it as a solo piece, since it was not easy to get a pianist to accompany me. When time came I tried to hold my anxiety and took my place on the stage to play. I breathed deeply and started my performance. But, strangely, in that exact moment a drums band began to play or to rehearse below the conference room where the flute examination was being held, disturbing and disrupting my presentation. But, now, I had already started to play and could not stop anymore. I was already nervous and that only made my life worse. 

I continued playing all through the music trying to keep myself calm. The drums kept disturbing all along my performance. But I managed to play it smoothly and fine untill the end, not making any major error. At the end of the exam I heard the professors feedback about my playing and their critics was good. I felt relieved after the test was finished and left the room with a smile. But, that day, I had a strong sensation that there was a strong move of opposition towards me. Why would a drum  and play beneath and at the same time a flute contest was going on? I am not sure but, if I remember, the same did not happen with the other students. That was one of the moments I was more certain that people were acting prejudiciously and showing all their hatred and dispise against me. I was sad, I was angry, but, at the same time, I was felling victorious. 

I graduated from my music major a few years later. I still play flute nowadays, but I no longer have to do it under pressure. I am still learning, but I have made much progress. The world is full of intolerants. They're selfish and stupid people who think they have more rights than others. But this is not true. They are not better than anyone and should respect the rights of everyone, as they like to be respected by others. Music and hatred are two opposed things. Music should not be used as a weapon. Music should only be used to refresh the hearts of all people in the world. Let music be music, let peace reign through it.

MADURO

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MADURO

Otaner Drassorf

otanerdrassorf@gmail.com



Eu estava muito inseguro naqueles dias e não me lembrava muito bem de quem eu era. Dadas as circunstâncias em que eu estava vivendo, tinha a sensação de que eu devia agradar a todos e a todas. Adotei um comportamento um pouco robótico e, mesmo com aquelas pessoas mais chegadas, sentia uma estranha desconfiança de que elas não eram totalmente sinceras. Eu ouvia conversas depreciativas a meu respeito, podia identificar seus participantes pelo tom de voz, mas  não os via diretamente. Como eu não pudesse acusar diretamente meus algozes, ou talvez porque eu me recusasse a acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, quando os via pessoalmente, tratava-os com a mesma urbanidade e cordialidade costumeiras, mas, no fundo, sentia-me idiota e traído.


Quando uma dessas pessoas pediu transferência de local de trabalho, pois recusava-se a trabalhar no mesmo ambiente em que trabalhasse "alguém como eu", houve a liberação da vaga na qual você entrou. Ainda meio que no automático, quis fazer a política da boa vizinhança e fui cumprimentá-lo com cordialidade, um pouco forçada, mas sincera. No entanto, ao fazer isso, fui respondido com um largo sorriso e uma sincera atitude de cooperação. Achei-o um homem muito bonito e também reparei nos belos olhos verdes, é claro. Ainda sem saber muita coisa sobre o belo homem cujo nome fazia referência ideográfica ao do antigo funcionário, senti que podia me aproximar de você e tentar estabelecer uma relação de amizade. Eu andava muito "espiritual" naqueles dias, e realmente quis acreditar que Deus havia enviado alguém para me auxiliar naqueles tempos difíceis e incertos.


Nossa amizade se desenvolveu muito rápido. Depois de descartar minhas tolas esperanças de que você fosse gay, pude saber mais a respeito do homem que você é. Soube que você era um tradicional pai de família e um marido zeloso de seu lar, família e filhos. Se por um lado foi um balde de água fria, por outro, senti-me honrado em poder ter contato com alguém assim, um homem cristão cujos filhos são o seu bem mais precioso e a força que o move a cada dia em que enfrenta uma dura jornada de trabalhos e tarefas. Além do mais, eu não acreditava realmente na outra possibilidade e, por isso, não havia dado asas à minha imaginação, o que evitou que eu cometesse alguma gafe. 


Com o passar dos dias e meses, nossa amizade foi se fortalecendo e eu me vi conversando com você por bons e agradáveis minutos. Em muitas dessas ocasiões, incluíamos outros amigos na conversa. Isso também me ajudou a me aproximar de mais pessoas, como se você agisse como mediador. Eu também me esforcei para que eu melhorasse meu relacionamento interpessoal com os outros colegas de trabalho e a sua presença no setor tornou tudo mais fácil, pois você é uma pessoa agregadora. Assim como as formigas que você me ajudou a conhecer melhor, você me ajudou a ter um melhor entendimento sobre a vida em sociedade.


Não demorou muito para que eu me sentisse confiante o suficiente para me abrir com você a respeito de problemas graves que eu enfrentava no ambiente institucional. Contei a você como o preconceito e o desrespeito de alguns colegas, superiores, professores e até mesmo de alunos vinham tornando a minha existência praticamente impossível. Me abri a respeito da depressão, da ansiedade e da perda de autoestima. Revelei detalhes íntimos e constrangedores de minha vida pessoal para que você entendesse como isso havia provocado nessas pessoas preconceituosas e cruéis uma forte reação de repúdio contra a minha pessoa e como isso me entristecia. No começo, usei e abusei da retórica, da paródia, das alegorias e ilustrações para não ir direto ao ponto que me causava tanta dor e constrangimento. Até que um dia encontrei coragem para falar abertamente sobre a real causa de toda aquela reação de repúdio e de pressão para que eu pedisse demissão de meu cargo ou abandonasse, simplesmente, o meu trabalho. Você foi super   compreensivo e amigo, o que só aumentou a minha certeza de que havia encontrado a pessoa certa com quem me abrir. 


Depois disso foram muitas e muitas conversas a respeito daquele assunto. Falávamos sobre possibilidades de enfrentamento, sobre formas de lidar com o problema, sobre como eu me sentia em relação a isso tudo. Mas mesmo com toda a ajuda que recebi de você, que conhecia o problema através de mim, como dos outros que sabiam por outras fontes, os ataques de ódio contra mim não cessaram. E eu ainda tinha que viver fingindo que estava tudo bem. Porém, nos últimos meses que antecederam a pandemia, estava realmente difícil continuar aguentando aquela situação. 


Durante a pandemia, comecei a sofrer pressão para abandonar meu apartamento na capital. Comuniquei o fato aos empregadores, pensando que receberia algum auxílio. Para a minha decepção fui tratado com frieza e insensibilidade. Mesmo depois que fui efetivamente posto na rua, a instituição continuou apática e distante, atendo-se a seguir protocolos de rotina, como se meu problema não requeresse mediação e ajuda humanitária. O diretor da unidade foi ríspido, negando todos os meus pedidos para retornar ao trabalho e me ameaçou, dizendo que se eu não fosse ao HELLTH, iria demitir-me. Nunca senti tanto desprezo por alguém como passei a sentir por este homem deste dia em diante. Pensei que ele era a vergonha de sua profissão, cujo objetivo é ajudar pessoas. Senti ódio e decepção, mas também senti-me impotente por  não poder me defender dessas pessoas da alta cúpula da colleggy que pareciam ter se unido todas em prol de minha destituição da minha cidadania e direitos civis. 


Assim, me vi forçado a procurar os médicos para descrever minha situação e para pedir a estes laudos que pudessem me defender dos ataques do diretor da Klux Music, do Inhuman Resources, dos professores da Klux, da Jezzabell, que havia me demitido do Kids Grace depois de me expor à humilhação - fui questionado pela contratada não concursada quando eu "desocuparia" a estação de trabalho e pressionado por ela para fazer isso o mais rápido possível - e depois, de me colocar em um setor que me deixava muito mais exposto a ataques de ódio. Também tive que me defender do professor  Luciffer, do Coldheart, do False Bolton, do Kaos Exotick, dos alunos da Klux School e de outras escolas,  e de diversas outras pessoas, que proferiam palavras de ódio e preconceito como "tem que tirar esse cara daqui"; "Ninguém quer ele aqui"; "finge que não sabe"; etc. Expliquei aos oficiais do HELLTH o que estava acontecendo e a situação em que eu estava: sem casa, sem acesso a internete, sem poder realizar trabalho remoto e que havia tido meu pedido de retorno ao trabalho presencial veementemente negado pelo Tyrannus Selfish. Eles me afastaram compulsoriamente e não me permitiram mais retornar ao trabalho. 


Passei a viver na insegurança. A College começou a zuar com meu pagamento, realizando descontos indevidos. Uma certa funcionária passou a fazer ações de repúdio e de afronta contra minha pessoa, bagunçando minhas férias para que o WAGE fizesse grandes descontos no meu pagamento e só me devolvesse meses depois, dificultando minha vida. Depois, essa mulher do cão passou a me enviar emails com o título duvidoso como "publicação de afastamento", "processo", "exoneração", etc. Quando eu clicava na mensagem, o título não era o que parecia, nem o teor da mensagem era relacionado a mim. Mas, aí eu já tinha ficado ansioso.  Até hoje essa pessoa continua a me enviar mensagens de email, muito embora eu tenha pedido para me excluírem da lista.     


Com o passar do tempo vivendo essa situação de dúvida fui me tornando desgostoso com a College e passando a sentir vergonha de ter meu nome associado à colleggy. Comecei  a tentar, de todas as formas oficiais, sair dessa situação injusta e cruel. Pedi aposentadoria mas foi negada. Pedi que me deixassem me tratar fora de Berckley View, mas foi negado. Começaram a zuar com minhas perícias, marcando datas falsas e locais errôneos, de forma que eu, depois de fazer um grande esforço para chegar na data e horário marcados, era informado de que era em outro lugar  e que a data ou alguma outra informação estava errada, ou que o oficial do ministério não pudera comparecer. Fiquei indignado e mostrei a eles um saco de remédios de que eu estava fazendo uso, eu que nunca fui uma pessoa de ficar tomando remédios. Eles foram extremamente cínicos e sustentaram sua posição arbitrária, mandando-me embora sem um parecer definitivo sobre minha situação. 


Fui morar numa pocilga no bairro Little Falls, porque estava muito ruim ficar dormindo no carro,  na rua, em bancos de praça. Tentei manter um treinamento físico em academia,  mas passei a ser estalqueado por pessoas que frequentavam esses locais, dificultando meus treinos e meu rendimento. Passei a sofrer de um estranho tipo de ansiedade, quando passei a notar que todas as pessoas que apareciam no meu caminho estavam alí de caso pensado, para me injuriar e muitas de fato estavam. Porém, logo essa sensação se tornou mórbida e assustadora, o que me fez evitar sair de casa a não ser quando era extremamente necessário. Mas nem dentro de casa eu tinha sossego: desligavam a força, cortavam a internet, faziam fumaça, barulhos, algazarras, etc. Criavam situações constrangedoras, coincidências com nomes de pessoas que tinham contato comigo, numa frequência incomum. Conectavam aparelhos deles no meu bluetooth, e começaram a criar dúvidas e estórias fantasiosas a respeito de minhas finanças e cartões de crédito e contas em bancos. Alegações de que eu estivesse casado com alguém começaram a ser ouvidas, os falsos amigos começaram a se manifestar com frequência, enquanto eu ia me distanciando dos verdadeiros. Também fui ficando endividado. Eu que sempre fora cuidadoso com minhas contas. Comecei a viver como um indigente e temi que, caso eu morresse, minha família talvez não ficasse sabendo e que o meu corpo se extraviasse. 


Depois, como se não bastasse o que já mencionei, veio a acusação de acumulação de cargos. Hora a única coisa que eu tenho acumulado são dívidas, problemas, dores e cicatrizes. Da última vez que estive com vocês eu já não tinha mais voltado ao outro emprego, e também não recebi salário. Não recebi meu contrato de trabalho oficial, e apenas me emitiam comprovante de pagamento fictício, com valor igual a zero, apenas para criar problemas para mim e para me destituir de meus direitos. Eu há havia questionado o órgão sobre a minha situação e o porque de eles não terem efetivado a posse e também não terem executado a demissão. Estaria o órgão também trabalhando contra mim, tentando fazer com que o outro órgão me deixasse destituído de quaisquer proventos?  Além disso, essa nomeação ocorreu num  momento em que minha fragilidade emocional e psicológica me impediam de julgar com clareza qual a melhor decisão a tomar. Nem sei ao certo se ela teve sequer validade legal. Além disso, se eles não formalizaram a demissão, que já ocorrera de fato, pois que a função não gera efeitos remuneratórios, não foi por força de lei?


Depois de muito tempo naquela situação, senti que meu tempo em Berckley View havia chegado ao fim e que não valia a pena dar a minha vida por uma instituição que havia me abandonado em nome  da intolerância e da irracionalidade. Tive que deixar para trás meus livros comprados ao longo de anos, cds preciosos e históricos, móveis, máquinas de lavar roupa, camas, colchões, fogões, refrigeradores. Tudo isso foi perdido. Fretei um veículo, juntei o que pude e me despedi da capital decidido, fosse o que houvesse, a preservar, ao menos, a minha vida. Assim, cá estou de volta à cidadezinha de onde saí trinta anos atrás cheio de sonhos e esperanças.  A College me matou no sentido social. Fez com que minha capacitação profissional se tornasse obsoleta e, estranhamente, agora está me caçando como a uma presa. Eu tenho evitado como posso os ataques  dela e tentado denunciar seus crimes. Mas já decidi não sofrer excessivamente por causa da destituição a que esse órgão me relegou, pois acredito na minha inocência.  Aos poucos, tenho conseguido mostrar à sociedade que eu fui vítima de um preconceito cruel e infundado. Por hora, tenho tentado manter as funções vitais em andamento e a mente equilibrada. Mas não tenho mais vida social, não tenho lazer, não tenho agenda. Não me dão emprego em lugar algum. Nem mesmo os amigos me dão oportunidade de trabalho e os "amigos de amigos" ignoram ou fazem piada de minhas tentativas de recomeçar. De forma que, se cumpridas, as ameaças de demissão da College apenas confirmarão a crudeza daqueles que detém o poder nessa instituição, e de sua total falta de humanidade. Tenho vivido para lutar contra as injustiças e para que essa colleggy não continue passando por inocente, ganhando prêmios, mas que, ao invés disso, tenha seus crimes expostos, apurados e que os responsáveis por estes atos  sejam punidos. Luto ainda!


         


quarta-feira, 21 de junho de 2023

Relato de Abandono Ao Servidor Público Federal, Renato Frossard Cardoso, SIAPE 11×××76, à Condição de Indigência, Desamparo e Desabrigo, pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Relato de Abandono do Servidor Público Federal, Renato Frossard Cardoso, SIAPE 11×××76, à Condição de Indigência, Desamparo e Desabrigo, pela Universidade Federal de Minas Gerais.


Otaner Drassorf

Otanerdrassorf@gmail.com


No ano de 2013, o servidor Renato Frossard realizou alguns exames médicos de rotina, às suas próprias custas, e em caráter privado, para checagem de sua saúde. Na ocasião, um exame atestou, erroneamente, que o servidor tinha AIDS. Porém, por insistência dos médicos de que não haveria como haver equívoco no exame, o servidor entrou num ciclo autodestrutivo de medo, depressão, autocondenação, ansiedade e desejo de morte. Procurou porém os serviços de saúde que o colocaram na fila para tratamento da doença. O servidor, que fora celibatário por 40 anos de sua vida, submeteu-se a extremo constrangimento e vexação, tendo que entrar em filas para a realização de consultas de AIDS, servir de cobaia para alunos de medicina, ser humilhado em laboratórios privados cujos funcionários gritavam em voz alta a sua suposta doença, enfrentar a impassibilidade dos médicos que não lhe apontavam outras possibilidades senão a aceitação do diagnóstico e diziam que o remédio era a única forma de evitar a morte, ter que entrar em filas de dispensação de remédios e em listas de aidéticos do ministério da saúde e de outras instituições. 


Tentando manter seu problema dentro da discrição e da privacidade, tanto no seu trabalho no âmbito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), como em seu curso universitário na Escola de Música da  mesma universidade, no qual ingressou através de vestibular regular, sem direito a cotas, o servidor foi confrontado pelo preconceito, a incompreensão e a falta de urbanidade e o desrespeito aos direitos humanos. Teve seu "problema" exposto e foi atacado e humilhado verbalmente, através de olhares, de preterimentos quanto a sua eleição a cargos de confiança, de demissões e de trocas de setor frequentes. O servidor teve sua vida pessoal e íntima exposta e perdeu a sua privacidade, tendo sua vida invadida por pessoas estranhas, os dados documentais, funcionais e bancários expostos, sofreu ameaças e foi expulso de sua casa, ficando em condição de desabrigo, pois a UFMG lhe negou qualquer auxílio, alegando não ter nenhuma responsabilidade em relação aos seus problemas de saúde, sua situação funcional e habitacional. Sofreu ameaças de demissão, foi coagido a solicitar a demissão, o que quase fez, por estar passando por sofrimento mental, e até hoje recebe ameaças da UFMG de demissão e destituição de proventos, apesar de o servidor estar em situação regular, pois foi afastado "oficialmente" pelo setor de atenção à saúde do servidor (DAST). Acusam o servidor de estar acumulando cargos públicos, o que NÃO é verdade, pois o servidor possui vínculo empregatício e recebe proventos apenas da UFMG.


Nos 2 últimos anos que antecedem este relato, o servidor Renato Frossard foi submetido a diversas situações vexatórias. Por exemplo, passou a ser seguido e ameaçado por grupos extremistas ligados a diversas linhas filosóficas, teve que se resignar a  viver em pocilgas, pois era onde estes grupos extremistas permitiam que ele alugasse, e ainda assim se viu forçado a se mudar diversas vezes. Foi perseguido por certas correntes religiosas e forçado a sair de sua própria religião. Foi ameaçado pelo então diretor da Escola de Música da UFMG, Sr. Tocantins Sampaio, de que seria demitido por abandono de emprego e de que seria processado administrativamente, embora o servidor RENATO FROSSARD tivesse enviado petição solicitando a invalidação de tal processo por vício e por não ter o servidor condições de saúde mental, nem acesso a advogado, para se defender em tal sabatina. Como fora forçosamente afastado do trabalho, primeiro por um ato autocrático do diretor da escola de  música, Sr. TOCANTINS SAMPAIO, e depois por real necessidade de cuidados em sua saúde mental e cardiológica, já que antes gozava de perfeita saúde, apesar da situação difícil a que estava submetido no trabalho, o servidor passou a viver em situação de exposição a pessoas interesseiras e exploradoras, agressivas, importunas e bisbilhoteiras  pois era forçado a permanecer longos períodos em casa, e eram kitinetes estilo pocilga e o número de moradores era muito grande. Foi obrigado a viver próximo a usuários de drogas e até de pessoas suspeitas de envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Teve sua correspondência violada, suas encomendas roubadas  e cartões bancários apropriados por ladrões. 


O servidor, exposto a esta situação, e endividado por constantes mudanças e perdas de móveis, eletrodomésticos, roupas e utensílios de cozinha, que precisavam ser readquiridos pois, quase sempre, essas mudanças eram em caráter de urgência, para a preservação da vida do servidor. Em todo esse tempo, apesar de todos os pedidos de ajuda e de todos os protestos apresentados por ele ao órgão, este se ateve a cumprir rotinas administrativas de emissão de licenças e "passar-bens". Também preocupou-se o órgão em enviar ameaças de demissão, ignorando toda e qualquer lei de proteção do servidor público, do aidético ou dos direitos humanos. 


A questão do endividamento foi outro aspecto que causou grande transtorno para o servidor, pois ele sempre teve suas contas e finanças  muito bem  organizadas, e nunca havia tido nenhum problema com os órgãos de proteção ao crédito. Depois de seu abandono pela UFMG, endividou-se e perdeu o controle, ficando com o crédito comprometido, pois foi cadastrado na SERASA e SPC. Essa situação é praticamente irreversível.


Nos últimos 6 meses o servidor apenas sobreviveu.  Não teve acesso a médicos, a remédios, a soro para hidratação, a água limpa, a saneamento básico, não tinha geladeira e não tinha acesso a área de lavanderia. O sr. FROSSARD tinha que pagar lavanderia, comprar comida, comprar remédios, pagar consultas de urgência do próprio bolso. Qualquer probleminha que surgia em sua saúde gerava preocupação excessiva e medo de morrer. Por fim, a permanência naquele local de moradia improvisada foi  ficando inviável e perigoso, pois o servidor FROSSARD já estava em situação de indigência e não tinha amigos nem familiares com quem pudesse contar, e não tinha mais pra onde ir. Um outro servidor da UFMG veio humilhar FROSSARD ao demonstrar que possuia um enorme edifício ao lado da pocilga em que o servidor se abrigava, e dizer que não estava disponível para locação. No entanto, o tal proprietário fazia sempre questão de aparecer na frente de Frossard, exibindo seu prédio de luxo. Por fim, não vendo mais perspectivas de religação ao seu posto de trabalho, como havia requerido, nem de sua liberação para a busca de tratamentos médicos em outro estado, Frossard decidiu deixar de lado a preocupação com uma possível perda de remuneração e optou por preservar sua vida, voltando para a sua cidade natal, da qual esteve distante por 30 anos, e praticamente não reconhecia. 


Agora, já na sua terra natal, tem recebido ameaças do órgão empregador, ameaças de demissão e destituição de cargo público, embora o servidor peça  ao órgão que o aposente, conforme ordenam as leis em vigor no Brasil, para pessoas na sua situação. Entretanto, Frossard tem considerado mais urgente preservar a vida e a saúde, tratando de alterações clínicas de pressão, glicose e transtornos mentais, e transtorno generalizado de ansiedade (burn out), todos provocados por anos de trabalho sob excessivo stress, medo, depressão e ansiedade. Frossard submete-se a um programa permanente de treinamento físico com o objetivo de manter saudáveis o corpo e a mente.  

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Perdoandos e Perdoados

Perdoandos e Perdoados
Renato Frossard
renatofrossard@gmail.com

Costumamos pensar que nossos parentes têm alguma obrigação para conosco, de prover algo para nossa subsistência ou de nos socorrer num momento de necessidade. Pensamos que, por serem nossos entes cosanguineos, eles têm a missão de nós ajudar em qualquer tempo e lugar. Mas será que é bem assim?

Quantas vezes você já foi egoísta para com um irmão ou alguém de sua família, negou um favor, afastou-se de sua convivência, foi rude, agrediu com palavras e até com atos? Será que a pessoa agredida ou preterida é obrigada a te tratar com carinho? Ora, amor incondicional somente Jesus demonstrou ao morrer na cruz por todos nós. Mas, se queremos ser amados, precisamos, antes, demonstrar amor. 

Há pais que abandonam seus filhos e os entregam a país adotivos. Daí, depois que a pessoa já é adulta e bem sucedida, às vezes até rica, reaparecem do nada, exigindo os direitos da paternidade. Eu acho isso de uma grande hipocrisia. Por outro lado, há filhos que são injustamente separados dos pais ao nascerem, sendo privados da convivência com sua família biológica. Passam a vida tentando encontrar os genitores e, quando os encontram, desfrutam de grande alegria.

Qual foi a última vez que você abraçou algum parente seu e disse a ele ou ela o quanto é importante para você? Quando foi a última vez que você fez algum deles se sentir especial? Se você nunca fez isso, então não se surpreenda se alguém lhe demonstra indiferença no seio familiar 

Mas há pessoas que não nos devem nada. Não são parentes (há alguns que são), não são cônjuges, e não têm compromisso algum com a gente. Mas elas são, muitas vezes, mais amáveis, mais amigas e humanas que nossos próprios familiares. Essas pessoas nos amam e nos ajudam gratuitamente, repartem seu pão, repartem seu amor que dedicam aos seus, nos abraçam e nos confortam em momentos de medo e dor. Os amigos, como os chamamos, são seres extraordinários. São anjos na terra. Quantas vezes é mais precioso o amor de um amigo, do que o amor de um amante?

Mas, os amigos também são humanos e frágeis, como nós. Eles também enfrentam problemas e dificuldades. Por isso, em algumas ocasiões em que enfrentamos tempestades, temos a impressão de que fomos abandonados. Mas você já se perguntou se seus amigos não estavam, eles mesmos, tentando encontrar um bote salva-vidas? Não é fácil ficar sozinho em momentos tristes da nossa vida, mas não podemos deixar que a dor nos deixe cegos para os problemas dos outros.

Olhe em sua volta. Veja quanta gente já te ajudou apenas no dia de hoje. O padeiro que fez seu pão, o cozinheiro que preparou sua refeição, o carteiro que trouxe sua correspondência, o sol que te acordou e o vento que te refrescou. Você nunca fica sozinho. Os amigos, aqueles mais chegados, nunca nos esquecem, mesmo que estejam distantes. Na estrada agora, ou no ar, alguém está se lembrando de você, com amor. Talvez até pense que você não se lembra mais dele. O verdadeiro amigo, nunca esquece. 

É por isso que, hoje, quero dizer aos meus amigos queridos o quanto os amo e o quanto sou grato a eles. Se a vida nos levou para cantos diferentes, talvez tenha sido a vontade de Deus. Mas saibam que jamais esquecerei de vocês. Quero guardar de vocês apenas a gratidão e as boas lembranças. Trocar as cobranças por votos de felicidades, e as mágoas por saudades. E não se esqueçam que podem contar comigo sempre que precisarem, e que ainda vamos nos reencontrar muitas vezes, aqui mesmo neste mundo, e um dia na eternidade. Para os que se sentem em dívida, estendo o perdão, para os que me culpam, peço desculpas. Que o amor, o bálsamo mais poderoso, possa curar as nossas feridas e nos reunir no amor de Jesus.

Caminhemos Ainda.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

A Academia Como Espaço Sociológico: Descrição de observação empírica do ambiente de uma academia de ginástica e seus frequentadores.

O ESPAÇO SOCIOLÓGICO DA ACADEMIA DE MUSCULAÇÃO
Autor: Renato Frossard

O espaço físico que escolhi para essa observação foi a academia de musculação.
Escolhi este espaço por tratar-se de um local em que vou regularmente para a prática de exercícios e no qual acabo tendo contato com pessoas de diferentes origens, níveis sociais, identidades de gênero e orientação sexual, crenças ou filosofias.

Nesse espaço físico, “habitam” pessoas que, na maioria das vezes, pouco sabem umasdas outras, pouco conhecem umas das outras. As pessoas apenas compartilham esse espaço
pela força da necessidade de praticarem atividades físicas em um ambiente adequado que,caso fosse feito de maneira individual, requereria destas pessoas um alto poder aquisitivo, o
que, na maioria das vezes, as pessoas não possuem. Assim, pessoas que são praticamenteestranhas umas às outras acabam aceitando esse contato umas com as outras, ainda que não
seja um contato de amizade ou, sequer, de coleguismo.

Algumas vezes, as pessoas na academia conseguem estabelecer laços de amizade umas
com as outras, quando existe receptividade de ambas as partes. Na maioria das vezes, porém, o contato, quando ocorre, se restringe ao contato visual ou a uma mera saudação como um oi
ou um simples menear de cabeça ou um sorriso. As pessoas pouco conversam nesses ambientes, pois estão focadas em realizar seus exercícios e, depois disso, irem embora.

Há, claro, exceções. Há grupos de pessoas que se encontram nas academias comopropósito não só de exercitar-se, mas também de interagir e criar vínculos de amizade. Há também os casais que frequentam esses locais juntos e ainda amigos que combinam de treinar no mesmo horário e local, afim de fazerem companhia um ao outro.

Em minhas observações, passei a perceber que muitos têm objetivos específicos, por exemplo, querem fortalecer uma parte específica do corpo. Já outras dão ênfase a um treinamento geral visando fortalecimento e saúde, enquanto outras visam mais a parte estética.
Há ainda pessoas que parecem estar perdidas, não sabendo exatamente o que querem fazer ou qual o tipo de exercício que querem para si.

Há momentos de excelentes trocas de ideias entre os atletas. Eu mesmo, tive a oportunidade de conhecer alguns desses indivíduos e conversar sobre assuntos ligados à filosofia, à espiritualidade, á educação física e outros assuntos. Estas trocas são preciosas poispermitem nos abrir ao outro e dão abertura ao outro para que se mostre a nós. Conheci L., por exemplo, com quem conversei sobre saúde, sobre fé e sobre a própria atividade física.

Conheci uma professora do ensino infantil que me relatou suas dificuldades no trabalho e sobre seu amor pela educação, e também conheci pessoas bonitas e atraentes com as quais
tive pouco mais do que um contato visual ou com as quais troquei algumas palavras. Enfim, apesar de na maioria das vezes o contato entre as pessoas da academia ser superficial, é possível que haja estreitamento e estabelecimento de vínculo de amizade, se houver tempo e se as pessoas se permitirem essa abertura, essa quebra de defesa.

Enfim, observei que, na academia, as pessoas estão ligadas por  um objetivo comum, o exercício físico. Mas também observo que eu não tenho como saber o que leva cada indivíduo a procurar um espaço como esses. A pessoa pode estar na academia por diversos fatores: por recomendação médica, por desejo pessoal de mudança, para socializar, para conhecer pessoas,
pensando em encontrar um parceiro sexual ou afetivo. Não é possível que eu preveja qual é o objetivo de cada pessoa, pois, individualmente, cada um é uma incógnita. Mas o que eu observei, também, é que eu não devo ficar devaneando sobre essas coisas, pois isso afetaria a minha própria saúde mental. O que eu posso e devo fazer é ater-me àquilo que eu tenho de informações sobre as pessoas que frequentam esse espaço físico. Por exemplo, se a pessoa treina na academia, eu posso supor que ele ou ela é um aluno ou um instrutor ou funcionário.

Se eu tiver oportunidade de conversar com a pessoa, posso perguntar seu nome. Se eu tiver um pouco mais de liberdade, posso perguntar onde a pessoa trabalha, estuda, se é casada ou solteira, se estuda e o que estuda, etc. Não penso que devamos ficar criando suposições sobre, por exemplo, se a pessoa tem interesse nisso ou naquilo, se está na academia com outro interesse que não seja treinar ou sobre qual é sua orientação sexual. Tentar ficar o mais livre de julgamentos possível, é a melhor forma de “estar” num ambiente dessa natureza.

Por fim, acredito que a academia é um ambiente exemplar de uma “microssociedade”, onde existem regras definidas, onde existem padrões e onde há uma certa ordem e limite de
ações que uma pessoa pode exercitar. Assim como na macro sociedade, é necessário que os limites de liberdade de cada indivíduo e do grupo como um todo seja respeitado, para que
todos possam conviver em harmonia e alcançar seus objetivos.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

O Verdadeiro Amor

O Verdadeiro Amor



Há amor? Se há amor, o que é que há com o amor?


Há quem garanta apenas ter amado uma única vez. Pessoas que se unem na juventude e passam a vida toda juntas. Não conheceram outros braços, senão os braços um do outro. Não se reconhecem fora deste relacionamento. Mas será que isto é mesmo amor? Pergunto isto porque muita gente permance junta por conveniência, mesmo quando não existe sentimento. 


Mas é claro, existem aqueles casais de causar inveja. Pessoas que parecem terem sido criadas uma para a outra e que vivem o amor de forma intensa e verdadeira durante toda a sua vida juntas. 


Mas há também quem ande pela vida e se apaixone diversas vezes por diferentes pessoas. Mesmo assim, não se realizam no amor. Há sempre algo atrapalhando. Um rival, a sociedade, a religião ou o preconceito. Sempre alguma coisa que atrapalha essa pessoa a lançar sua âncora ⚓. 


Mas, a julgar por minha experiência pessoal, penso que o amor verdadeiro, aquele que realmente marca, não morre nunca. Pode-se passar por diferentes e distantes lugares, pode-se namorar e relacionar com diferentes pessoas, mas aquele sentimento pelo ser amado nunca se apaga. Permanece vivo em algum lugar de nossa alma. E, se tivermos oportunidade de reencontrar esta pessoa, o amor se reaviva. 


Mas o amor verdadeiro também faz sacrifícios. Muitas vezes temos que escolher entre permanecer perto ou nos afastarmos, quando compreendemos que isto será melhor para a outra pessoa, que será melhor para a sua felicidade. Ou permanecer por perto, mas sacrificando o amor sensual, por uma forma mais nobre de amor, abnegado e assexuado. O amor assim prefere cuidar do outro, mesmo que isso signifique esquecer de si mesmo. 


Também acho que o amor verdadeiro parte de uma escolha, e também pode não ser exclusivo. Quero dizer, não andamos por aí com um odômetro para medir a quantidade de amor que temos por essa ou aquela pessoa. O amor é apenas sentido. Você reconhece o amor quando, após anos sem se verem, reencontra alguém que importa. Reconhece ainda mais, quando percebe que este alguém "se importa" com o que você sente e corresponde aos seus sentimentos, mesmo que de um modo diferente. E quando você teve que calar-se a vida toda a respeito do seu sentimento, mas percebe que, no fundo, a outra pessoa sempre soube e compreende você? Acho que isso também é amor.  O amor da continência.


Passei a vida toda amando pessoas. Amei quem merece e amei quem não merecia. Mas acho que cada um destes amores tem a sua importância. Com o tempo, aprendi a valorizar as pessoas que sempre estiveram ao meu lado e me apoiaram quando precisei. No final das contas, acho que o amor é uma questão de decisão. Você precisa decidir manter vivo o sentimento, mesmo contra o tempo e a distância. Assim, com um pouco da ajuda de Deus, da sorte e do universo, mesmo que passemos um tempo distantes, quem sabe a gente reencontra aquele ser especial em alguma volta da vida?

quarta-feira, 10 de maio de 2023

Para Rita Lee

Para Rita Lee

Uma artista que esteve comigo desde a minha infância. Fez o maior auê na minha vida, foi a ovelha negra e me ensinou a ser uma, me escandalizou com a banheira de espuma e me fez rir com os jardins da Babilônia. Ela bailou comigo pelas estradas da vida e me prometeu que faria tudo por amor. Quando a coisa ficou difícil, pediu licença e saiu do sério, cansada que estava de tanto lero-lero. E bailou novamente. A Rita que eu amo, era única e inimitável. Quando ela se aposentou, ficou uma lacuna que ninguém preencheu. Mas eu não sabia de sua luta, pois até mesmo no sofrimento você foi brava, foi forte colosso, escolheu o silêncio da resiliência. Mas, enquanto você sofria, na minha luta pessoal, suas músicas eram um poderoso tônico que fortalecia. A irreverência de suas letras, muitas vezes, falou por mim e foi a minha voz nos momentos de maior dificuldade e sofrimento. Mas também cantei muitas vezes: Volta Rita! Volta Disgramada! Pois eu não imaginava que você esteve ali o tempo todo, lutando para permanecer com todos os que te amam. A notícia chegou assim, trazendo prazer nenhum, como um cantador que verseja ao longe. Não tomei banho de rio, não me penteie, calei apenas. E a vida ficou estranhamente sem graça. Mas o meu respeito e a sua honra foram tão maiores, que não ousei te criticar por nada, nem mesmo por morrer. Pois atribuo a você o mérito de uma vencedora, que em diversos momentos da história do Brasil e da música popular brasileira nos ensinou a usar as palavras com arte e com bom humor, com irreverência e sensualidade. Essa doença que te levou não te venceu, nem te vencerá jamais. Pode ter certeza que eu ainda vou dizer algo como: "que saco, não param de falar na Rita Lee", pois não pense que o mundo te esquecerá tão cedo. E como a gente dúvida até da fé, também podemos perguntar "What If?" não é mesmo? Então, quem sabe a gente não vai se encontrar de novo em algum lugar do universo? E, olha, desculpa o auê, meu bem. ❤️❤️❤️